BRASILEIROS CONTRA O BRASIL
Por Vlad Suato
Confesso que assisto televisão. Pior que isso, que assisto TV aberta. Pior ainda
que isso, que gosto...
Para que não me impinjam a pecha de ser coloquial demais, raso demais, comum
demais, poderia dizer que assisto para entender o povo. Sinto muito, não poderia
dizer isso porque sou o próprio povo e por isso vejo a bendita TV. Mas foi
assistindo sem propósito algum, a não ser o entretenimento, que percebi a
linguagem tola de um povo com auto-estima baixa, quase subterrânea.
Na semana que passou, soube que uma revista americana teria classificado a
cidade de São Paulo como a quarta mais cortês do mundo. Com a chamada da
reportagem, fiquei feliz por ser parte desse povo que é o quarto mais cortês do
mundo, mas não foi bem assim a apresentação da notícia.
O jornal pondera que a classificação foi alcançada por meio da aplicação de
alguns testes na população paulistana, como por exemplo se algum paulistano
seria capaz de segurar a porta do elevador à espera do atrasadinho. A fim de
desbancar a credibilidade da revista que concedera o título à cidade, o Jornal
aplicou novamente os testes, apontando que muitos paulistanos não demonstravam a
tal cortesia reverenciada pela pesquisa.
Efetivamente, não entendo!
Será que o inconsciente brasileiro mantém-se na postura de que nós não somos
dignos ou será isso coisa de pseudo-intelectuais?
Tenho uma profunda admiração pelos intelectuais. Mas não é qualquer um que pode
assim ser identificado. Admiro pessoas do padrão do meu caro professor de
Filosofia, Dr. João Francisco Régis de Morais. Quem tiver interesse procure
notícias dele pela internet e poderão notar quão dignos podem ser intelectuais.
Essa idéia da intelectualidade cria mitos que podem inflar verdadeiros monstros
que por trás da capacidade de falar dez idiomas, não conseguem perceber a
simplicidade do ser ético e coerente. Às vezes, calcado numa ilusória
intelectualidade dizem tantas asneiras como se tivessem acima das frases
lançadas ao vento, numa completa alienação do momento presente.
O negócio é o seguinte: o Brasil tem um povo cortês e educado e, principalmente,
trabalhador. Acredito nesta gente da qual faço parte e luto pelos nossos
interesses. Quem não curte o brasileiro, peça pra sair.