Sindicato Rural de Assis expressa indignação contra decisão do STJ de suspender ações de poupança

A notícia de que o STJ- Superior Tribunal de Justiça suspendeu a análise de todas as ações judiciais que discutem a reposição de perdas causadas a poupadores pelos Planos Bresser, Verão, Collor 1 e Collor 2,foi recebida com muita indignação por parte do Sindicato Rural de Assis.
A entidade já havia se expressado em ocasiões anteriores contra intenções do governo de barrar tais ações a pedido da Febraban. “Ao que parece, os bancos conseguiram o seu intento”, lamenta Orson Mureb Jacob, presidente do Sindicato Rural de Assis.
A indignação é causada pelas justificativas pouco plausíveis dos bancos de que o montante a ser devolvido aos poupadores causaria uma quebradeira no sistema financeiro nacional. A maior estranheza é que a cada ano aumentam os lucros dos bancos e sua participação na economia do país.
Também causa indignação a atitude do governo federal em apoiar os bancos nessa disputa com os poupadores. O Banco Central e o Ministério da Fazenda andaram divulgando números fantásticos referentes aos valores a serem devolvidos aos poupadores como forma de pressionar o STF – Supremo Tribunal Federal, a fim de julgar as ações de poupança a favor dos bancos.
O Idec – Instituto de Defesa do Consumidor também protesta contra essa decisão do STJ e diz que muitos poupadores serão prejudicados.
Além disso, o Idec fez um levantamento e apurou que somente 1% do total de poupadores da época dos planos econômicos entraram com ação judicial. Também divulgou estudo de um ex-economista chefe da Febraban que aponta em R$ 29 bilhões o total da dívida dos bancos referente ao Plano Verão, isso se todos os poupadores fossem à Justiça. Também divulga um estudo do Banco do Brasil no qual as tarifas bancárias renderam aos bancos mais de R$ 28 bilhões só em dezembro de 2007.
Para Jacob, essa manobra dos bancos com apoio do governo federal precisa ser denunciada e divulgada de forma extensiva: “As autoridades e a própria Justiça precisa saber que nem toda a população é alheia a essas manobras obscuras, imorais e contrárias ao espírito democrático que deveria nortear esse país.”


Andrea Lieko Samesima/Assessoria de Imprensa