| De policial a travestido de Polícia.
Por Archimedes Marques*
Fruto de uma Sociedade em que cada vez mais se clamam
pela probidade administrativa e que ainda se tem a Policia
como delinqüente, está em meio às Instituições policiais a
figura do digno policial, do verdadeiro policial a cumprir a
sua árdua missão de bem servir e defender a população, ao
mesmo tempo em que paga em conceitos depreciativos pelas
ações indignas do falso policial, do travestido de Polícia.
Infelizmente para muitas pessoas, policial e marginal é
“farinha do mesmo saco”, ou seja, generalizam-se toda a
Instituição policial por conta de uma minoria desvirtuada
que age à margem da Lei e que por excesso de burocracia ou
pelas brechas das Leis continuam a desempenhar as suas
funções normalmente.
É bom que se frise que o termo Polícia aqui usado engloba
todas as instituições policiais estatuídas na atual Carta
Magna, enquanto que, a palavra policial é direcionada a
todos os seus membros, do mais baixo ao mais alto grau de
carreira, vez que todos nós que policiamos e mantemos a
ordem pública, somos policiais, ao passo que, o termo
travestido de Policia, nada mais é do que aquele componente
que apesar de fazer parte da Polícia preferiu passar para o
lado oposto, para o lado da marginalidade.
A somação dos atos criminosos praticados pelo travestido de
Polícia, além de abrir chagas no seio da instituição é, sem
sombras de dúvidas, a mais séria e grave existente no âmbito
da segurança pública, vez que o policial é acima de tudo o
guardião da Lei e protetor da ordem pública.
Na verdade o travestido de Polícia está na força pública
para extorquir, roubar, matar, prevaricar e sempre se
proteger atrás do seu distintivo, fazendo dos bons o seu
escudo e dividindo com os honestos as críticas pelos seus
atos insanos.
Polícia e bandido são opostos que não podem ser atraídos
para o mesmo objetivo. Tal missão ilícita é própria do
travestido de Polícia que, além de tudo, ainda espera contar
com a conivência ou benevolência dos seus colegas de armas
como se os mesmos fossem obrigados a partilhar da sua
insanidade.
É bem verdade que em todos os órgãos governamentais existe o
verdadeiro e o falso funcionário, mas já assistimos bons
avanços de resgate da dignidade administrativa, embora
esteja ainda aquém do desejo e exigência popular. Os
exemplos de punidades nos três poderes já aparecem mais
frequentemente e são bem aplaudidos pela sociedade que
espera a justa continuidade do processo de limpeza geral em
toda a administração pública.
Para que a depuração e a autodepuração sejam trilhadas
fortemente também em todas as Instituições policiais e se
acabe de vez com figura indesejável do travestido de Policia
é necessário maior participação popular denunciando os seus
ilícitos e que se reformem as Leis administrativas e penais
em desfavor desses infratores, transformando os seus
respectivos procedimentos em atos mais ágeis e menos
burocráticos, aplicando punições justas quando das suas
culpabilidades.
Complementando deve o ego do verdadeiro policial sempre ser
massageado, colocando-o em melhor ocupação ou cargo de
destaque com digno salário e gratificação merecedora, além
das boas condições de trabalho para que o mesmo assim possa
caminhar mirando também as suas próprias fileiras, expondo e
ajudando a purgar as feridas causadas pelo travestido de
Polícia.
Com honra, ética, e perseverança é possível fazer uma
Polícia séria, sem corrupção ou interesses escusos para o
próprio bem da Instituição, da sociedade, do poder público e
do Brasil.
*Archimedes Marques (Delegado de Policia no
Estado de Sergipe. Pós-Graduado em Gestão Estratégica de
Segurança Pública pela UFS) – archimedesmarques@infonet.com.br
- archimedes-marques@bol.com.br - archimedesmelo@bol.com.br
- Fonte: www.infonet.com.br |