CONCESSÃO DE ÁGUA E ESGOTO DE ASSIS
Por Márcio Alexandre da Silva*
Afirmar que a municipalidade não tem condições de
administrar esse setor é desacreditar no poder executivo e
legislativo local
Embora muitos não concordem, mas, a discussão da permissão
de saneamento e abastecimento remete à venda de um produto –
água – principalmente a de qualidade, e pode ser comparada a
seguinte situação: quando vamos às compras, o que
habitualmente fazemos? Pechinchamos! Procuramos a melhor
forma de pagamento, os juros mais baixos, além de parcelas
que contabilizem e se encaixem no nosso orçamento. Após essa
prévia, contratamos o serviço ou adquirimos o produto, seja
por forma de empréstimo ou a vista. O que discutimos e
discutiremos sobre a concessão de água e esgoto em Assis não
é nada diferente disso! Infelizmente, neste caso, não
podemos escolher as formas de pagamentos, ou podemos?
A importância dessa discussão é que estamos tratando de um
produto que, segundo especialistas, será, dentro de poucos
anos motivo de guerras entres povos – devido a sua escassez.
Na condição de munícipe, eu não abriria mão de tão precioso
bem (por mais trinta anos) delegando-o a outra instituição
que não fosse a que representa o nosso município. A partir
desse momento de discussão, Assis deveria fazer a opção de
administrar, processar e tratar a água na nossa cidade. No
entanto, percebo que não parece ser essa a vontade de parte
do poder público.
De qualquer forma, fica o aceno. Estamos entregando nosso
tratamento e saneamento a uma estatal/empresa que nós
conhecemos muito bem. Sabemos quais metas já foram
cumpridos, os pontos positivos e também os negativos dessa
companhia que administra esse setor há trinta anos por aqui.
Oxalá o município quisesse administrar esse departamento,
que é de primordial importância no desenvolvimento da
cidade. Alguns poderão alegar que poderá virar um cabide de
emprego. Essa argumentação não convence, pois outros
setores, autarquias e secretarias também poderiam vir a
sê-lo. Outra premissa: a prefeitura não tem suporte
adequado? Podemos nos estruturar! Por exemplo: a Secretaria
Municipal de Planejamento, Obras e Serviços tem uma Usina de
produção asfáltica que atende à demanda de recapeamento e
pavimentação das ruas da cidade. Quer dizer: basta querer. O
que não se pode aceitar é que um município como Assis, com
quase cem mil habitantes, já centenário, recorra ao
argumento de que não tem estrutura. Este momento pode ser um
divisor de águas. Nesta oportunidade, perceberemos se temos
ou não políticos arrojados, com visão de futuro, que
acreditam na nossa cidade.
Mas, infelizmente, a prefeitura não se preparou. Agiu como
um noivo que não quer casar-se. Nunca compra uma residência.
Quando é pressionado pela noiva, alega que falta casa e
estrutura. Porém, nunca vai atrás para se estruturar. Não
percebo nenhuma movimentação por parte da municipalidade
demonstrando interesse em administrar esse departamento,
embora essa iniciativa seja um passo importante. Outro
exemplo: na década de 90 do século passado, houve um
processo de municipalização da educação. Naquela época
muitos pensavam que a nossa cidade não teria estrutura para
manter a educação sob a tutela da municipalidade. Agora, há
mais de uma década, temos o sistema municipal estruturado.
Talvez não agrade a todos, mas ele existe e atende milhares
de crianças e adolescentes. Se a municipalidade assumisse o
tratamento de água e esgoto da nossa cidade, gradativamente
nós estaríamos estruturados também nesse setor. E assim
poderíamos administrar um departamento que trará qualidade
de vida aos munícipes e desenvolvimento a nossa cidade.
Como cidadão assisense, após muita reflexão, cheguei à
conclusão de que o município pode e deve administrar a
concessão de água e esgoto na nossa cidade.
*Professor de Filosofia. Vila Prudenciana -
marciobressane@hotmail.com |
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