A nossa ditadura foi branda, sem sombra de dúvidas

Por Hamilton Serpa


A área intelectual e artística é interessante.
Na época da ditadura eram contra, mas iam visitar Fidel direto, Chico, que o diga, e continuaram o visitando e cultuando como se ele fosse um paladino da democracia, das liberdades de imprensa e das artes e não um ditador muito mais sanguinário que os nossos generais.
Em recente entrevista com uma blogueira que conta as mazelas de Cuba ela disse: que adianta sermos todos alfabetizados, senão temos e não nos é permitido ter livros para ler, a não ser os oficiais.
Os nossos mais radicais, que foram às armas, hoje todos com boas indenizações e pensões, dizem que lutavam contra a ditadura.
'Engana-me que eu gosto'.
Só que não complementam e parece que todo mundo sempre esquece de argumentar, que eles não lutavam contra a ditadura para estabelecer a democracia e sim para implantarem a ditadura da linha deles que era vinculada à União Soviética, e que matou milhões e milhões de pessoas a mais nos seus calabouços, por este mundo a fora, incluindo quase todos os intelectuais e artistas dos países onde foram implantadas, além de impingirem uma repressão muito, mas muito maior, que a que tivemos.
Eu também não gosto de ditaduras, mas com certeza, eu preferiria os nossos generais aos 'Stalins' da vida.
Eles lutavam por uma ideologia e não pela ‘nossa liberdade', por isto não podem ficar chorando.
Cada um deve assumir as responsabilidades das suas escolhas.
A nossa ditadura, como falou a Folha foi, estatisticamente, branda, e a vejo como branda mesmo, se comparamos a repressão que tivemos e o número de mortos e torturados com os de outros países da América do Sul, Central e da Ásia, e principalmente na União Soviética e Cuba, assim como a guerrilha foi muito mais aguerrida e sangrenta em algum de nossos vizinhos, como Uruguai e Argentina (tupamaros etc) e por isto houve muito mais vitimas. No nosso país pela pouca adesão ela logo foi abafada.
Mas o que vejo como o mais importante e que deveria ser o foco da discussão, e que nunca vi ninguém trazer à baila, é que eles lutavam por uma ideologia que nos levaria a uma ditadura muito mais feroz e não pela democracia, como ficam querendo passar, romanticamente.
Eu acho que passou da hora de se tirar esta aura de heróis para quem lutou contra a ditadura, de forma subversiva, matando inocentes.
Naquela época não havia muita opção, entre os países em desenvolvimento, ou era de uma linha ou era de outra e eu acho que o nosso país fez a escolha certa, como mostram os resultados, vistos hoje em todo o mundo.
Os guerrilheiros eram lobos em pele de lobos mesmo, não tinham nada de humanismo, que o diga o 'Che', que se 'achava' o dono da vida e da morte.
Cadê os caras pintadas? O FMI indo embora, ficaram sem bandeira? Que falta de criatividade.
Interessante, também, é que os artistas e intelectuais ficam, agora, calados, perante este nosso congresso mafioso e cheio de perfídias, e não saem à luta, agora que podem, e sem precisar pegar em armas.
Pois sendo formadores de opinião, como são, e mais organizados, poderiam ir à frente e ajudar este nosso povo, e a nós, de classe pensante que gostaria de fazer alguma coisa, mas fomos deixados, intencionalmente, desarticulados historicamente, e não conseguimos exigir, com a firmeza que seria necessária, para termos as mudanças neste legislativo vergonhoso que temos.
Poderíamos, articulados, impor ética, novas regras e acabar com estes fóruns privilegiados, para que estes criminosos e saqueadores da nação, saíssem da vida pública.
Será que é porque a vida destes artistas, intelectuais e os estudantes, agora estando boa e podendo falar o que quiserem, perderam a língua?