Porque você tem medo de falar em público?
Por : Sandra Regina da Luz Inácio
Falar em público inclui-se entre as situações que mais geram ansiedade,
preocupação e sentimentos de impotência para gerenciar os próprios atos. O medo
aumenta desproporcionalmente a sensação de perigo; é a forma que o corpo e a
mente encontram para se protegerem das ameaças. Trata-se de uma desnutrição
emocional que pode ser tratada e curada. As pessoas mais tímidas tendem a
supervalorizar os possíveis riscos; assim, o novo e a possibilidade de mudança
tornam-se assustadores. Os hábitos cotidianos formam cadeados protetores,
aliados convenientes para o comodismo e endurecimento de velhos padrões de
comportamento. Dessa maneira, quando nos cabe a tarefa de nos apresentarmos em
público, o pavor de enfrentar uma platéia pode castrar a possibilidade de
sucesso.
Os motivos desse temor são:
Perfeccionismo;
Nervosismo;
Auto-imagem negativa;
Excesso de autocrítica;
Barreiras verbais e não-verbais;
Sensação de ridículo;
Instabilidade emocional;
Desmotivação para superar desafios;
Cobranças internas e externas;
Inexperiência na função;
Apresentações anteriores frustrantes;
Medo da responsabilidade proveniente do sucesso;
Falta de treino, bem como de conhecimentos, habilidades e atitudes necessárias à
comunicação eficaz.
Ocorrem, então, os seguintes monólogos interno negativo:
Será que sou capaz?
Sou um desastre lá na frente.
Vou ficar igual a um pimentão.
E se rirem de mim?
Detesto falar; só gosto de ouvir.
Ficar quietinho é melhor; assim, não incomodo ninguém.
Não gosto de minha imagem.
Não tenho talento para isso.
Mas eu vou falar o quê?
Não quero parecer exibido; se eu aparecer muito, meu chefe vai me sabotar!
Sempre fui tímido; não gosto dos refletores e não vou mudar.
Não adianta falar; eles não vão mudar mesmo...
Nasci para ser coadjuvante; prefiro ficar nos bastidores.
Nunca falei em público; vou me atrapalhar, com certeza, e eles não vão prestar
atenção em mim.
Não tenho instrução suficiente.
Para que falar? O salário vai ser o mesmo...
Minha voz é horrível!
Ainda se eu tivesse a voz do Cid Moreira ou o talento da Fernanda Montenegro...
Falar em público é para artista.
Discurso é bom para os políticos.
Sou bom para falar com duas ou três pessoas, no máximo; muita gente me dá pavor.
Quero fazer meu serviço e ir para casa, ver televisão.
Só gosto de lidar com máquinas, pois as pessoas dão muito trabalho.
Espera-se, de um líder, competência técnica e comportamental; esta última
implica em habilidade de comunicação. Aquele que expressa suas idéias de maneira
lógica, fluente, persuasiva e segura é visto como porta-voz de seus
colaboradores e legitima sua liderança.
“O poder das palavras é incontestável”.
Tocar a mente dos ouvintes exige perspicácia, disciplina, sensibilidade.
Transformar, valorizar idéias, expressar-se corretamente e com criatividade
fortalecem o marketing pessoal.
A excelência do processo comunicativo é condição imprescindível para um
gerenciamento da qualidade. Portanto, nada mais inteligente e sensato do que
planejar estratégias para sua atuação, que tornem o ato de falar para grupos um
privilégio e não um castigo.
Como administrar os medos e inibições.
Quando decidimos romper barreiras, temos sempre um processo complexo pela
frente. Vamos então, traçar um plano de ação para rever os nossos comportamentos
atuais que vão auxiliar nessa mudança:
1. Fortaleça a auto-estima: se a comunicação é a essência do comportamento
humano e projeção da personalidade; se o quanto e como o indivíduo gosta de si
mesmo regem esse comportamento, a auto-estima definirá a estrutura do "eu
comunicador". O ideal é partir da premissa de que se merece respeito e crédito
do público. Assim, quanto maior a auto-aceitação, mais condições haverá de ser
ativo perante as barreiras. A forma como o orador atua é produto da auto-estima.
2. O que a pessoa pensa de si própria centraliza as chances de equilíbrio, ou
não, perante as tensões. Falar em público significa expor-se a julgamentos. O
tímido necessita de aplausos incondicionais; o desinibido de¬seja a aprovação,
mas não transforma o olhar do outro em flagelo. Colocar nas mãos do outro o
poder de julgar a inadequação, ou a pertinência, distancia-nos do eixo. Em
conseqüência, é necessário um trabalho constante de valorização dos próprios
pontos fortes. Respeitar-se, valorizar-se possibilita a fusão do "eu produtivo"
e do "eu guerreiro" na busca da realização profissional.
3. Tome a decisão de vencer as dificuldades típicas de quem se apresenta em
público. Você aceitou o convite, mas ainda enfrenta as barreiras erguidas por
seus medos e inseguranças. Fique tranqüilo, mesmo as pessoas que já fazem isso
há muito tempo sentem isso. Cada apresentação é sempre uma noite de estréia.
4. Reconheça e identifique suas barreiras e bloqueios. Por exemplo, “quando
preciso apresentar-me em público, sinto-me ameaçado, ansioso e inibido, mesmo
sabendo que tenho condições para uma comunicação de qualidade”.
5. Procure enfrentar seus sentimentos corajosamente. Quem quer crescer precisa
promover mudanças internas e externas que visem ampliar o círculo de atuação
comunicativa e sair da zona de conforto, em busca de comunicações mais
produtivas. Para facilitar esse processo, escreva: como você se vê e se sente,
hoje, como comunicador? Que cenas você mais teme quando vai se apresentar? Quais
os seus pontos fortes e fracos no contexto da apresentação? Que oportunidades
você já desperdiçou por conta da ansiedade, das inibições ou de uma preparação
inadequada?
6. Deixe a mente solta e registre todos os sentimentos que o ato de falar em
público desperta em você: dor, excitação, constrangimento, inibição, sentimento
de inferioridade, instabilidade emocional, desejo de fugir, vontade de
transferir a responsabilidade.
7. Quando receber um convite encare-o como um desafio. Esqueça-se do medo e
ouse. É a sua chance de crescer. Planeje, organize e treine. Só assim você vai
melhorar a sua atuação como comunicador. Sentirá o prazer de conquistar e
quebrar os próprios tabus internos. Sentirá que está aperfeiçoando suas
habilidades e crescendo pessoal e profissionalmente. Aí começa mais uma vitória
em sua vida. E com ela, a alegria de ser novamente convidado e saber de antemão
como se preparar. É uma questão de escolha.
8. Análise: como pretende se enxergar daqui a um ano? Que progressos quer fazer?
Que empecilhos suprimir? Quanto tempo está disposto a investir, que estratégias
pretende criar? Que tipo de ajuda vai precisar? Essas informações servirão de
base para você planejar, preparar e, por fim, avaliar a sua apresentação em
público. Elas dirão que imagem você tem hoje, que imagem que ter no futuro e,
entre uma e outra, qual é o sinal de coragem, de determinação, para vencer os
desafios e ousar realizar as mudanças.
9. Crie objetivos tangíveis. Diga, por exemplo, “quero superar meus pontos
frágeis para me tornar um comunicador de sucesso. Só tenho a ganhar com isso,
porque ocuparei espaços que até agora deixei vazios, por comodismo ou por medo.
Chegou a hora de me fazer presente, também por meio das comunicações
integradoras. Pegarei meus medos e vou minimizá-los, graças à disposição que
tenho para superar meus próprios limites! Serei mais ousado e assertivo em
minhas ações”.
10. Marque um dia para iniciar o plano e determine um tempo para concretizá-lo
de forma efetiva.
11. Defina e planeje estratégias facilitadoras. Por exemplo, ler em voz alta
sobre assuntos variados, participar de cursos de liderança, de técnicas vocais e
teatrais, de comunicação verbal e não verbal; decorar poesias; praticar a arte
de ouvir e conversar socialmente; aprender técnicas de planejamento e
apresentação em público; consultar um fonoaudiólogo para uma análise vocal;
abastecer-se de pensamentos positivos; buscar o feedback de suas comunicações
mesmo que negativos; inspirar-se em pessoas que você admira como comunicadoras;
olhar-se mais no espelho, observando a postura, os olhares, as expressões
faciais.
12. Crie um método para medir os resultados que evidenciem a conquista dos
objetivos propostos. Por exemplo, ter o prazer de superar a si mesmo,
apresentando-se com confiança, naturalidade e entusiasmo, e por isso receber
novos convites: de administrar os medos racionalmente; de receber feedback
externo positivo; de adotar gestos, atos e palavras mais harmoniosas; de
alcançar uma interação visual mais efetiva.
13. Faça uma avaliação de todo o processo. Revise do plano de ação, verifique a
necessidade de realizar mudanças ou correção de rotas; tenha persistência e
determinação e não desista das metas e dos objetivos.
14. Não tenha medo sucesso!
Não boicote a si mesmo escondendo-se sob a máscara do medo. Não tenha tanto medo
de errar em suas comunicações. Só quem faz, quem ousa, pode errar. O “não” você
já tem, antes de tentar. Experimente o prazer de investir no excitante caminho
dos riscos e ouvir o “sim”. Você pode administrar muito bem o seu sucesso. Você
batalhou para isso. É só continuar. Vá em frente, abra caminhos, não desista. A
comunicação é uma chance de você aparecer e mostrar a sua inteligência. As suas
forças internas só vão torná-lo uma pessoa melhor. Ser admirado ser aceito pela
própria competência, estabelecer relações interpessoais mais livres são desejos
de qualquer cidadão.
Nós merecemos nos comunicar de forma afirmativa, vigorosa e entusiasmada.
Merecemos elogios pelo nosso esforço pessoal de superar obstáculos. E merecemos
fortalecer positivamente a auto-imagem e a auto-estima para enfrentar os medos e
as sombras.