As cores do universo
Por :Thiago Rodrigues Braga
O céu esteve azul durante um tempo. Tempo suficiente para lembrar-me que é
hora de viver, de saltar para o alto e dar um grito ao vazio, de respirar a
energia cósmica da galáxia de Andrômeda. Talvez, isso não passe de um exagero.
Melhor assim. Antes uma grande ilusão que uma lucidez insípida.
Por um momento senti que tudo que havia neste mundo se aglutinava dentro de mim.
Meu corpo tornou-se luz, a voz emudeceu, e o vento soprava aos quatro cantos do
Universo. O que mais podi acontecer? Nada, diria os homens; tudo, diria os
deuses. Entre o nada e o tudo minha alma foi sendo levada pelo som sereno de uma
flauta. Voa-va, voa-va! Uma grande variedade de cores difundia-se pelo caminho.
Vermelho com preto, vermelho com branco, branco com azul, azul com amarelo,
amarelo com verde, e verde com vermelho. Cheguei a pensar: qual a quantidade de
combinações possíveis para abarcar os diversos sentimentos humanos?
Isso é bem verdade. Nenhuma cor é feia quando combinada. São cores que escapam
ao olhar humano. Seria preciso ser um deus para poder vê-las. Pois eu digo que
se não podemos vê-las, ao menos podemos senti-las. E isso é o que há de mais
instigante em nós seres humanos. Sentimos coisas das quais não podemos nem
imaginar. Buscamos por nomes, de modo a poder entender de perto tais sensações
ou sentimentos. Alguns por exemplo dizem AMOR, outros dizem ALEGRIA, outros
RAIVA, LIBERDADE, TRANQUILIDADE, quantas e quantas mais. Mas, e se agora
retiramos as palavras, os nomes, o que nos restaria?
O "Universo dos sentimentos" persistira assim como um cão persiste em arrancar
um pouco de carinho a seu dono.
A busca é infinita. Somos todos eternos aprendizes, loucos por um breve momento
de alegria. Somos como mágicos que se alimentam da própria invenção, da própria
ilusão.