ELEVADOR

Por Vlad Suato*

“Ô gordo!”
Seria minha consciência? Estaria ficando com uma dessas doenças psíquicas do peso?
Dentro do elevador abarrotado, com colegas de trabalho, um distinto senhor, no auge dos seus oitenta anos e dos seus quase dois metros de altura, insistia em me chamar:
“Ô gordo!”
Feito Davi e Golias, olhei profundamente para seus olhos e disse milhões de coisas que resumindo soaram num mero “quê”.
“O que você está fazendo aqui?”
“Uai! Eu trabalho aqui...”
“Mas o que você está fazendo no elevador?”
Ao abrir o elevador, em qualquer andar, desci... Evidentemente, queria sair daquela situação, nunca tinha visto aquela pessoa. Entretanto, aqueles simpáticos amigos do elevador, em coro, clamavam:
“Ei! Maluco! Você errou o andar.”
Fui me afastando do elevador pra ver se ele se fechava, mas um maldito segurou a porta e bradou pelos corredores:
“Seu andar não é esse.”
Pensei: should I stay or should I go...
“Acuado, voltei.”
Então, Gordo, o que está fazendo aqui? – Disse o amável velhinho colocando sua mãozinha sobre meu ombro direito.
Passeando! - Respondi em momento de ira.
“Funcionário público não trabalha mesmo...”
Térreo, finalmente.

*Vlademir N. Suato, Mestre em Direito Processual Civil, 38 anos, Campinas/SP. email: vladsuato@hotmail.com - http://pontesdisfarcadas.zip.net/