| Velhos e novos métodos ou armadilhas
usados para roubos e sequestros
Por Archimedes Marques*
Assim como a Policia procura se modernizar com novos
métodos de combate à criminalidade que sempre está em
vertiginosa ascensão, os criminosos também se especializam e
estudam sempre as novas maneiras e por vezes até repetem os
métodos antigos para levar as vítimas às armadilhas por eles
arquitetadas, por isso é necessário estarmos sempre bem
informados.
Os golpes de fraudes e estelionatos são exemplos vivos em
todo canto do país de que o nosso povo não usa as cautelas
necessárias e termina por sofrer sérios prejuízos
financeiros, entretanto este texto tem por objetivo somente
elencar algumas velhas e novas ciladas ou métodos usados
para assaltos ou sequestros, no sentido de alertar o leitor
a melhor se precaver.
A simulação de acidentes em rodovias pouco movimentadas é
uma delas. Por vezes os marginais atravessam um carro na
pista ou chegam até a tombar um veículo roubado deixando-o
com as rodas de lado ou para cima, com as portas abertas e
com um ou dois comparsas deitados no asfalto ali próximo.
Tal armadilha geralmente ocorre no período noturno e em
lugares mais desertos, e vez por outra os marginais
conseguem que alguém pare no local no sentido humanitário de
socorrer as supostas vítimas ou mesmo aqueles desonestos que
querem levar alguma vantagem com o infortúnio alheio, vez
que muitos também se aproveitam de acidentes para saquear
bagagem ou furtar dinheiro e objetos das vítimas. Tais
pessoas quando param seus veículos caem nas armadilhas e são
assaltados ou seqüestrados. As vítimas por vezes são até
mortas, como de fato ocorrem com muitos caminhoneiros, ou
quando não, apenas perdem as suas cargas ou caminhões.
O melhor para evitar tal perigoso imprevisto é não viajar em
hipótese alguma pela noite, mas se inevitável for, é
necessário ter uma percepção rápida com certa cautela para
sentir se o fato é real ou não, e o melhor a fazer é de
imediato ligar para o posto da Polícia Rodoviária mais
próximo se possível for.
Consta agora como novidade uma armadilha já ocorrida por
diversas vezes nos grandes centros do país, em que o cidadão
ao dirigir o seu veículo no período noturno, receoso e até
ultrapassando os sinais de trânsito vermelho justamente para
não ser abordado pelos marginais, então recebe sem esperar,
ovos que são jogados no pára-brisa do carro, e como impulso
natural, esguicha água ligando o limpador para se ver livre
da sujeira. Ocorre, porém, que com a química imediata da
mistura da água com a gema e a clara dos ovos é logo formada
uma espécie de látex amarelado turvo tirando quase que a
total visão do motorista por vários segundos apesar do
esforço do limpador para tirar o produto, fazendo assim com
que o mesmo, por falta de opção, pare o veiculo para evitar
um acidente, oportunidade em que o marginal se aproxima
rapidamente e armado lhe dá a voz de assalto.
É aconselhável, portanto, que o motorista ao vivenciar tal
situação permaneça calmo e não esguiche água ou ligue o
limpador do pára-brisa do veículo, deixando para tomar tal
atitude quando estiver em local seguro.
Uma armadilha mais simples e muito repetitiva é usada em
apartamentos que não dispõem de bons métodos de segurança
privada, em que o marginal entra no condomínio furtivamente,
joga água por debaixo da porta e fica escondido aguardando o
morador abri-la curioso pensando se tratar de algum
vazamento no prédio, para então anunciar o assalto e
concretizar o seu intento sem chamar atenção dos vizinhos.
Nesse caso, é melhor ser sempre mais precavido e desconfiar
de tudo, telefonando para o seu vizinho para saber ou não do
possível vazamento de água.
Outro método de assalto ou seqüestro relâmpago que já fez
diversas vítimas em algumas cidades do país trata-se de
abordagem dos marginais dentro dos cinemas em Shoppings
Center. As vítimas mais procuradas são os casais que se
acomodam distantes de outras pessoas principalmente nos dias
de menos movimento. Os dois marginais chegam ao mesmo tempo
por lados opostos cercando as vítimas normalmente sem chamar
atenção. De logo são mostradas as armas e ordenadas às
vitimas silencio absoluto. Um deles já faz a catação inicial
dos celulares, carteiras e chaves do veículo, para em
seguida, sair um marginal com uma das vítimas para retirar
dinheiro em cash bancário através dos respectivos cartões de
crédito arrecadados. Geralmente a vítima que está com o
bandido passeando dentro do Shopping Center não esboça
qualquer tipo de reação com receio também que aconteça algo
de mal com a pessoa que ficou dentro do cinema com o outro
marginal. Depois de realizar o crime, os dois se dirigem até
o automóvel da vítima no estacionamento e de lá o marginal
liga para o seu parceiro que está dentro do cinema que por
sua vez ordena que a vítima não esboce qualquer tipo de
reação quando da sua saída do cinema sob pena da outra
pessoa que está lá fora sofrer as conseqüências.
Dentro desse mesmo tipo de abordagem criminosa, por vezes os
bandidos são mais audaciosos e ligam dos próprios celulares
das vítimas para os seus familiares anunciando o seqüestro e
exigindo que pequenas quantias em dinheiro sejam de logo
transferidas de contas bancarias para outras abertas com
documentos falsificados e que são usadas somente nessa única
ocasião. Nesses casos, como as ações são mais demoradas,
geralmente os seqüestradores e vítimas saem dos Shoppings
para outros lugares e só liberam os mesmos após o dinheiro
entrar e ser retirado da conta preparada para tal
finalidade.
Para evitar esse tipo de crime, aconselha-se que as pessoas
procurem dentro dos cinemas sempre se sentarem juntos as
outras para dificultar as ações dos marginais, ao passo que,
já está mais do que na hora, do Banco Central do Brasil
arranjar meios plausíveis de evitar que marginais abram
contas com documentos falsificados ou documentos de
terceiros que são usadas somente para crimes. Seria
interessante, pelo menos, a obrigatoriedade que de em toda
nova conta bancaria aberta tirassem fotografias e se
colhessem as impressões digitais do correntista, fato este
que facilitaria o trabalho da Polícia, ademais é outro
absurdo o Banco só atender a ordem judicial para fornecer
dados sobre o correntista, pois com isso, perde-se muito
tempo nas investigações Policiais. É evidente que o
histórico da conta e o sigilo bancário do correntista só
devem ser quebrados por ordem judicial, mas os outros dados
mais simples como nomes, endereços e documentos dos
correntistas investigados poderiam muito bem ser liberados
por simples ofício requisitório do Delegado responsável pelo
Inquérito Policial pertinente, como outrora ocorria.
Há um velho ditado em que se diz que cautela e canja de
galinha não fazem mal a ninguém, por isso toda a cautela é
pouca para evitar que passemos por esses constrangimentos
citados, que além do prejuízo financeiro podem valer até as
nossas próprias vidas. Não podemos achar que nunca cairemos
nessas armadilhas e que essas coisas só acontecem com os
outros, vez que a marginalidade caminha a passos largos em
todo canto à caça das suas vítimas sem medir as
conseqüências dos seus atos criminosos.
*Delegado de Policia. Pós-Graduado em Gestão
Estratégica de Segurança Publica pela Universidade Federal
de Sergipe archimedes-marques@bol.com.br |