O jeitinho trapaceiro
Por Julio César Cardoso
Senador Francisco Dornelles (PP-RJ), o Brasil precisa
lembrar-se de seu nome, aliás, já velho conhecido político,
por sua infeliz, ou tendenciosa manobra, ao alterar o texto
de iniciativa popular para beneficiar indecorosos colegas
políticos. Não se pode ser meio favorável à moralização do
Congresso. Tem que se ter postura de moralizador. E o
senador Dornelles fraquejou ao desrespeitar a integridade do
texto do projeto Ficha Limpa, de iniciativa popular,
consubstânciada hoje em mais de quatro milhões de
assinaturas.
É por isso que os Paulo Maluf da vida prosperam no mundo da
impunidade, porque atitude como a do senador carioca só
beneficia a "safadeza política" brasileira. Mas não podemos
negar que a aprovação do projeto foi um grande passo para
resgatar a imagem política do Legislativo nacional. Vejam o
comentário do Congresso em Foco:
"A alteração feita pelo senador Francisco Dornelles (PP-RJ)
beneficia não só Zé Gerardo e Taniguchi, mas todos aqueles
que já receberam alguma condenação. Muitos deles com folhas
corridas bem mais longas e escabrosas. Do mesmo partido de
Dornelles, o deputado Paulo Maluf (SP) é procurado pela
Interpol e pode ser preso se sair do País. Já foi detido por
coagir testemunhas e condenado na Justiça paulista por
desvio de verba pública. Também responde a processos por
formação de quadrilha, lavagem de dinheiro, ocultação de
bens, crimes do colarinho-branco e de responsabilidade. Se o
texto original do projeto tivesse sido aprovado na íntegra
pelo Congresso, Maluf e outros tão enrolados quanto ele não
poderiam concorrer em outubro. Na versão de Dornelles,
porém, só valerão as condenações futuras proferidas em
segunda instância. A alteração ganhou o apelido de "emenda
Maluf" (como se fosse possível emendar Maluf).
Fonte: http://www.artigonal.com/noticias-e-sociedade-artigos/o-jeitinho-trapaceiro-2454511.html |