Plano Nacional de Banda Larga é uma
volta ao passado
Por Leonardo Spinelli/ Do Jornal do Commercio
O Plano Nacional de Banda Larga foi anunciado pelos
assessores do presidente Lula depois de meses de adiamento e
com pouca discussão com a sociedade. Traz poucas
expectativas de se resolver o gargalo do acesso à internet
rápida no País, discussão, aliás, que está sendo travada em
todo o mundo e que, pelas análises de especialistas ligados
ao tema, não vai servir para diminuir a lacuna do Brasil em
relação às maiores economias mundiais. Acesso à internet é
visto hoje como questão estratégica. O Banco Mundial estima
que para cada 10% de expansão na rede de banda larga de um
país, há um crescimento econômico de 1,3% na economia. São
muitos os pontos que não foram respondidos no anúncio de
ontem.
Em primeiro lugar, pode-se questionar a real preocupação do
governo em disseminar a conexão de banda larga. O plano do
governo prevê desoneração em equipamentos, como modems, mas
não toca na alta tributação do serviço, que hoje é taxado em
43%, principalmente por conta do Imposto sobre Circulação de
Mercadorias e Serviços (ICMS) estadual. Alíquota comparável
àquelas aplicadas em artigos de luxo, o inverso, portanto,
da popularização digital.
A proposta não tem preocupação de longo prazo. A conexão de
até 700 quilobits por segundo ficará pequena. Basta olhar o
crescimento do uso da internet e de suas aplicações. Em
outros países se discute a implantação de redes com
capacidade de 100 megabits por segundo, ou seja, um poder
100 vezes maior de conexão. Ainda no nível de comparação, na
Austrália, o governo vai investir mais de US$ 30 bilhões em
fibras óticas para levar banda larga para todo o País. O
plano brasileiro prevê, por enquanto, R$ 12 bilhões. O
Brasil é maior que a Austrália em cerca de 1 milhão de
metros quadrados.
Além do mais, o governo vai colocar uma estatal para prover
serviços, ignorando o modelo de regulação que universalizou
o serviço de telefonia no Brasil com recursos públicos mas
com o comprometimento de metas por parte das
concessionárias.
Se formos lembrar dos tempos da Telebrás, recordaremos de
longas filas de espera para se conseguir uma linha
telefônica ou cidadãos tendo de se submeter a pagar ágio
para ter o serviço. A história neste caso pode ser repetida. |
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