A Internet é democrática
Por Sandra Turchi
A internet é mesmo democrática. Cada vez mais se percebe que ela invade os
lares contagiando a todos. Os mais jovens, pela facilidade que têm com essas
inovações, as pessoas de mais idade, pelo desafio que representa e pela
dificuldade em entender como funciona.
Um dia desses demonstrei ao meu pai, um senhor de setenta anos que nunca tinha
navegado, algumas das utilidades da rede. Desde como acessar informações com
grande velocidade, até postar fotos em sites de ´content sharing´ como o Flickr.
Além disso, acessamos o Youtube para ver vídeos corriqueiros, bem como
verificamos caminhos alternativos no GoogleMaps, via celular.
Sua expressão foi de fascínio. Além de ficar curioso, ele simplesmente achou
incrível e até me parabenizou, como se eu fosse responsável por aquilo, ou como
se fosse algo que eu tivesse alguma responsabilidade, sem saber que sou também
mais uma fascinada, como ele, pois quando se trata de internet, a única coisa
que tenho certeza é que somos todos aprendizes.
Por isso digo que a web é democrática, pois além de não haver restrições por
idade, observa-se um crescimento vertiginoso no acesso vindo de todas as classes
sociais.
Outro ponto é a acessibilidade gerada pela popularização do celular, com o qual
se pode navegar de qualquer lugar, a qualquer hora. Se por um lado isso é
fabuloso, por outro nos traz uma sensação de total dependência, pois quando
esquecemos esse aparelhinho em algum lugar, logo surge uma perturbação, como se
tivéssemos nos esquecido de alguém, ou como se faltasse uma parte de nós. A
verdade é que ficamos com a percepção de que se perde alguma informação, só pelo
fato de não estarmos conectados por alguns momentos.
Falando nisso, o celular ocupa cada vez mais um espaço interessante por
viabilizar muitas atividades como acessar vídeos na web, email, consultar mapas,
temperatura, checar a cotação da bolsa de valores, fotografar e até para falar!
Outra ferramenta, ainda mais veloz e de grande poder de disseminação, o Twitter,
aumenta essa democracia, pois ele pode ser considerado um medidor de tendências,
ou um termômetro útil para as empresas acompanharem suas marcas, ou suas crises.
No mundo empresarial, algumas companhias que já fazem acompanhamento sobre o que
as comunidades falam a respeito dos seus produtos ou serviços, hoje incluíram
também esse microblog nessas análises.
Voltando a falar na democracia gerada pela internet, creio que o principal ponto
observado atualmente é a possibilidade de cada ser humano publicar aquilo que
bem entende e disseminar esse conteúdo. A web trouxe um poder às mãos dos
consumidores nunca antes visto, dada a possibilidade de influenciar outras
pessoas e, portanto, seu consumo, suas opiniões, seus interesses.
Levando isso para o contexto político, já que estamos falando sobre democracia,
percebe-se que mesmo o governo querendo proibir o uso de redes sociais durante a
campanha eleitoral ele simplesmente não conseguirá, isso seria completamente
inviável, visto que a liberdade é inerente ao funcionamento da internet.
Por sua vez, tanto as empresas como os políticos não podem mais se esquivar ou
ficar distantes desse meio de comunicação. O que deve ser feito, tanto em se
tratando de consumidores, como de eleitores, é usar esse caminho como uma
plataforma para interagir com total transparência com cada um desses públicos e
com isso atingir seu objetivo, seja ele qual for.