Inconstitucional é adolescentes furtarem
Por Sergio Vieira
Sobre a decisão de juízes de Varas da Infância e Adolescência das cidades do
noroeste paulista em determinar que crianças e adolescentes não fiquem nas ruas
após às 23 horas, em Assis, algumas pessoas alegaram que tal decisão é
inconstitucional e fere o direito de ir e vir das pessoas. De acordo com a
Constituição de 1988, realmente é errado determinar que as pessoas, no caso,
crianças e adolescentes, tenham seus direitos limitados de ir e vir nas ruas
após às 23 horas.
Entretanto, de acordo com uma portaria baixada pela juíza da Vara da Infância e
Adolescência de Assis também é errado crianças e adolescentes ficarem nas ruas,
desacompanhados dos pais ou de um responsável legal, após a zero hora.
Entretanto, o que mais observamos em Assis são adolescentes sozinhos após a zero
hora, sem a presença de um responsável legal. O Estatuto da Criança e do
Adolescente (ECA) preconiza proteção à criança e ao adolescente, e convenhamos,
a partir do momento em que jovens fiquem nas ruas após às 23 horas, estão sob
risco. Principalmente porque correm o risco de envolverem–se com traficantes,
iniciarem no mundo das drogas ou no alcoolismo.
A questão da inconstitucionalidade, baseado nos preceitos do ECA, é discutível,
principalmente porque juízes do noroeste paulista não entenderam dessa forma e
baixaram esta resolução proibindo a presença de adolescentes nas ruas após às 23
horas. Afinal, magistrados não correriam riscos à toa determinando tais
portarias. Além disso, estas medidas foram bem recebidas pelas comunidades
dessas cidades e diminuíram sensivelmente a participação de adolescentes em atos
infracionais. Afinal, quem pode ser contrário a uma medida como esta?
Quando alguém posiciona-se contra esta medida dizendo ser inconstitucional, o
questionamento que se faz é se não é inconstitucional adolescentes participarem
de furtos, tentativas de homicídios e latrocínios contra pessoas da comunidade –
muitos pais de famílias. Afinal, tais ocorrências em Assis são comuns. Além
disso, os adolescentes são peças chaves atualmente na prática do roubo de
veículos (carros e motos) com a exigência posterior de resgates em dinheiro. Os
chefões do crime em Assis usam adolescentes sabendo que caso sejam presos,
simplesmente o máximo que acontecerá é o envio dos mesmos para uma unidade
específica do governo do Estado que atua com jovens infratores, e os mesmos não
serão indiciados criminalmente por estes crimes. Afinal, são menores de idade.
Quando uma sociedade está doente, adotam-se medidas de força para combater o mal
maior que é a sua desestruturação. Em regimes democráticos, quando existe
perturbação da ordem, os governos adotam até mesmo toque de recolher justamente
para evitar que a democracia pereça. É o caso da questão das crianças e
adolescentes. Não adianta transferir esta responsabilidade aos pais de evitar
que estes jovens saiam às ruas porque muitos já perderam completamente o domínio
sobre os filhos.
Diante disso, cabe à Justiça determinar medidas para proteger estes jovens de
entrar no mundo do crime ou das drogas. São medidas extremas, mas necessárias.
Não dá para ser contra. Afinal, ser contra é estar do lado daqueles que usam
estes adolescentes para que entrem no mundo do crime ou das drogas ou se percam
no alcoolismo – porta de entrada para drogas mais fortes.
Por isso, é melhor que estes adolescentes fiquem em suas casas durante o período
noturno do que nas ruas cometendo coisas erradas. Para o bem deles e da
sociedade.