| Há dissabores em vender algo que não
se acredita?
Por Dalmir Sant’Anna*
Entro em uma loja de eletrodomésticos, com o principal
objetivo de comprar uma máquina de lavar roupas. Sou
abordado pelo vendedor, que após ouvir minha necessidade,
convida para conhecer os modelos disponíveis na loja. O
profissional começa elogiando o primeiro modelo, depois
enaltece os diferenciais da marca da segunda máquina de
lavar e para finalizar, apresenta de maneira expressiva o
terceiro modelo. Afirma que todas são excelentes e brinca de
forma irônica que "as máquinas para serem impecáveis só
faltam estender as roupas e passar!" Depois de ouvir o
vendedor, questiono qual dos modelos apresentados ele tem em
casa. Para minha surpresa, ouço o profissional responder que
reside sozinho e não possui máquina de lavar. Uma situação
como esta já ocorreu com você?
Quantas vezes estamos diante de um profissional de vendas,
que enaltece o serviço ou o produto, entretanto não é capaz
de comprar o que está vendendo? Encontramos professores que
apresentam dissabor ao plano de ensino e desejam que os
alunos fiquem atentos ao conteúdo programático! Há
publicitários que são capazes de criar a campanha de um
determinado local, mas ao serem questionados se gostariam de
conhecer pessoalmente a cidade, assinalam de maneira
negativa. Encontramos garçons que são capazes de dizer que a
comida está maravilhosa, mas ao questionar se ele comeu, a
resposta é negativa! E qual o motivo destas ações? Qual o
fator destes dissabores em vender algo que não se acredita?
Observe nos dois fatores abaixo:
Você daria emprego a um especialista em jeitinho? - O
profissional que deseja apresentar coerência no momento de
argumentar sobre o produto ou o serviço ao cliente, deve
praticar o exercício antecipado de conhecer o que está
falando através de um treinamento prévio. Passa a ser
inaceitável e um dissabor observar uma balconista em pé,
parada em uma loja, sabendo que neste momento ela poderia
estudar o catálogo de produtos, o tablóide de ofertas e
realizar a análise comparativa dos diferenciais de
funcionamento de uma marca. Penso que é um dissabor ao
cliente, quando ao procurar por informações de um produto,
ele se depara com um vendedor que pede licença para
consultar um catálogo e este profissional demonstra espanto
ao descobrir que o produto é capaz de fazer algo que ele
próprio nem imaginava. O especialista em jeitinho é aquele
que ao contrário de estudar, busca apresentar justificativa
pela ausência de conhecimento. Quando é convidado para
participar de um treinamento de vendas, o especialista em
jeitinho responde de imediato que é pura perda de tempo e
que é sabedor de tudo que será apresentado. Gosta de
improvisar com assuntos improdutivos ou demonstra ausência
de argumentações sobre um determinado produto ou serviço. Um
treinamento ou uma reunião interna de trabalho pode
contribuir para eliminar o comportamento do especialista em
jeitinho e permitir transformar o dissabor de um cliente em
satisfação, aliado com atitudes profissionais coesas com as
realidades do mercado.
Pode ocorrer dissabor sem a identificação do público alvo? -
Para desenvolver, ampliar e fortalecer o profissionalismo na
área comercial, além da conduta ética, há a necessidade de
um perfil comunicativo, inovador e criativo nas atitudes
desenvolvidas, através da cordialidade e uso da empatia.
Existem vendedores que abandonam a seriedade desta
importante profissão para fazer piadas para quem não quer
ouvir e acredita que está arrasando! Você conhece pessoas
assim? Há vendedoras que trabalham em lojas de roupas que
deixam de mostrar novidades para seus clientes e justificam
que determinada marca possui preço elevado demais para o
perfil da cliente. Há profissionais de vendas que persistem
em realizar a abordagem comercial, frequentemente da mesma
forma. Não são capazes de oferecer outro produto e deixam de
explorar que a empresa conta com um expressivo mix de venda,
por exemplo. Ao utilizar de opções práticas e vivenciais, o
profissional fortalece o compromisso de criar novas
argumentações para produtos e serviços, tornando os
apontamentos mais atrativos de acordo com o perfil do
público alvo.
Houve um período da história comercial, onde o vendedor era
representado por uma pessoa que usava de pretextos para
"empurrar" algo a um cliente. Este tempo passou e atualmente
o papel do profissional de vendas é encarado como uma
atividade essencial e verdadeira para o crescimento de
qualquer organização. Neste sentido, não acredito ser
coerente que um profissional de vendas, deixe de acreditar
no seu próprio produto ou serviço. Note que quando ouvimos a
sugestão de alguém que usou determinado serviço e
posteriormente aprovou, passamos a analisar com maior
segurança a proposta. Agora responda: Você estaria
confortável em uma aeronave, onde o piloto não planejou que
irá chegar? Você acredita em um professor que em sala de
aula apresenta dissabor pelo próprio plano de ensino? Você
realizaria a compra de um automóvel com um vendedor que não
acredita e enfatiza dissabores no que está oferecendo?
*Dalmir Sant’Anna – Palestrante
comportamental, mestrando em Administração de Empresas,
pós-graduado em Gestão de Pessoas, bacharel em Comunicação
Social e mágico profissional. Autor do livro "Menos pode ser
Mais" (3ª edição), Visite o site: www.dalmir.com.br
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