Produtor Rural no século 21: Extinção
ou Renovação
Por João Motta
Enquanto a humanidade valoriza os benefícios do avanço
tecnológico e sua rapidez em gerar inovações nesse mundo
pós-moderno, o setor rural não tem o que comemorar nessa
primeira década do século 21, pois o estado de coisas não
mudou nada nessa transição de um século para o outro. As
frustrações das safras de verão de 2003/04, 2004/05 e
2005/06, mais o passivo herdado da securitização e do Pesa
continua sobre os ombros dos produtores.
Este ano tivemos frustração de safra, tanto na produção de
verão como na de inverno, causadas respectivamente por uma
estiagem prolongada e por geadas.
A lista de ocorrências prossegue com os baixos preços dos
produtos produzidos nesta região, contrapondo-se aos altos
custos de produção e a insuficiente oferta de financiamentos
por parte dos bancos oficiais. Acrescente-se a isso o
descaso dos bancos privados em respeitar as resoluções do
Banco Central quanto às prorrogações de dívidas rurais.
Em conseqüência disso, os produtores ficam submetidos ao
jogo de poder das revendas e multinacionais que abusam de
sua situação privilegiada para impor acordos unilaterais.
Essa unilateralidade também se reflete na incapacidade do
produtor de virar o jogo a seu favor, ele gradativamente vê
seu patrimônio esvair-se nas mãos de empresas e cooperativas
sem poder reagir.
Infelizmente estamos assistindo à extinção de um extrato da
classe produtora brasileira. Exatamente aquela parte que não
se encaixa nem entre os grandes do agronegócio, nem entre os
ínfimos produtores familiares. É uma camada significativa
que tem sido penalizada e massacrada constantemente. A
urgência é necessária.
As decisões por políticas mais eficientes precisam ser
tomadas com rapidez em todas as esferas do poder público.
Enquanto isso, os produtores precisam ser salvos do atoleiro
de dívidas que se arrastam por décadas. Uma saída é a
reunião de todas as dívidas em um alongamento só, com
redução de juros e prazo mais condizente com a capacidade de
saldá-las.
Mas só isso não basta, é preciso dar sustentabilidade ao
setor e só uma política que garanta a produção e a renda no
campo pode transformar essa realidade. É no que acreditamos. |
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