Cultura Caipira de
Luto
Foi com
profunda tristeza que a Cultura Caipira recebeu a notícia do falecimento de
Pedro Jacob (foto à esquerda) que, junto com seu filho Pedro Rafael Jacob,
formava a Dupla
Jacó e Jacozito
(foto abaixo), que mantinha viva a
Memória Musical da Dupla
Jacó e Jacozinho.
Pedro Jacob, que contava 60 anos de idade, vinha sofrendo com problemas
cardíacos e amanheceu morto, na manhã de 19/03/2009, em sua residência em
Osasco-SP. Seu corpo foi sepultado no Cemitério Bela Vista, em Osasco-SP,
deixando um enorme vazio na História da Música Caipira Raiz.
Nascidos em Assis-SP, filhos de Gabriel Jacob (1902 - 1979) (grande
catireiro paranaense conhecido como Jacó da Viola) e de Dona Maria Joana de
Jesus (1911 - 1982), Jacó e Jacozinho, de acordo com diversos biógrafos,
teriam formado a dupla a partir do Trio Flor da Mata, formado por três
filhos do casal.
No entanto, as diversas biografias que existem tanto nos livros como também
na Internet, sobre a excelente Dupla que foi Jacó e Jacozinho, são em sua
maioria contraditórias e, de forma muito estranha, contendo muitas mentiras
e muitas "fantasias" que não aconteceram com a Dupla.
Quero aqui agradecer ao Pedro Rafael Jacob que, juntamente com seu pai Pedro
Jacob, formou a Dupla "Jacó e Jacozito" (ver logo abaixo), e que me forneceu
informações adicionais que ajudaram bastante na elaboração desse resumo
biográfico.
O Trio Flor da Mata, portanto, nunca existiu, de acordo com a informação de
Pedro Rafael Jacob, o Jacozito.
Alguns biógrafos também costumam mencionar Caviúva-PR como sendo a
cidade-natal da dupla, no entanto, a informação de que a família é natural
de Assis-SP, foi fornecida pelo próprio Pedro Rafael Jacob, o Jacozito, que
integrou a Dupla "Jacó e Jacozito", com seu pai, conforme mencionado mais
adiante.
Gabriel Jacob e Maria Joana tiveram um total de 9 filhos, os quais tomaram
diferentes rumos; foram eles: José Jacob (1932 - 1972), João Jacob (1934 -
1981), Antonio Jacob (1938 - 1981), Benedito Jacob (1942 - 1965), Sebastião
Jacob (1943 - 1981), Amado Jacob (06/04/1944 - 06/2001), Aparecida Jacob
(1946), Pedro Jacob (04/10/1948 - 19/03/2009) e Inês (1950).
A dupla que se iniciou com o nome "Jacó
e Jacozinho" era formada por Benedito Jacob e Amado Jacob, que
gravaram os dois primeiros discos 78 RPM. Já no primeiro LP, gravado em
1964, a dupla passou a ser formada por Antonio Jacob e Amado Jacob que
permaneceram até 1980, quando do falecimento de Antônio.
Outras referências bibliográficas apontam Pedro Jacob e Amado Jacob como
sendo os integrantes originais da dupla, no entanto, Pedro, que era o oitavo
filho do casal, costumava substituir um ou outro em shows e no rádio quando
acontecia algum imprevisto.
Portanto, de um modo geral, Antônio e Amado foram os irmãos titulares que
integraram a dupla até o início da década de 1980. A foto à esquerda foi
gentilmente enviada pelo Radialista, Produtor e Pesquisador Maikel Monteiro
de Curitiba-PR.
Jacozinho
estrearam então nas gravações em 1962 quando gravaram pelo Selo Sertanejo o
disco 78 RPM CH-10317, tendo no Lado A o arrasta-pé "Papai Me Disse" (Jacó -
Jacozinho) e, no Lado B, a Moda de Viola "Castigo de Fazendeiro" (Sulino -
Roque José de Almeida).
Com a mesma formação (Benedito Jacob e Amado Jacob), a dupla gravou em 1964
o segundo disco, o 78 RPM CH-10422, também pelo Selo Sertanejo, tendo no
Lado A a Moda de Viola "Nora Perversa" (Sulino - Moacyr dos Santos) e, no
Lado B, o Rasqueado "Saudade Também Tem Hora" (Sulino - Moacyr dos Santos).
Em 1964, a dupla, já formada por Antônio Jacob e Amado Jacob, gravou o
primeiro LP (foto à direita). E, com essa formação, a dupla continuou
gravando ininterruptamente até 1980, sempre na Continental (hoje Warner),
gravadora na qual foi a dupla que mais vendeu discos na década de 1970, ao
lado de
Tião Carreiro
e Pardinho.
De acordo com Pedro Rafael Jacob, o Jacozito, a dupla "Jacó e Jacozinho"
gravou mais de 40 discos, tendo sido 28 de "Jacó e Jacozinho", 2 de "Amado e
Antônio", além de 7 CD's da Dupla mais recente "Jacó e Jacozito".
A dupla, em sua
formação original, fez bastante sucesso principalmente na década de 1960,
notabilizando-se com uma vocalização não tradicional, com dissonância e
mudanças de tonalidade. E, na mesma época, a dupla atuava na Rádio Nacional
de São Paulo, onde eram cartazes num programa que ia ao ar todas as
Sextas-Feiras às 20:00. A foto acima e à esquerda foi gentilmente enviada
pelo Radialista, Produtor e Pesquisador Maikel Monteiro de Curitiba-PR.
Gravaram músicas de diversos compositores, dentre os quais
Lourival dos
Santos,
Moacyr dos
Santos,
Sulino,
Carreirinho,
e também músicas de autoria deles próprios. Calcula-se que aproximadamente
3/4 do repertório da dupla era formado por composições de
Lourival dos
Santos
e
Moacyr dos
Santos.
Um fato curioso aconteceu em 1974 quando Jacó e Jacozinho resolveram gravar
a música humorística "Pepino" (Jacó - Jacozinho)
("Eu não quero mais pepino / nem do grosso
nem do fino..."). Como não queriam "confundí-la com o tradicional
repertório Caipira Raiz", eles "criaram
outra dupla", apenas para cantar as músicas engraçadas: a dupla
"Amado e Antônio", integrada
pelos mesmíssimos Jacó e Jacozinho, que usaram os próprios nomes de batismo,
dupla essa que chegou a gravar dois LP's.
Lamentavelmente, existem até hoje algumas pessoas que se aproveitam do nome
da dupla "Amado e Antonio", fazendo shows e enganado os fãs. Há muita
confusão em relação a essa dupla, que na verdade não existe mais.
Tendo gravado mais de duzentas músicas, a dupla "Jacó e Jacozinho" foi
também a que mais influenciou a dupla "Chitãozinho e Xororó", cujos
integrantes eram seus fãs e ouviam seus sucessos no rádio da serraria em
Astorga-PR, onde viveram a infância.
Em 1980, o Antonio Jacob gravou um disco com o Pedro Jacob, que ocupou o
lugar do Jacozinho, já que Amado se encontrava gripado e não podia fazer o
Disco.
Em 1981, Antonio Jacob (o Jacó da formação principal da dupla) faleceu
vítima de problemas cardíacos. É errada a informação de que Antônio teria
falecido vítima de traumatismo craniano, após uma queda na qual bateu a
cabeça, como tem sido informado erroneamente em algumas biografias.
Diversas emissoras de Rádio e TV divulgaram diversos boatos infundados,
sobre Jacó e Jacozinho, informando inclusive que um dos irmãos teria sido
culpado pelo falecimento de Antonio Jacob. A família inclusive se viu
obrigada a mover alguns processos jucidiciais contra essas emissoras.
Também de acordo com informações de Pedro Rafael Jacob, o Jacozito, entre
1977 e 1982, faleceram cinco irmãos, além dos respectivos pais, Gabriel e
Maria Joana, período no qual a dupla praticamente não teve atividade.
E em 1982, o Amado Jacob gravou um último disco com o Pedro Jacob para
cumprir o contrato na gravadora onde destaca-se a música “Sete Irmãos” um
pequeno resumo da vida da dupla e sua família. Dessa vez foi Pedro Jacob que
ocupou na dupla o lugar do Jacó, já que Amado Jacob era o Jacozinho. Esse
disco, de acordo com Pedro Rafael Jacob, foi uma tentativa de volta da dupla
aos palcos; no entanto a saúde de Amado não permitiu que ele continuasse a
carreira artística e a dupla praticamente "se calou", fazendo apenas alguns
shows em locais perto de casa onde residiam.
E Amado Jacob, o
Jacozinho, também gravou 2 CD's, nos quais manteve o nome da dupla
"Jacó e Jacozinho". Na foto
acima à esquerda, Amado usa óculos e o outro integrante, de chapéu não faz
parte da família.
Ainda de acordo com Pedro Rafael Jacob, o Jacozito, Amado Jacob
"gravou 2 discos sozinho, colocando as duas
vozes, somente para matar a saudade dos estúdios e poder registrar suas
ultimas composições, pois ele sofria de Doença de Chagas, causa essa que o
levou a um infarto quando ele veio a falecer. Ele nunca teve diabetes;
ninguém da família do meu pai tem essa doença (...) Foi essa mesma doença
que levou Amado Jacob (Jacózinho) a deixar a vida artística em 1972: com sua
saúde frágil ele decidiu cuidar somente da parte de repertório e composição;
ele ainda saiu nas capas dos discos até 1979, porque o contrato com a
gravadora Continental exigia. Assim meu pai, Pedro Jacob, passou a se chamar
Jacózinho, inclusive distribuindo sua renda em shows com meu tio Amado. Dai
a 'inverdade' de dizer que 'eles não se davam'...
Isso é mentira, nunca existiu esse atrito entre eles..."
E apareceu um novo
talento: Pedro Rafael Jacob que, quando contava 17 anos começou a cantar com
seu pai, o Pedro Jacob. Pouco tempo depois, nascia, na década de 1990, a
nova Dupla "Jacó e Jacozito",
já mencionada nesse resumo biográfico. Pai e filho seguiram em frente,
valorizando a Música Caipira Raiz, fazendo sucesso em sua nova carreira,
levando seu repertório a todos os cantos do Brasil em shows que também
reviveram antigos sucessos da dupla Jacó e Jacozinho.
Conforme já mencionei acima, a dupla "Jacó e Jacozinho" retornou à cena no
ano de 1995, quando Pedro Jacob formou a dupla com seu filho, dupla essa que
passou a se chamar "Jacó e Jacozito". O primeiro CD foi lançado em 1996,
intitulado "Grandes Sucessos da Família Jacó". Veio depois o segundo que é o
"Pai e Filho". Seguiram mais 5 CD's, que totalizam 7 CD's da dupla "Jacó e
Jacozito": "Contos e Músicas de Milagres", "Acústico Jacó e Jacózito para
Jacó e Jacózinho", "Bailão do Jacó e Jacózito", "Mete a Botina" e o mais
recente que é o disco da "Tropeada do Globo Rural" chamado "Modas de Mulas
Famosas". Esse CD inclusive também homenageia Pedro Jacob que era "muladeiro"
por "hobby".
A Dupla "Jacó e
Jacozito" se mantive "na estrada" por 13 anos fazendo shows e trabalhando,
provando que "enquanto houver um Jacó,
nossa tradição nunca vai morrer", de acordo com as palavras de
Pedro Rafael Jacó, o Jacozito.
O irmão de Jacozito, por outro lado, tem o nome do avô, Gabriel Jacob e, em
2007, ele foi considerado como o Melhor Produtor de Disco Sertanejo do ano,
tendo gravado CD's de todos os maiores nomes da chamada Música Sertaneja
Moderna (entre eles Zezé di Camargo e Luciano, Leonardo, César e Paulinho,
Di Paulo e Paulino, Pedro e Thiago, Rio Negro e Solimões, etc.).
E, há três anos Gabriel Jacob vem atuando como Contra-Baxista da "Banda
Domingão" no programa "Domingão do Faustão".
Pai e Filho mantiveram as tradições e carregaram a Música Sertaneja Raiz
como profissão, Herança deixada pelo avô Gabriel Jacob e retransmitida por
Pedro Jacob e Pedro Rafael Jacob, respectivamente, "Jacó e Jacozito"!
Pedro Jacob, no entanto, quando contava 60 anos de idade, vinha sofrendo com
problemas cardíacos e amanheceu morto, na manhã de 19/03/2009, em sua
residência em Osasco-SP. Seu corpo foi sepultado no Cemitério Bela Vista, em
Osasco-SP, deixando um enorme vazio na História da Música Caipira Raiz.