HOMENAGEM AO “PROFESSOR PADRÃO”
Por Rubens Cruz*
Assistimos pela TV, na última terça feira, a homenagem ao
Professor Padrão de 2009. É sempre muito bom ver professores
sendo homenageados e, a estas, nos associamos. Parabéns às
colegas premiadas.
Chamou-me a atenção na solenidade o discurso inflamado do
nobre vereador e amigo particular José Fernandes. Seu
discurso, entretanto, necessita de alguns reparos e somente
o fazemos por muito prezar o nobre edil e pela amizade
recíproca que sempre mantivemos. Claro que seu alvo, ao
criticar a lamentável situação em que se encontra o ensino
brasileiro, foi o Governo de São Paulo como sempre o faz.
Está na sua, amigo Zé. Afinal, seu partido é o PT e para
breve teremos outro embate entre PT e PSDB na disputa pela
sucessão de Lula. O que não entendo é a passividade e até
omissão dos vereadores do PSDB que nunca defendem suas
lideranças maiores.
Em mais de uma oportunidade fez questão de rebaixar a
situação do magistério de São Paulo e elevar o ensino
municipal. Nem tanto ao mar nem tanto à terra, meu caro Zé.
No cenário brasileiro, nem o ensino estadual é esta
calamidade toda, nem o municipal é o oásis que apregoou.,.
Vamos a alguns números. Professores do Ensino Fundamental de
1ª a 5ª. do Estado chegam aos 20 anos de magistério
recebendo por volta de R$ 1.800,00, aos quais se acrescentam
os qüinqüênios e sexta parte, enquanto os professores
municipais de Assis chegam a R$ 1456,00, já com os
qüinqüênios incorporados. Portanto, 20% menos que os
professores estaduais. Claro que para a penúria de uma sala
de aula, ambos recebem muito pouco. Em relação a Diretor de
Escola, o Estadual estará recebendo R$ 3.041,00 e o do
Município R$ 2.748, 00, por volta de dez por cento a mais.
Além disso, está na Assembléia Legislativa de São Paulo um
projeto de lei reformulando o Plano de Carreira do
magistério paulista em que seu professor irá se aposentar
recebendo por volta de R$ 7.000,00. Experimente falar ao
atual Prefeito e, principalmente a seu Secretário da
Fazenda, em Plano de Carreira para o Magistério (o que
sempre fiz enquanto Secretário Municipal da Educação), para
sentir a aversão de ambos pelo assunto. Um lembrete:
Campinas, São José do Rio Preto, Sorocaba, etc, já
elaboraram os respectivos planos de careira para o
Magistério, após a Lei da Responsabilidade Fiscal que vem
servindo de desculpa ou muletas para prefeitos
descompromissados com a Educação.
Outro número interessante para meu amigo Zé Fernandes
pensar: enquanto municípios e estados brasileiros investem
em educação 2% do PIB, a união comandada pelo PT, investe a
metade, isto é, 1%. E tem mais: para cada $2.000,00 reais
que União, Estados e Municípios, juntos investem em um aluno
da rede pública, a União, comandada pelo PT, investe
R$12.330,00 em um aluno das universidades públicas federais.
E, nunca é demais lembrar: nas universidades públicas deste
País, estuda a nata as sociedade brasileira, enquanto nas
escolas públicas de ensino fundamental e médio está a grande
massa dos humildes e quase miseráveis. Aliás, em todos os
setores do Governo petista se vê este disparate: esmolas que
bastam aos humildes (bolsa família, vale gás e coisas do
gênero) e fortunas para banqueiros e grandes empresários. É
o socialismo às avessas do PT.
Em determinado momento de seu inflamado discurso, Zé
Fernandes falou da necessidade de uma grande união da
sociedade pela educação. Sempre defendi esta tese, inclusive
usando a tribuna da Câmara na administração passada. Então,
nobres vereadores, quero deixar aqui uma dica que muito
poderia contribuir para a educação em nossa cidade: que tal
fiscalizarem de fato o destino das verbas da educação em
nosso município? Há uma pergunta que não quer calar no seio
do magistério público municipal de Assis: o site da PMA no
princípio de 2009 anunciava um orçamento de 40 milhões para
a educação (em nossos cálculos seria de 42,5 milhões). Dois
meses após a sua posse a Secretária da Educação, em uma
entrevista ao Canal 10, afirmou categoricamente que o
orçamento daquela pasta para o ano era de 32 milhões –
quebra de 20% em apenas dois meses. Depois o Secretário da
Fazenda falou em 28 milhões e, ultimamente, já se falou em
25 milhões (reservo-me o direito de não revelar a fonte). O
que está acontecendo com tal orçamento? Seria a “marolinha”
do Lula, Zé Fernandes? Ou estes recursos estariam mantendo
outras Secretarias desnecessárias criadas apenas para
atender a compromissos políticos como o são a da Agricultura
e de Assuntos Jurídicos? Posso sim levantar tais suspeitas
ao me lembrar das pressões que sempre recebi (enquanto
estive na SE, na gestão passada) para assumir dívidas que
não eram da educação.
E as conseqüências disto, amigo Zé Fernandes, são trágicas
para a educação municipal de Assis: a Escola de Meio
Ambiente, criada na administração passada, está praticamente
desativada, embora dois professores (nenhum deles biólogo, o
que é lamentável) tenham sido deslocados da sala de aulas
para cuidar dela. Escola, sem crianças... O projeto de
Internet para todas os estudantes da Rede Municipal de Assis
e que consumiu por volta de 1 milhão de reais também foi
deixado de lado. Após a instalação da Internet (o que já
está feito), o Núcleo de Tecnologia da S.M.E., criado também
na administração anterior, e que já tinha cursos de
navegação na Rede Mundial de Computadores preparados, sites
selecionados, protocolos de aulas prontos para serem
repassados a todas as professoras da Rede Municipal, foi
desativado. Tal trabalho foi perdido e hoje a internet em
nossas escolas vem sendo utilizada por um ou outro
professor. Sem uma programação definida, sem uma orientação
central. Nossos alunos passam a fazer parte dos 81% das
crianças brasileira que usam a Internet, sem nenhuma
orientação: o que era uma extraordinário avanço, pode
representar perigo. Tudo isto em nome da economia, já que o
orçamento da educação“ “esmiringuiu”. Saberiam os nobres
vereadores que em nome da economia, para não contratar
professoras substitutas, diretoras desesperadas já colocaram
até merendeiras nas salas de aulas? Saberiam que nossas
Escolas de Tempo Integral, já começam a dispensar
professores, para diminuir os custos? Os professores de
Língua Italiana foram os primeiros. E tudo isto, amigo Zé
Fernandes, num ano em que os repasses de recursos do FUNDEB
seriam de 100%, uma vez que em 2007 foram repassados 33%, em
2008 – 66%; e em 2009, os 100%. Também o repasse para os
alunos em tempo integral (R$500,00 a mais por aluno, seriam
repassados em 2009). Será que tais recursos não estão
chegando, regularmente?
O meu caro amigo Zé Fernandes falou em “desmanche” ou
“desmonte” na educação estadual. Os casos acima relatados
não representam também uma operação desmanche nas escolas
municipais? Parece, meu amigo, que o ensino municipal não
está o oásis a que o senhor se referiu. Porém como a atual
gestão é a gestão dos políticos, somente os senhores
vereadores teriam mecanismos de pressão suficientes para
reverter tal situação.
* Professor Universitário Aposentado e
ex-Secretário Municipal da Educação. |
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