POLÍTICA: ARTE E CIÊNCIA DE BEM VIVER

Por Márcio Alexandre da Silva*

A carta máxima municipal, no seu artigo segundo decreta “Todo poder do município emana do povo”. Embora a Lei Orgânica do Municipal de Assis, ilustre que a força é originária da vontade da população. Observamos que vários munícipes estão desanimados e cansados, e com exercício de “poder organizacional” enfraquecido.

Sempre ouvi a falácia condenatória de que os eleitores também são culpados pelas corrupções políticas, tanto nas esferas municipais, estaduais e federativa. Por que falaciosamente a culpa recai sobre os eleitores? Sempre sob argumentos de que após as eleições muitos não acompanham os trabalhos dos políticos? Que é um fato perceptível! Poucos acompanham a vida política dos legisladores e executores públicos. Por que será que isso acontece?

Em 2009 optei por ter uma postura política/cidadã diferente. Ou melhor, adequada e obrigatória a todo cidadão. Conscientemente decidi participar das sessões plenárias da câmara e se interar-se das discussões. Li projetos, emendas, propostas, decretos e pautas. Fiz sugestões, críticas e questionamentos. Infelizmente alguns legisladores não respondem as indagações, nem debatem as ideais. Mas isso faz parte do processo democrático. Para prefeitura municipal e algumas secretarias fiz diversos contatos no decorrer do ano passado – 2009. Pasmem, não recebi nenhuma resposta. Será que é o eleitor não se preocupa ou os políticos que não interagem com os eleitores? Ambas as afirmações são verdadeiras. Assim é impossível desmitificar a máxima de que alguns políticos procuram a população somente em períodos eleitorais. Seria esse um dos motivos da população desacreditar tanto na política? Ou não? Não quero eximir o eleitor da sua culpa e desmotivação. Mas apenas motivar a reflexão.

Obviamente que os temas das sessões deveria ser de interesse de todos. E até mais interessante e cativante. Em algumas sessões discutem apelidos e outras picuinhas desnecessárias. Um amigo [não citarei o nome por questões éticas e respeito] disse que não participava das sessões, por que não aguenta tanta asneira. Segundo o mesmo os vereadores discutem futilidades e não se interessam como deveria pela população. Embora não comungue totalmente dessa mentalidade é uma observação pertinente. Será que mais pessoas comungam dessa mesma concepção, de que alguns políticos não fazem nada a favor dos munícipes? E debatem coisas fúteis. Seria esse outro motivo dos sumiços dos eleitores nas sessões? Outro dia recebi um e-mail de outro amigo, me incentivando a desistir de escrever aos jornais locais, com o argumento de que nada iria mudar mesmo! Para terminar essa tríade de desmotivação, reporto ao funcionário da prefeitura que me disse “pare de ‘encher’ o saco dos vereadores”. De fato às vezes incômodo os vereadores, mando e-mail, torpedos, ligo... Ao funcionário que me fez esse pedido trato-o com a mesma consideração e respeito. Mas, duas atitudes não deixarei de ter. A primeira é incomodar com propostas e cobranças inteligentes a segunda é falar e escrever com respeito.

A conclusão que tiro de todas essas discussões importantes. É que faltam projetos estruturais que mudem a realidade. Que iniciativas boas o poder público desenvolvem nos bairros periféricos? Aqui na Prudenciana, próximo a paróquia Nossa Senhora de Fátima, tem duas quadras municipais. Quais e quantas atividades esportivas são desenvolvidas nesses espaços? Sob a orientação de um profissional habilitado. Por que a FAC não forma turma de teatros nos CRAS I e II? E esses grupos poderiam apresentar peças teatrais, danças e apresentações culturais nas associações, igrejas, e outros espaços dos bairros? Por que a prefeitura não equipa um veículo [caminhão ou ônibus] e promove cinema itinerante? Principalmente agora que não temos mais cinema particular na nossa cidade. Espero que o bom senso destine uma academia ao ar livre para a prudenciana e outros pontos periféricos e disponibilizem um profissional do programa “Agita Assis” para instruir os usuários das instalações acadêmicas. Esse é o mínimo de bom senso. A Autarquia não poderá irracionalmente destinar essas academias a bairros de melhores condições econômicas e desprover bairros necessitados. A falta de infra-estrutura seria outro motivo dos munícipes desinteressarem pela política?

Além do que. Quem participa do debate da câmara percebe duas micros disputas – que pode se tornar macros. A primeira imediata, que é o pleito de 2010. Quem apóia quem? Quem não apóia ninguém? Vão fazer a FICAR ou não? Quem vai pagar o empresário ou a prefeitura? Enquanto isso assuntos importantes da nossa cidade são protelados. Tais como Sabesp, educação informatizada, e outros assuntos relevantes. A segunda é a eleição de 2012. Quem será candidato a prefeito? Quem será o vice de fulano? Quem terá o apoio do senhor Ézio Spera? Na minha opinião, essa segunda discussão é anacrológica e nociva ao momento histórico e político atual. O Livro Santo diz “Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu.” (Ecl 3, 1) essa deveria ser a oração de certos políticos locais.

Tenho uma teoria política pessoal de afirmar que os maus políticos querem sempre passar a imagem negativa e inescrupulosa da política. Com isso afastam pessoas de bem da política. Nessa lógica ficariam na política somente as pessoas inescrupulosas.

Sempre acreditei e acredito na política e nos políticos.

Sabemos que tanto na câmara quanto na prefeitura há políticos/pessoas sensatas, éticas e de honradez.

Toda essa argumentação para incentivar que mais pessoas íntegras e honestas se interessem pela política, não somente a partidária, mas a cidadã. E que os políticos venham a públicos, as Ágora [espaço democrático de discussão na Grécia Antiga] debaterem com a população.


*Professor de filosofia. -  Vila Prudenciana - marciobressane@hotmail.com