Cervejas especiais brasileiras: as despretensões e finesses no beber nacional
Pobres, remediados e abastados em geral, sem nem distinção entre verão,
inverno ou adjacências, o brasileiro é visto, marcadamente, em bandos, pelos
bares, festas e botequins bebendo cervejas em quantidade considerável. Bem,
certamente não tão considerável quanto imaginam os próprios consumidores desta
terra. O Brasil está apenas em 33º lugar no ranking dos maiores países
consumidores do chá de cevada, ficando atrás de países com a Finlândia, a África
do Sul e até mesmo do Japão no cálculo cerveja per capita, embora seja o 5º
maior produtor.
A parte disso, mais chama atenção o papel de manutenção social que a bebida
galgou em pouco mais de 150 anos: a cerveja tem a ver com reunião de amigos, com
momentos de descontração e outros relaxamentos que se liguem àquela frase do
Nelson Rodrigues: o brasileiro é um feriado. Assim, consome-se pelo ato de
consumir, pela festa e exatamente esse é o ponto base que faz da cerveja
nacional um produto que não prima, nem mesmo tem ânimo de primar, pelos
requintes da degustação. Mas o mercado é o mercado e, nos últimos anos, a AmBev
(líder de vendas e dona de 67% do negócio) viu crescer suas vendas seguindo a
prosperidade geral da economia. Isso pode significar, para além do aumento de
problemas hepáticos, uma quantidade maior de pessoas envolvidas com esse consumo
e, por conseqüência, uma quantidade maior de pessoas aborrecidíssimas com o
oferecido por aquela meia dúzia de empresas que se matam por um quinhão
midiático e uma fidelidade etílica. É nesse terreno – localizado pelos anos 90 -
que se iniciou o fenômeno de vendas e dedicação do público às cervejas
especiais, bebidas, em sua maioria, artesanais, saídas de armazéns interessados
em tocar a tradição de algumas marcas inglesas e alemãs que são cheias de
fetiche e séculos nas costas. A maioria usa como principal selo a Reinheitsgebot
- lei da Pureza Alemã que vigora desde 1516 – e funcionam em microcervejarias
espalhadas em diversos pontos do território nacional sendo dirigidas
principalmente por imigrantes europeus e seus descendentes.
Baden Baden
Primeira cerveja artesanal produzida no país, a Baden Baden tem sua fabriqueta
há 10 anos localizada em Campos do Jordão, São Paulo, e é considerada hoje uma
referência mundial em cervejas finas. Quiçá seja a melhor cerveja brasileira;
foi ganhadora da medalha de ouro no European Beer Star 2008, competição que
reúne na Alemanha alguns dos maiores especialistas no assunto.
Eisenbahn
A cervejaria Sudbrack nasceu em junho de 2002 e adotou o nome Eisenbahn,
ferrovia como homenagem aos antigos mestres da região de Blumenau, em Santa
Catarina, e ao bairro Salto Weissbach, onde fica a sede da fábrica e uma das
mais famosas estações de trem que o local tivera no passado.
Devassa
A única das microcervejarias nacionais que simplesmente ignora qualquer tipo de
existência séria, a carioca Devassa tem como seu mote principal a sacanagem
aliada ao requinte de suas receitas: “tudo que as outras cervejas gostariam de
ser, mas morrem de vergonha”, é um de seus lemas. É produzida desde 2002 e
comercializa, para além do malte, o reliquiso livro de Pedro Almodóvar “Fogo nas
Entranhas”.
Cerveja Colorado
Cerveja especial não-artesanal, a Colorado de Ribeirão Preto, São Paulo, fabrica
desde 1995 cervejas que unam o estilo clássico das cervejas inglesas com toques
regionais do país. O sabor de suas representantes claras ou escuras é geralmente
definido como robusto e com seu alto teor alcólico somado ao amargor, é a única
da lista cujo objetivo é resgatar a tradição das cervejas populares do início do
século.
Fonte: http://blog.uncovering.org/