A loira do vestido vermelho
Por Daniel Pereira
O caso da moça que não queria esconder seus atributos
daquele bando de eunucos universitários (sic) ainda vai
continuar no noticiário por mais alguns dias. Pelo menos até
que outro fato estapafúrdio ocupe as manchetes dos jornais,
da TV e da internet – o que, aliás, não deve demorar muito.
A historinha poderia ter sido reveladora se já não
tivéssemos visto esse filme antes. A diferença é que, nesse
caso, os personagens atraíram os holofotes. E conseguiram! A
menina exagerou? Pode ser. Exacerbou sua sexualidade? E daí?
Beleza feminina é para ser mostrada mesmo. E quantas não
fazem isso em outras escolas, em outras periferias e até
mesmo – ou mais ainda – em colégios da chamada classe média
alta, seja lá o que isso hoje signifique.
Os fatos estão na mesa. A escola – ou o dono, pelo que ficou
claro depois – expulsou a garota. Houve contras e a favor. A
besteira foi tão grande que o próprio ditador se viu
encurralado e precisou engolir a seco o que fez. Óbvio,
entre o prejuízo pela imagem da instituição e o mea culpa,
optou pela segunda. Não havia como fugir ao resultado das
enquetes que congestionaram sites e páginas de jornais.e o
turbilhão de porradas que tomou dos formadores de opinião de
todos os setores.
Quando se fere os direitos de alguém com medidas tiranas,
unilaterais e antipáticas, principalmente quando isso parte
de um dirigente educacional, é sinal de que as instituições
estão podres. Nem é preciso dizer que a moça vai ficar
marcada e o estigma certamente comprometerá seu futuro como
estudante. Assim, melhor mesmo que ela vá logo para a capa
das revistas femininas – onde será recebida com tapete
vermelho e poderá escrever sua história sem medo de ser
feliz. Melhor ainda: poderá esquecer que um dia passou pelo
vexame de ter sido transformada em ré quando foi a vítima de
cabeças retrógradas saídas do inexalável bolor do entulho
autoritário.
Daniel Pereira é jornalista e colaborador do
umdoistres |
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