Lembrando o filósofo Chacrinha: quem
não comunica, se estrumbica
Por Daniel Pereira*
Este artigo/crônica é homenagem ao jornalista Evaldo Plácido
Romagnoli que, nesta data, dia 24 de novembro, nos deixava
há 10 anos. Ele assinaria de olhos fechados. Saudades, amigo
e irmão!
Finalmente Assis entrou para o seleto circulo das cidades
do interior que ganham destaque na Imprensa Nacional –
grandes jornais, televisão, rádios, internet. Infelizmente,
por vias tortas, para as páginas policiais. Tenho certeza de
que a maioria pensa assim: não são esses tipos de holofotes
que os assisenses sempre almejaram para a cidade. Não sei o
que pensam outros jornalistas- os da casa e aqueles que
estão fora já há um bom tempo, alguns deles muito mais
conhecidos da multidão do que o escriba que ocasionalmente
ocupa agora este espaço. Mas os convido a um filminho de
volta.
Até há alguns meses, era com orgulho que espalhávamos além
das divisas da cidade, o renascimento do basquete, as
conquistas pontuais em outros esportes, como o futsal, no
atletismo, no tênis. Muito bom mas, sinceramente, aquém do
que merece e pode uma cidade centenária com tremendo
potencial de desenvolvimento – como aprendemos nos bancos
escolares do Menk e do Clybas. O Distrito Industrial, hoje
sabemos bem, sempre foi apenas um figura de retórica.
Digamos, uma quimera.
Para não ser injusto – até por que alguém poderá contestar
esses rabiscos por entender que os ausentes não têm direito
a dar pitacos olhando o panorama da arquibancada – é preciso
considerar que a cidade deu considerável salto de qualidade
de vida a partir da gestão do atual prefeito. Do ponto de
vista do politicamente correto, Assis está bem representado.
Chego até a imaginar (e torcer para) que, depois de ter
aviado competentemente essa primeira receita, o prefeito não
faça a população esperar mais para colocar nos trilhos o
projeto de desenvolvimento de que Assis tanto precisa.
É aqui que voltamos ao primeiro parágrafo, caro prefeito. As
notícias correm, as ruins com muito mais rapidez. A velha
Lei de Murphy é implacável. A Polícia tem trabalhado com
afinco – isso é visível. Daqui a pouco não haverá como
brigar contra a instalação de mais cadeias, cadeiões ou CDPs.
Mas, será que no caso do humorista do CQC – noves fora a
legalidade da ação policial – não faltou uma dose a mais de
bom senso ou um pouco menos de intolerância? Ninguém
mensurou o estrago que a prisão do rapaz traria para a
imagem da cidade? Foi só um entre os fatos negativos que
levaram o nome da cidade para as manchetes policiais ou
bizarras da imprensa.
Tudo bem! O que não tem solução, solucionado está – como
diria Fernando Sabino. Não sou como o pessimista que
considera o sol um fazedor de sombras. Também não pretendo
ser como os filósofos, que sempre acham um problema para
cada solução. Ok. Isso são frases feitas, bordões manjados.
Só preciso de uma resposta para aliviar a minha curiosidade
de profissional da Comunicação: o que está sendo feito para
apresentar o outro lado de Assis aos brasileiros? E se está
sendo feito, por que não estão sendo cacarejado para o
mundo? Terei imenso prazer, e estou certo que outros
jornalistas, em ser arauto das boas novas. Por que, das
ruins, Assis já está virando uma triste referência.
*Daniel Pereira é jornalista em São Paulo
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daniel07pereira@hotmail.com |