PARTIDO TROPICALISTA BRASILEIRO
 

Por Fernando Jorge*

Programa de Governo do Candidato à Presidência da República Federativa e Tropicalista do Brasil.
Sendo eleito o Dr. Ringaudas Panachão imagina que faria na qualidade de Presidente da República.
O seu programa de Governo seria bem simples: Permitiria a entrada ilegal de estrangeiros no país; deixaria que vastas extensões do nosso território fossem leiloadas no exterior; confinaria os adversários na Ilha de Fernando de Noronha; colocaria o Ministério da Fazenda a serviço de favoritismos inconfessáveis ; ordenaria que nas escolas os alunos decorassem os versos da geração de 45, a fim de que a juventude se imbecializasse; fundaria a Caixa de Poupança, no intuito de se apoderar dos níqueis do Zé-povinho; aboliria o habeas-coprus, todo mundo poderia sofrer violência ou coação; chefiaria uma quadrilha de contrabandistas, os quais lhe trariam quilos e quilos de ouro dos garimpos do Alto Tapajós; instalaria em casa esquina um prostíbulo e em cada quarteirão de tavolagem; escolheria como seus auxiliares, indivíduos analfabetos, inescrupulosos e subservientes; dilapidaria o patrimônio das autarquias, das empresas de economia mista e das concessionárias dos serviços públicos; lindas meretrizes seriam rifadas através da Loteria Federal a cinco mil reais o bilhete da mesma dezena; sabendo que na guerra da China os mandarins se reclinavam no divã do ópio, criaria para todos os brasileiros o divã da maconha, porque desta forma os nossos patrícios ficariam cretinizados, com a inteligência embotada; limitaria no máximo a nossa produção agrícola, e de tal maneira que teríamos de importar Cebolas do Egito, alhos do Chile, Batatas da Holanda e Rabanetes do Paraguay; incrementaria a Indústria das Matérias Graxas do Estado, destinaria à fabricação de sabonetes extraídos da gordura dos cadáveres; obrigaria os ginasianos a aprenderem a História do Brasil nos livrecos inçados de erros do escrevinhador R. Magalhães Junior; organizaria o roubo e o crime, e neste sentido tomaria por modelo a célebre Nurder Incorporate Company, que dominou Chicago na época de 1930; haveria contratar eficientes assassinos da Máfia e da Camorra napolitana, assassinos tão frios e implacáveis como os mais terríveis gangsters dos Estados Unidos; entregaria à Belgica, ou a Noruega, ou à Alemanha, as nossas jazidas de calcário e de areia monazíticas, as lavras de petróleo do Recôncavo Baiano os itabiritos da Serra do Espinhaço, o manganês de do Riacho de Santana, a bauxita de Panamirim, o cobre da mina Camacuã, do Rio Grande do Sul, as riquezas do sub-solo na região amazônica.
A arraia-miúda o apoiaria sempre, sob as ameaças dos fiscais armados de porretes e dos pelotões com baioneta caladas.


*Esta crônica está narrada no Livro “ O Grande Líder “ de Fernando Jorge em 1960. Cenas da vida brasileira, no período de 1910 e 1960. L. Loren Editora – São Paulo.