Sobre o GATE

Por Dário B. Barros

Prezados Amigos,

Há dias não consigo assistir TV porque não consigo conter a irritação que sinto pela falta de respeito dos meios de comunicação para com os
espectadores em geral. Digo isto porque em momento algum os jornalistas se dignaram questionar e abordar cerne do problema que nada tem a ver com a atuação do GATE. É um problema estrutural de nossa sociedade. Total falta de estrutura familiar. É normal permitir que uma menina de apenas doze anos namore um homem de dezenove? Curiosamente, nenhum dos psicólogos ou psiquiatras abordou o tema. De qualquer forma, a maneira repulsiva e sensacionalista com que a mídia trata os assuntos da segurança pública é que deveriam causar revolta em todos nós, que de alguma forma tentamos colaborar para que haja algum tipo de evolução neste segmento. Nossa imprensa é marrom por vocação. A partir do momento em que qualquer emissora, abre espaço para em rede nacional entrevistar de maneira dirigida ou tendenciosa pessoas que se auto-intitulam especialistas, sem que haja o menor compromisso em demonstrar que as credenciais apresentadas realmente as capacitam a discorrer sobre o tema em questão, a situação vira um verdadeiro circo televisivo. Como poder a mídia ser irresponsável o suficiente para transmitir imagens do local da ocorrência a ponto de comprometer o posicionamento da equipe tática, negociadores, demais policiais e por conseqüência influenciar no desfecho da ocorrência e permanecer incólume? Como pode a mídia se permitir enxovalhar a reputação da PMESP e de uma unidade com a respeitabilidade do GATE ao se exibir os nomes completos dos membros que participaram da operação, exibindo imagens e trechos destacados de seus depoimentos na TV como se fossem troféus sem sofrer qualquer conseqüência ? Pudemos assistir ao longo destes dias, uma enxurrada de baboseiras em todos os horários e tipos de programas, desde telejornais até os de variedades, de receitas, para senhoras e por aí vai. É ridículo ver como a cada nova ocorrência que se divulga pipocam no mercado
especialistas em todos os tipos de assuntos, principalmente em segurança. Oras, especialista em segurança, não entende absolutamente nada de polícia e muito menos dos protocolos de gerenciamento de crise de operações executadas por unidades especializadas como o GATE e congêneres. O mais grave de tudo é que isto influencia negativamente e confunde a opinião pública, de uma população que já é completamente ignorante da realidade em que vivemos, que dirá de questões que exigem um mínimo de conhecimento técnico. Com relação ao caso do Sr. Marcos do Val, que foi de longe o mais desrespeitoso, anti-ético e gritante de todos, gostaria de manisfestar minha profunda estupefação. Trabalho junto ao segmento de segurança pública há 15 anos e, portanto vi como o super, hiper máster, power, ultra, plus, mega especialista começou. Começou como todo mundo. Camelando e panfletando de quartel em quartel, de feira em feira, vestindo terninho preto ou roupinha de ninja. Foi ao programa do Jô Soares e lá deixou bem claro a que veio. Adaptou técnicas do Aikido ao trabalho policial. Ponto final. Se houve mérito. Parou por aí. Não foi pioneiro, Não montou a primeira base. Fora isso, é meramente um repetidor do que aprendeu ao longo dos anos como mero espectador nas unidades policiais onde foi ensinar seu MÉTODO DE IMOBILIZAÇÃO TÁTICO AVANÇADO - que foi adaptado ao aikido.
Em suma, tem ZERO de experiência como operador, e menos ainda como negociador. O que fica claríssimo é que tem sim uma língua ferina e um enorme apetite como negociante. O lema é estar em evidência e divulgar a sua empresa a qualquer custo. Danem se os meios! Ficou claro que não tem credenciais e que não é especialista em NADA a não ser Aikido, do que nem sequer falou... Tive que olhar o site. Usando um termo de quem realmente esteve em combate no exterior já que o Sr. Marcos do Val tanto idolatra os americanos, " NO TRIGGER TIME AT ALL". Ou seja, nunca botou o traseiro numa viatura policial em toda a vida. Pelo menos não no Brasil, porque deve ter vergonha, ou porque aqui é muito mais arriscado que nos USA. Diz em seu site que participou de inúmeras operações reais com as polícias americanas (o que diga-se de passagem deve ser uma baita ilegalidade) e cá entre nós não é mérito algum e muito menos prova de bravura. Gostaria muitíssimo de ver o desempenho do Sr. Marcos do Val em uma operação real em favelas quentes de SP ou RJ ou mesmo numa operação de resgate de reféns complexa como a de Santo André. Adoraria vê-lo atuando tanto no ENTRY TEAM as TEAM LEADER quanto como no COMMAND POST as COMMANDING OFFICER em bom inglês para ele poder entender. Adicionalmente, alguém deveria informar ao público o real significado da sigla SWAT - Special Weapons And Tactics - Armas e Táticas Especiais e que nos Estados Unidos deve haver pelo menos umas trocentas mil unidades da SWAT para não mencionar as que adotam as outras denominações tipo SRT,SRU, ERT, HRU, HRT e o raio que o parta. Ou seja, há municípios minúsculos que possuem a sua unidade especializada SWAT ou equivalente composta por uns poucos integrantes e em com muito menos recursos técnicos que o GATE.
SER INSTRUTOR DA SWAT, PORTANTO, NÃO QUER DIZER ABSOLUTAMENTE NADA. É PURO MARKETING. Como há muitos anos não via nada sobre a CATI a não ser quando fizeram uma matéria com o PÂNICO na TV, um programa para especialistas, decidi entrar no site fiquei horrorizado ao ver que a falta de noção de um empresário que iniciou seu negócio no Brasil, que deveria zelar por sua imagem, e que tem a pretensão de se auto-intitular o especialista, única empresa multi-nacional de treinamento policial do mundo, e ainda é a melhor do mundo. Nunca em tantos anos de mercado vi tanta arrogância, pretensão e empáfia reunidos num só personagem que ainda tem coragem de dizer que tem vergonha de ser brasileiro. Na minha humilde avaliação, ele deveria agradecer de joelhos a Deus por ser este empresário tupiniquim!!!! Só aqui a mídia tem o poder de chegar tão perto da ocorrência, atrapalhar como atrapalhou, abrir espaço para um personagem tão bizarro quanto Marcos Do Val se auto-promover por várias vezes seguidas sem sofrer, até o momento, qualquer conseqüência por isso. Encerrando o capitulo Marcos do Val, gostaria de mencionar rapidamente mais um tema; Com relação às estatísticas do GATE, tive a felicidade de vê-las e posso dizer que os números são muito acima da média internacional em termos de sucesso. O número de reféns resgatados ilesos desde a criação do grupo até hoje beira os 2.500; o percentual de reféns que infelizmente se feriram ou faleceram é baixíssimo. Outro número importante é o baixíssimo índice de emprego de força letal em ocorrências resolvidas pela unidade. Em suma, acho que nós, que temos um mínimo de discernimento dos fatos devemos fazer a nossa parte, manifestando nosso repúdio a maneira como a mídia trata de maneira irresponsável e tendenciosa episódios como este. Devemos prestigiar os policiais brasileiros profissionais valorosos que trabalham bravamente, são muito pouco valorizados pela sociedade, e enfrentam diariamente as dificuldades de um país em que o tema segurança pública há muito pouco tempo vem sendo tratado com um pouco mais de atenção, recebendo investimentos sistemáticos em capacitação técnica e melhorias tecnológicas. Rendo aqui os meus respeitos e admiração aos policiais e militares de forças armadas Brasileiros,em especial a Policia Militar do Estado de São Paulo, ao Comando de Policiamento de Choque,às Unidades sob seu comando e em especial ao GATE.
TENHO AMOR À MINHA PÁTRIA E PROFUNDO ORGULHO DE SER BRASILEIRO