“Drunkorexia”: O Perigo à Espreita
Por Adriana Espineli Simon da Fonseca
Estamos na era da publicidade. A propaganda e os meios de
comunicação alimentam a busca insana por um corpo
perfeito. A beleza, nos dias de hoje, é sinônimo de obsessão
pela magreza e pela juventude. Para alcançar a forma
corporal desejada, não é incomum a adoção de métodos
extremos e perigosos à saúde, que podem levar à morte.
Cresce, entre nós, o mais novo vilão em busca de suas
vítimas: o álcool. Está aumentando o número de pessoas que
trocam comida por bebida alcoólica, ou seja, que consomem
álcool para emagrecer. O álcool inibe o apetite, anestesia
a fome e ajuda a esquecer os problemas. A prática, conhecida
como “Drunkorexia” ou Anorexia Alcoólica, tem maior
incidência entre as mulheres jovens (20 a 35 anos). O
assunto é tão sério que a novela da Rede Globo, “Viver a
Vida”, de Manoel Carlos, cumprindo sua função social, aborda
este tema, delicado e ainda pouco conhecido, através da
personagem Renata, interpretada por Bárbara Paz, que é uma “Drunkoréxica”.
Os pacientes e seus familiares devem procurar ajuda o
mais rápido possível, aos primeiros sinais de alerta, antes
que a doença se torne mais grave. À medida que o tempo
passa, a doença progride e as dificuldades no tratamento
aumentam. Uma preocupação excessiva com o peso e com a forma
do corpo, um medo enorme de engordar, a adoção de dietas
muito restritivas, o evitar sentar-se à mesa na hora
das refeições, o cheiro de álcool ou sinais de embriaguez
são avisos de que a pessoa está doente. O tratamento é feito
por uma equipe multidisciplinar (psicanalistas,
endocrinologistas, nutricionistas e enfermeiros). Cabe
refletir que, por trás da “Drunkorexia”, há uma sociedade
doente que julga as pessoas pela aparência, uma sociedade
consumista que privilegia o “ter” em detrimento do “ser”. Um
lugar em que reina a inversão de valores e onde a ética foi
substituída pela estética. Vivemos a época do exagero, da
falta de limites e de pessoas, cujos laços amorosos consigo
mesmas e com os outros, estão enfermos.
Precisamos acordar e reavaliar nossos rumos e metas. |