NEOLIBERALISMO e MODERNIZAÇÃO
Por Márcio Alexandre da Silva*
Se no século XIX as informações corriam de forma lenta. Imagine que a notícia
de que o presidente norte-americano Abraham Lincoln havia sido assassinado
demorou aproximadamente 15 dias para chegar ao continente europeu? Isso não é
compressível no nosso século – XXI. Já que os atentados de 11 de setembro de
2001, contra as Torres Gêmeas (World Trade Center), o centro econômico dos EUA e
do mundo, foi assistida, em tempo real por pessoas do mundo inteiro. Todos
puderam ver... Alguns ao vivo, o segundo avião terrorista batendo em umas das
torres e posteriormente ambas desabarem. Como se fosse uma filmagem de
Spielberg. Essas imagens foram vista simultaneamente pelo mundo todo, devido o
desenvolvimento e a globalização tecnológica. Se no século XIX a informação era
lenta. No XXI, por conta do processo de globalização e modernização ela é
rápida, eficaz e manipuladora em algumas situações – o progresso tem seu preço?
Infelizmente tem um aspecto que a globalização não conseguiu globalizar: o
combate e a diminuição da pobreza. Por exemplo, todos os países querem ter
posse, ou usufruir da floresta amazônica, alegando que ela é o pulmão do mundo e
pertence a todos do globo. Por isso, a maioria, principalmente o EUA, que tem
uma política ambiental duvidosa, quer desfrutar da globalização e riqueza da
floresta e outras fontes de riquezas naturais. Mas, quando se propõe as nações
desenvolvidas, inclusive aos EUA o auxílio aos países subdesenvolvidos eles se
isentam da responsabilidade.
A partir do governo de Fernando Collor, na década de 90, houve uma abertura para
o neoliberalismo no Brasil. Essa corrente neoliberal moderniza e atualiza as
ideias liberais, onde o estado tem função mínima na sociedade. Por conta disso
houve um processo de privatizações de empresas estatais, Vale do Rio Doce,
FEPASA (concessão temporária), no estado de São Paulo o Banco Banespa e Telesp
entre outras empresas estatais que foram concedidas a iniciativa privada. Um
exemplo próximo da nossa realidade são as concessões das nossas rodovias, a
iniciativa privada faz reformas e manutenção das vias – e cobra encargos dos
usuários, os indigestos pedágios.
Outro processo da globalização além da privatização é a terceirização. Que reduz
os vínculos empregatícios. No Brasil há a terceirização de muitos setores, tanto
público, quanto privado. Sendo assim a prestação de serviços eventuais, não
criam vínculos trabalhistas entre empregados e empregador. Essa política do
terceiro setor gera mais desempregos e pobreza. Essa terceirização chegou às
esferas do estado, e nessa os seus efeitos, às vezes não são positivos. Pois os
estados e a federação se comprometem o mínimo com a saúde, educação e outras
áreas. Só para citarmos dois exemplos na nossa região. Alguns funcionários da
rede pública estadual de educação, que auxiliam na organização escolar
(auxiliares de limpezas) em algumas escolas são profissionais terceirizados. O
governo não precisa efetivar funcionários. Pagando apenas a empresa
terceirizada, que ao término de cada ano ou contrato pode demitir ou não esses
funcionários sem vínculos de estabilidades entre empregado e empregador. O
Hospital Regional de Assis (HRA) é estadual. Mas, qual é a porcentagem de
funcionários dessa unidade efetivos pelo estado paulista?
Temos que viver e conviver com o desenvolvimento tecnológico. Mas com o
crescimento das técnicas as civilizações não tiveram a maturidade de criar
políticas de sustentabilidade. Todas as formas de dominações que vimos e vivemos
nos últimos séculos foram de explorações. Não somente de recursos humanos, mas,
também naturais. Com a revolução industrial e o crescimento dessa esfera atingiu
níveis degradantes de ofensiva a natureza. Essa é a provocação para nós e para
as gerações futuras: como se desenvolver sustentavelmente?
A verdade é que precisamos das técnicas? Mas, nos índices crescentes de
degradação na nossa Grande Mãe Terra. Se não mudarmos o uso das técnicas a favor
de um sustento adequado do planeta. Em breve não teremos esse planeta. Não da
forma que conhecemos agora.
Algo precisa ser feito e começar por nós...
*Formado em filosofia e educador
marciobressane@hotmail.com