LEMBRANÇAS

Maria Candida

Meu marido nunca fumou, graças a Deus, e era um homem calmo, mas muito distraído.
Vendo a foto do dia sobre tabaco, lembrei-me de um caso que aconteceu em minha casa e que quase morri de vergonha.
Certa tarde, recebemos a visita de um senhor sírio, muito amigo e muito simpático, e depois de esgotados os principais assuntos, o visitante começou a contar que ele sabia cozinhar e era especialista em comidas da sua terra.
Primeiro ele falou por quase quinze minutos sobre o gosto pelos quibes e deu uma receita completa, e de todos os tipos: fritos, cozidos, assados e crus. Detalhista contava os mínimos procedimentos e meu marido foi ficando impaciente.
Depois, mudou o cardápio e começou a falar do charuto. Realmente uma deliciosa comida, mas àquela hora.
Primeiro colhe a folha da uva. A parreira deve ser saudável. Depois limpa bem , uma a uma. Depois prepara o arroz, Cuida da carne moendo-a muito bem... e assim por diante.E relatou no sotaque peculiar dos dinâmicos libaneses, tudo o que se pudesse imaginar.
Nessas alturas o senhor Paulo desligou-se completamente do assunto do amigo e mesmo olhando para os olhos da visita que teimava em ensinar a fazer o referido prato, o pensamento de meu marido voou nem sei para onde.
Passaram alguns minutos. E a receita afinal se acabou e o senhor sírio, feliz, olhou sorrindo para o meu “atento “ marido e perguntou:
-O senhor gosta de charuto, seu Paulo?
E ele respondeu solicito:
-Não, Obrigado, eu não fumo...
Oh! Vergonha.....