| POLÍCIA: a mais estressante e
criticada das profissões Por
Archimedes Marques*
Apesar da Polícia trabalhar mantendo a ordem pública,
protegendo a sociedade, aconselhando, dirimindo conflitos,
evitando o crime, investigando, fazendo a paz ou regulando
as relações sociais, é considerada por boa parte da
população como ineficiente, violenta, agressiva e criminosa.
Por conta desses atributos negativos, o desgaste das
instituições policiais e dos seus membros é iminente e
presente, aumentando ainda mais a ansiedade e a angustia de
cada um para constatar o seu estresse, cansaço e desolação.
Apesar do bom policial dar o melhor de si durante o seu
labute, de sair de casa sem saber se volta a ver mais os
seus filhos, de ser capaz de dar a sua própria vida para
defender a sociedade contra o marginal, de trabalhar quase
sempre por um salário não condizente com a importância da
sua missão, é veementemente criticado pela mídia e pelo povo
quando por um deslize qualquer deixa de exercer a sua função
satisfatoriamente.
Trabalhar excessivamente lidando com o público, com os
problemas brutais da sociedade, com o perigo constante, com
a prevenção e repressão aos crimes diariamente e
permanentemente e ainda não se ver recompensado
psicologicamente e financeiramente, não pode deixar alguém,
por mais forte que seja, sem se sentir cansado e estressado.
Enquanto que para a sociedade o crime comumente assusta e
todos são condicionados a correr de uma briga, a fugir de um
iminente perigo, o policial, por sua vez, deve correr em sua
direção e ali estar presente para manter a paz pública.
Aliados a essa problemática da incompreensão, ingratidão,
critica negativa por parte da sociedade, ainda resta a
questão da sobrecarga de trabalho alcançada por muitos
policiais, que por conta dos baixos salários que percebem,
buscam alternativas na vida privada para complementar o seu
ganho e melhor suprir as necessidades da sua família, ou
seja, passam eles a fazer o famoso “bico” nas suas horas de
folga, horas essas que seriam dedicadas ao seu descanso, ao
laser, a um melhor convívio com seus filhos e que são
perdidas nessa nova atividade, aumentando assim,
consideravelmente o seu cansaço físico e o conseqüente
estresse emocional, isso quando não ocorre morte em
confronto com os marginais.
Infelizmente, também é triste ter que constatar que muitos
dos nossos policiais, por absoluta falta de opção e condição
financeira, residem na periferia das grandes cidades, por
vezes até nos morros ou bairros dominados pelo tráfico. Suas
vidas e dos seus familiares correm por um fio e por isso
vivem eles a se esconder para que ninguém saiba a sua
verdadeira profissão. Quando são policiais militares andam
com suas fardas escondidas em sacolas para só vesti-las nos
seus locais de trabalho. Essa constante preocupação é também
fator de grande somatório para o aumento do estresse para
qualquer um que viva tal drama.
É fácil concluir que para haver o saneamento desses
problemas, necessário se faz mudanças de pensamentos e atos
do povo, passando a sociedade a sentir a sua Policia a luz
do valor da amizade para em boa cumplicidade apoiar as suas
ações de resgate da dignidade corroída pelo poder publico
através dos anos, ao invés de arrastá-la cada vez mais para
o fundo do poço, ao mesmo tempo em que urge também por
vontade política em resolver de vez a situação salarial e
social das Polícias, principalmente com a implantação do
piso nacional, assim como, pela unificação das classes, para
uma Policia efetivamente única e forte, reduzindo o estresse
de cada membro, melhorando assim o desempenho de todos para
uma real prestação de serviços à sociedade.
*Delegado de Policia. Pós-Graduado em Gestão
Estratégica de Segurança Publica pela Universidade Federal
de Sergipe archimedes-marques@bol.com.br |