COLAPSO ANUNCIADO 

 

Daniel Pereira 

 

Quem chegue a São Paulo em qualquer hora do dia – o que significa das 5 da madrugada à meia-noite -  terá uma visão aterradora do caos que aos poucos vai se instalando nas ruas da cidade. Esqueçam os tais horários de pico, ou de rush, quando se sabia que em certos horários melhor mesmo era evitar determinados trajetos. Isso é coisa do século passado.

O incauto visitante que vem à capital para passeio ou negócios precisa ter mais do que paciência ou tolerância: deve trazer um big bag para descarregar a adrenalina que certamente irá acumular em meio ao oceano de carros, ônibus, motoboys,  homens puxando carroças (extrema humilhação!), garotos com seus malabares, limpadores de vidros...uma zorra!

Sem falar dos semáforos burros, dos marronzinhos que parecem sentir orgasmo com seus talões de multa (agora eles usam palm top), motoristas que não sabem o que é nem onde fica a rebimboca da parafuseta do carro. E as madames que levam seus inocentes caninos para passear? Ou para buscar os filhos na escola? E os camelôs, que entopem as calçadas e jogam os transeuntes para o meio da rua.

A 25 de Março, meus amigos e conterrâneas, especialmente as conterrâneas que pelo menos uma vez por mês se abalam para São Paulo em busca das novidades para revender no Interior...no último feriado, das Mães, quase 1 milhão de almas transitaram por aquele quadrilátero. O que me leva à conclusão de que o inferno já não mete medo em mais ninguém

O trânsito paulistano caminha velozmente para o colapso que especialistas vêem prevendo há muito tempo. A euforia multiplicada dos candidatos a ter o seu primeiro poisé, mesmo que a perder de vista para quitá-lo, representa mais 800 novos carros poluindo e circulando a cada dia pelas ruas da cidade.  Esses números são de março passado.

Enquanto isso, as soluções para os problemas do transporte metropolitano continuam nas gavetas dos refrigerados gabinetes burocráticos, de onde saem de vem em quando para debates que ate agora não passaram disso mesmo...debates. Coincidência, ou não, esses debates se transformam numa oportunista e interessante pauta em ano de eleição. Cada um faz o seu diagnóstico, todos têm a receita salvadora, mas ninguém sabe como curar o paciente..

 

Daniel Pereira é jornalista, colaborador do umdoistres