| Dilemas de um produtor rural
Por João Antonio Ferreira da Motta*
O plantio da nova safra já começou. Mandioca e um pouco
de milho já foram plantados. Agora chega a vez da soja.
As dívidas atrasadas, alguns prorrogaram. Mas há bancos que
nem sequer respeitam a lei. Alguns líderes exageram no
otimismo e produzem falsas expectativas. Tem banco fazendo
milagre para arrumar dinheiro ao produtor, isto é, desde que
ele tenha o que hipotecar.
Do milho, dizem que o preço está baixo porque produziu
muito. Porém a nossa região não produziu quase nada, nem no
verão e nem no inverno.
Sobre o boi, o porco e o frango, dizem que os preços estão
baixos porque caíram as exportações, e em conseqüência,
consomem menos milho.
O nosso café, dizem, é de baixa qualidade e este ano, a
chuva na colheita fez piorar ainda mais a situação.
O açúcar está em alta porque a Índia produziu pouco. O
etanol (álcool) sobe porque aumentou a produção de açúcar.
Aí, o nosso “garoto propaganda” mudou de lado. O Lula agora
só fala no pré-sal.
A legislação ambiental e a trabalhista atormentam cada vez
mais.
Vamos torcer para que no final da safra sobre algum para o
produtor.
O governo quer aumentar os índices de produtividade das
nossas terras, senão serão desapropriadas e entregues aos
sem-terra, que na maioria das vezes, nada produzem, invadem
propriedades produtivas, destroem plantações e animais e não
são punidos.
Os produtores começam a plantar soja e os valores que já não
estão bons, tendem a piorar, pois as previsões para a
colheita são de baixos preços. Aliás, a maioria dos produtos
estão com os preços baixos porque têm excesso de produção.
Aí, eu faço uma pergunta:
E o trigo, que importamos 70% do que consumimos? Cadê o
preço? Como se já não bastasse a geada e os excessos de
chuva na colheita, o governo fez barganha com países do
Mercosul e outros mais. Aí compra o trigo deles, em troca de
nossos produtos industrializados. No final da década de 80,
o Brasil chegou perto da autossuficiência em trigo. Hoje,
produz apenas 30% do que consome. “A potência do futuro” não
consegue nem sequer produzir o seu pão de cada dia. Que
vergonha!
A situação é desesperadora. Dívidas e mais dívidas!
Incertezas sobre incertezas! Mas talvez, isso não seja
importante, já que o Brasil se credenciou para a Copa de
2014 e vai sediar as Olimpíadas em 2016. Deixaremos de ser o
celeiro do mundo para ser sede dos jogos mundiais.
Somos do Estado de São Paulo, o mais rico do país, a
locomotiva. O presidente da República, embora nascido no
Nordeste, despontou em São Paulo. O anterior, FHC - Fernando
Henrique Cardoso, também era. Talvez o futuro presidente
também seja. Eles só se preocupam com as indústrias
automobilísticas, eletroeletrônicas, os bancos e
multinacionais.
O produtor rural paulista, em sua maioria, de pequeno porte,
estão encolhendo ainda mais devido à concentração de renda.
É doloroso para com nossos heróis do campo. Política
agrícola já – em nível nacional, estadual e municipal. Pois,
os pequenos produtores estão fadados a desaparecer.
Os Sindicatos Rurais têm se esforçado de todas as formas
possíveis, inclusive, judicialmente, para defenderem os
interesses de seus associados. Mas precisamos de mais forças
porque a guerra vai longe e os soldados são poucos, unam-se
a nós.
*João Antonio Ferreira da Motta/Presidente do
Sindicato Rural de Cândido Mota
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