| Saiba mais sobre a sesta
Por Fausto Ito*
"Depois os homens se ergueram e foram dormir a sesta e as
mulheres puseram-se a lavar os pratos".
Este trecho extraído de Ana Terra de Érico Veríssimo se
refere a uma tradição que surgiu na Europa no século XIII e
que mesmo com todo o progresso da humanidade e o ritmo
acelerado da vida moderna tende a se espalhar pelo mundo a
fora. A sesta é um hábito cultural fortemente arraigado em
países como a Espanha, Itália e Portugal. A origem da
palavra vem do latim sexta e quer dizer meio-dia – a sexta
hora do dia romano que se inicia às 6 da manhã. Há relatos
de que a sesta surgiu como uma reação ao clima e que por
isso as pessoas optavam por dormir nas horas mais quentes do
dia e trabalhar nas horas mais frescas. É conhecida como um
hábito pessoal de repouso após o almoço e que não deve
ultrapassar os 40 minutos de duração. Após esse tempo
limite, o organismo começa a entrar em sono profundo e
despertar durante esta fase do sono pode provocar sensação
de cansaço, lentidão e confusão mental. Hoje, sabemos que a
vontade de tirar uma soneca pós-prandial acontece devido a
uma coincidência com a queda na temperatura do corpo humano
a qual favorece o sono. Tal fato é moderado por
neurotransmissores e ocorre em 2 momentos distintos ao longo
do dia: o primeiro acontece por volta das 13 horas e o
segundo, à noite, às 22 horas para induzir o sono noturno.
Fato é que um cochilo depois do almoço pode fazer um bem
enorme para qualquer pessoa e também para as empresas que
adotam o método. A técnica da sesta é uma prática agradável
que revigora, melhora o estado de alerta à tarde e alivia o
estresse. Diversas empresas no mundo, inclusive no Brasil,
já disponibilizam instalações para descanso dos funcionários
uma vez que essa prática melhora a qualidade de vida e o
rendimento no trabalho, principalmente, quando associada à
alimentação e estilo de vida saudáveis. Outra boa notícia é
que não existem efeitos colaterais e todos podem se
beneficiar dela sejam crianças, adultos, grávidas e idosos.
As exceções ficam por conta dos insones devido à
possibilidade de prejudicar o sono noturno e as pessoas que
sofrem com os distúrbios respiratórios do sono como os
roncos e as apneias obstrutivas que fragmentam o sono e
provocam sonolência excessiva durante o dia, os quais podem
ser mascarados pela sesta.
*Dentista; Membro da Associação Brasileira do
Sono e Diretor da ITO Clínica (RJ). |