ELEIÇÕES 2010
Por Márcio Alexandre da Silva*
Rui Costa Pimenta (PTC), Américo de Souza (PSL), Zé Maria
(PSTU), José M. Eymael (PSDC), Ivan Pinheiro (PCB), Levy
Fidelix (PRTB). Alguém conhece esses nomes? Com certeza se
aparecessem sem as siglas partidárias, poucos, saberiam que
eles são políticos, candidatos a Presidência da República,
pelos “partidos nanicos”, legendas inexpressivas, que nem
conseguiram eleger deputados federais nas eleições de 2006.
Por conta disso, são impossibilitados, segundo lei
eleitoral, de participarem dos debates políticos, a ser
realizado pelas emissoras de TVs. Os nomes a seguir são mais
comuns. Com certeza você já ouviu falar de Plínio Sampaio do
PSOL? Mário de Oliveira (PT do B), Oscar Silva (PHS), Ciro
Moura (PTC), e os pontífices da política nacional a senhora
Marina Silva (PV), José Serra (PSDB) e Dilma Rosself (PT). O
último bloco representa a elite política brasileira. Não por
serem melhores. Mas, por integrarem partidos tradicionais.
Expresso que esse artigo não tem nenhuma conotação política
partidária. Nem pretende fazer apologia a nenhum candidato.
Recordo que em 1989 Fernando Collor de Mello foi eleito
Presidente da República, por dois consideráveis motivos:
primeiro, pelas alianças com os meios de comunicações que
impulsionou sua vitória nas urnas e sua derrota no
Congresso; segundo, pela sua eloquência no discurso e
sorriso fácil, facílimo diria. Seu sucessor por meio de
eleições, FHC, é intelectual, polido, também expressivo,
mas, sobretudo simpático. O atual presidente, Lula,
populista, sempre acessível ao povo, sorridente. Uma das
provas da acessibilidade foi na sua primeira posse como
presidenciável, ocasião em que o povo quebrou todos os
protocolos. A simpatia do Presidente Lula é demonstrada nas
pesquisas de popularidade.
No entanto, nas eleições de 2010 os eleitores terão que se
adaptar aos rostos mais carrancudos. Serra tenta ser menos
arrogante. Às vezes consegue! Mas força quando canta música
de Luiz Gonzaga no Rio Grande do Norte, para dizer que
conhece o sofrimento do povo dessa região. Exagera quando
posa de que é de família humilde, morador de bairro operário
na capital paulista, tentando ganhar votos dos empobrecidos.
O tucano força quando declara sua pseudo paixão pelo
futebol. Também exagera, em minha opinião, quando assume
algumas paternidades, como criador do Fundo de Amparo ao
Trabalhador (FAT), Fundo de Garantia do Tempo de Servo
(FGTS), genéricos... Dilma tenta trocar números por afetos.
Também é forçosa quando simula uma crise de regionalização,
ora paulista devido ao acolhimento, em outros momentos
mineira por naturalidade e gaúcha por laços familiares e
afetivos. Parece o personagem bíblico Paulo, com os gregos
me fiz gregos, com os romanos, romanos, com os bárbaros,
bárbaros. Força enormemente quando a colocam como “Nelson
Mandela” latino-americano devido à luta contra o Regime
Militar (1964-1985). Nem as milagrosas pílulas de Frei
Galvão, fazem tantas mudanças assim – com todo respeito ao
poder intercessor do santo e a conversão pessoal – mas
alguns políticos mudam de quatro a quatro anos, a cada
eleição, começa a visitar os lugares periféricos, comer
salgado na rua, veste camiseta, boné chapéu, vai à farra do
boi, do bode, bezerro... chega sejam vocês mesmos!
Para não ser acusado de polarização entre tucanos e
petistas, vamos falar um pouco de Marina Silva, que
convenhamos não é as das mais simpáticas. E sofreu profundas
mutações. Deixou de ser líder da Comunidade Eclesiais de
bases (CEB’s), maior expoente de militância no Brasil da
Igreja Católica, ramificação fortíssima da Teologia da
Libertação na América Latina que muito lutou contra a
opressão e regimes totalitários no nosso continente. Nada
contra a profissão religiosa de cada indivíduo. Ela tem toda
liberdade para mudar de confissão quando desejar. Isso é
apenas uma observação de como ele se modificou nos últimos
anos. Mudou partidariamente, deixou o PT e migrou para o PV.
Blefa quando escolhe como vice, um empresário (área de
cosmético). Embora sua empresa trabalhe com sustentabilidade
explora a biodiversidade brasileira para extração das suas
essências cosméticas. Ou não?
O leitor pode se perguntar: vocês não querem governantes,
querem um humorista! Não precisa tanto! Mas, ser simpático é
terapêutico, faz bem, conquista as pessoas. Desde que não
seja forçoso como vemos alguns candidatos. Desse jeito me
toca votar no Dunga, técnico da seleção brasileira que é
mais simpático que todos esses juntos.
Ainda não escolhi o presidenciável. Até por que, eles ainda
não fizeram nenhuma proposta de governo. Ficaram e estão
apenas se “alfinetando”. Por exemplo, a justiça eleitoral
suspendeu inserções do PSDB, com a presença de Serra – a
denuncia partiu do PT. Uma ala da equipe de campanha do PT é
acusada de espionagem, o suposto dossiê contém dados
sigilosos da base da Receita Federal. Embora a aprovação da
“Ficha Limpa” ainda veremos muito “Jogo Sujo”.
Por enquanto, permanecemos no “ópio futebolístico” do
Mundial de 2010. Depois de 11 de julho, quem sabe, Brasil
ganhando ou perdendo, o povo brasileiro comece a se
preocupar com o pleito majoritário de outubro. Espero que
não seja tarde demais!
*Professor de filosofia. Vila Prudenciana -
marciobressane@hotmail.com |
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