
Era uma festa. As primeiras provas eram realizadas no recinto da FICAR e que depois foram transferidas para o aeroporto. A montagem da pista começava bem cedo, de madrugada. No domingo, famílias inteiras se dirigiam ao kartódromo improvisado onde a fumaça das churrasqueiras se confundia com os gases expelidos pelos carrinhos que alcançavam 120 Km por hora. A união entre os pilotos, e a vontade de conquistar seu próprio espaço levou a construção do kartódromo, em área cedida pela Prefeitura.
Foi uma loucura. Em tempo record o kartódromo ficou pronto emocionando pilotos, mecânicos, patrocinadores enfim todos que estavam diretamente ligados às corridas de kart. Na primeira prova oficial no novo kartódromo teve até TV Globo. Choveu muito naquele dia, mas nada que tirasse o entusiasmo dos pilotos e da torcida que lotou o kartódromo. Até o inesquecível Airton Senna prometeu reinaugurar a pista que levava seu nome. Mas, tudo acabou.
Os domingos ficaram mais tristes sem o barulho ensurdecedor dos carrinhos que pareciam querer voar na pista. Ninguém até hoje consegue explicar o que realmente aconteceu com o kart Clube de Assis que tinha centenas de sócios e pilotos. Simplesmente acabou. Dentre os pilotos ousados e habilidosos que faziam o publico levantar nas arquibancadas naqueles domingos restou apenas um: Luverci Lisboa.
Hoje, participando de provas em Presidente Prudente, Ourinhos, Ribeirão Preto e Campinas, ele se considera um campeão aos 40 anos de idade. Luverci também não sabe explicar por que o kartismo em Assis acabou. Ele fala com saudades daqueles domingos, dos troféus, das festas de encerramento de temporada no Porão, da preparação dos motores nas horas vagas em sua oficina - Luverci é mecânico e tem uma oficina especializada em veículos Fiat - e do momento mágico ao receber a bandeira quadriculada que levaria ao lugar mais alto do podium.
"É uma pena", lamenta Luverci ao ver o Kartódromo Airton Senna abandonado - mas conservado - sem o ronco dos motores que durante a semana inteira ecoava na pista, anunciando o "Grande Premio" de domingo à tarde. " Acho que faltou paixão, apesar do alto custo de uma prova de kart, sem patrocínio" analisa Luverci.
Alguns membros do Kart Clube de Assis estão se mobilizando para montar uma nova diretoria e tentar resgatar o kartismo na cidade, tendo como exemplo a Copa Luiz Fernando Valverde de Enduro que reúne milhares de pessoas todos os meses nas cidades onde é realizada as competições. A lembrança daqueles domingos, e das famílias dos pilotos que se reuniam no Kartódromo numa torcida barulhenta e organizada, está trazendo de volta o sonho de ver a bandeirada final do piloto Luverci, o "ultimo dos moicanos".