Trânsito travado
Por Sergio Vieira
O trânsito de Assis já dá sinais de que está exaurido. Andar nas vias públicas
da cidade é um verdadeiro martírio. Simplesmente o trânsito não flui e a
situação começa a ganhar contornos de caos. Além do número de acidentes, que
aumenta significativamente quando o trânsito é ruim, a mobilidade na cidade fica
cada vez mais difícil. Diante disso, não resta mais alternativa a não ser a
contratação de um profissional especializado, pela administração municipal, no
caso um engenheiro de trânsito, para tentar melhorar a situação. Assis, a
exemplo de outras cidades, acaba colhendo os frutos negativos da falta de
planejamento urbano.
Num quadro de profundas alterações econômicas, sociais e demográficas por que
vêm passando os centros urbanos brasileiros nas últimas décadas, os
deslocamentos por automóveis, vans, peruas e lotações têm se mostrado muito mais
atrativos que o transporte público regular, considerado ineficiente, inflexível
e de qualidade insatisfatória.
As cidades, dessa maneira, estão perdendo sua qualidade de vida e reduzindo sua
eficiência urbana, com uma crise de mobilidade e acessibilidade sem precedentes.
O uso intensivo de veículos privados, resultantes desse processo, acaba por
gerar externalidades negativas, como os congestionamentos das vias, a poluição
ambiental e os acidentes de trânsito. Apesar dos efeitos positivos do novo
Código de Trânsito Brasileiro, ainda se verificam no Brasil, altos índices de
acidentes.
A redução dos investimentos públicos para o setor de transporte urbano, tanto
para o modo rodoviário como o metroferroviário, e a falta de manutenção dos
sistemas implantados, estão entre as causas desse problema. O setor conta também
com uma estrutura regulatória e um modelo de relacionamento institucional entre
os órgãos gestores e as operadoras de transporte rodoviário carentes de
modernização. A atual estrutura regulatória dos serviços não promove a
competição (com impactos na eficiência do setor e nível das tarifas) e impede
que as empresas dêem respostas rápidas às mudanças do mercado. Além disso,
existem problemas contratuais em diversas cidades.
Falta uma política que dê prioridade ao transporte coletivo e aos modos de
transporte não motorizados. As atuais políticas, tanto locais quanto nacionais,
estão voltadas para o uso do automóvel. As usuais estratégias de aumento da
capacidade das vias, para reduzir os congestionamentos, e de incentivos à
indústria automobilística, por exemplo, acabam por incentivar ainda mais o uso
do transporte individual, agravando o problema em médio e longo prazo.
A desarticulação entre as políticas de transporte, trânsito, uso do solo e meio
ambiente são também um importante fator. O desenvolvimento urbano se faz com a
adequada articulação e integração entre as funções urbanas: habitação,
transporte e trânsito, saneamento, emprego, saúde, educação e meio ambiente.
Nesse sentido, a adoção do planejamento estratégico em uma prática integrada,
estrutural e de longo prazo seria importante para o enfrentamento do problema ao
invés do enfoque convencional estático e fechado dos Planos Diretores de
Transporte de caráter normativo.
Existem também conflitos entre as diversas esferas de poder municipal, estadual
e federal, implicando na falta de coordenação entre as diversas agências,
principalmente nas regiões metropolitanas. Por fim, pode-se citar o problema da
insuficiente capacitação gerencial, tanto dos órgãos gestores quanto das
empresas operadoras, que se constitui um obstáculo para a modernização do setor.
Essas são algumas das causas identificadas para o macro problema em questão.
Tais fatos denunciam os sérios problemas que Assis (e outras cidades que não
enfrentaram o problema do trânsito) enfrenta. Diante disso, já passou da hora da
administração enfrentar o problema de frente. Caso contrário, pagará um preço
elevado em todos os sentidos.