Dom Maurício - bispo de Assis                                                                     

Dom Maurício Grotto é o novo arcebispo de Botucatu

Por Gesiel Júnior

Dom Maurício celebrando

Dom Maurício com dom Antônio de Souza

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O boletim diário da Sala de Imprensa do Vaticano confirmou nesta manhã de quarta-feira, 19 de novembro: dom Maurício Grotto de Camargo, atual bispo de Assis, será o oitavo bispo e quinto arcebispo de Botucatu.

O ato de nomeação, determinado pelo Papa Bento XVI, pode ser conferido no site da Santa Sé  em: http://212.77.1.245/news_services/bulletin/news/22915.php?index=22915&lang=it

Prudentino, 51 anos, dom Maurício é o primeiro nascido na região escolhido para conduzir a arquidiocese de Sant’Ana de Botucatu. Ele substituirá em breve a dom Aloysio José Leal Penna, jesuíta de 75 anos, que governa a Igreja Católica na região desde agosto de 2000.

Membro da Comissão Episcopal Pastoral para o Serviço da Caridade, da Justiça e da Paz, o futuro arcebispo responde pelo Setor de Mobilidade Humana da CNBB. Integrou recentemente a Comissão Pastoral da Terra (CPT), quando defendeu ocupações pacíficas de fazendas.

Trajetória - Antes de o papa João Paulo II o nomear bispo coadjutor de Assis em 2000, o então padre Maurício começou seu ministério como coordenador diocesano de Pastoral e chanceler da Diocese de Presidente Prudente, sua terra natal, onde nasceu em 26 de setembro de 1957.

Ordenado sacerdote em 11 de abril de 1981, depois de fazer seus primeiros estudos em escolas públicas de Presidente Prudente e no Seminário Diocesano Nossa Senhora Mãe da Igreja, na mesma cidade, ele concluiu sua formação no Instituto Teológico Paulo VI, da arquidiocese de Londrina.

Foi vigário cooperador da Paróquia Santa Rita de Cássia, de Presidente Prudente (1981), vigário ecônomo de Álvares Machado (1982), pároco de Álvares Machado (1983) e vigário cooperador da Paróquia Nossa Senhora Aparecida de Regente Feijó (1988-1990). Foi ainda, em 1984, administrador paroquial da igreja Nossa Senhora dos Navegantes, de Rosana, quando acompanhou o assentamento de famílias sem-terra no Pontal do Paranapanema.

Atuou também na formação dos padres da região, tendo sido diretor espiritual do Seminário Provincial Sagrado Coração de Jesus, em Marília, no ano de 1987. Depois assumiu a reitoria do mesmo instituto em duas oportunidades: no ano de 1983 e entre 1997 e 2000. Entre 1997 e 2000, trabalhou como subsecretário de Pastoral da CNBB e depois foi subsecretário-geral do episcopado brasileiro, em Brasília.

Como bispo, dom Maurício cooperou com dom Antônio de Souza, em Assis. Entre 2003 e 2004 exerceu a função de administrador apostólico da Diocese de Araçatuba. Em 2004, com a renúncia de dom Antônio, assumiu efetivamente o Bispado de Assis.

Dimensão sócio-transformadora – O futuro arcebispo de Botucatu, cujo lema de vida é "Sereis minhas testemunhas até os confins do mundo" (At 1, 8), é um nome visceralmente ligado aos problemas sociais brasileiros, como a questão fundiária.

Para dom Maurício, a ocupação organizada, pacífica de terras devolutas ou improdutivas não fere o Estado de direito democrático nem constitui violência alguma. “Isso se trata, na verdade, de um grito angustiado daqueles que são vítimas da violência, da fome, da falta de moradia digna, da falta de saúde, do desemprego, do subemprego, do trabalho escravo, que infelizmente ainda existem em nosso país”, afirma.

Bispo responsável pelas Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), dom Maurício assessora eventos e dedica-se a ensinar como trabalhar nas comunidades uma ação sócio-transformadora. “Não existe oração sem ação. A oração é essencial, mas também precisamos dar testemunho da Palavra”, observou em recente encontro diocesano realizado em Vera Cruz, na Diocese de Marília.

Além das CEBs, o futuro arcebispo de Botucatu se dedica à evangelização da juventude, desafio que para ele tem de ser vencido passo a passo, “pois requer uma linguagem diferente e uma atenção especial em relação aos seus anseios”.

Dom Maurício, em recente entrevista, explicou que já em 1979 a metade da população latino-americana era composta de jovens. Essa realidade não mudou muito, embora tenha aumentado o índice de longevidade. “73,6% dos jovens entre 15 e 24 anos que se declararam no censo brasileiro do ano 2000 católicos (34 milhões aproximadamente), destes, pouco mais de 10%, ou seja, praticamente 3,5 milhões de jovens, são católicos praticantes», afirma.

Ou seja - prossegue o arcebispo eleito -, “apenas 10% participam das nossas comunidades, de nossas paróquias, da nossa vida sacramental, e, de modo especial, da missa. E mesmo nesse universo de católicos jovens praticantes, a pluralidade é muito grande. São muitos movimentos, muitas pastorais”. Diante dessa realidade, dom Maurício diz que a primeira preocupação é interna. “Nós precisamos e desejamos promover uma revisão e uma organização das nossas próprias forças juvenis”, conclui.