| Como pedir aumento
Por Tom Coelho*
“Se você pensa que pode, você pode.E se você pensa que não
pode, você está certo.”
(Mary Kay Ash)
O mundo corporativo coloca em polos opostos o empregado,
acreditando-se injustiçado porque ganha menos do que julga
merecer, e o empregador, convencido de que paga mais do que
deveria pela produção gerada.
Para vencer a batalha de conseguir um aumento salarial,
informação e astúcia são os ingredientes básicos, aplicados
conforme as dicas a seguir.
1. Faça uma autoavaliação criteriosa. Aumentos devem ser
obtidos por mérito antes mesmo de serem desejados. Por isso,
pondere sobre sua performance. Acompanhe seus relatórios de
avaliação de desempenho e competências e o feedback de seu
supervisor e colegas de trabalho.
2. Pesquise o mercado. Analise a média salarial do seu cargo
no mercado comparando-a com a média paga por sua empresa.
Lembre-se de considerar o porte da companhia. Não se pode
esperar de uma pequena corporação a mesma capacidade de
remuneração de uma multinacional.
3. Conheça a política salarial de sua empresa. Uma companhia
com plano de cargos e salários bem estruturado apresenta
regras para promoção, premiação e remuneração. Assim, pode
haver critérios que considerem não apenas questões
qualitativas, vinculadas a resultados, mas também ciclos
cronológicos relacionados às faixas salariais. As normas
podem até mesmo limitar a autonomia do gestor na concessão
de aumentos, impedindo-o de atender à sua demanda.
4. Estude o ambiente. Observe o desenvolvimento de seus
colegas de trabalho. Procure identificar um padrão de
comportamento que possa ter conduzido alguns profissionais a
uma posição superior. Examine o mercado e a posição relativa
de sua empresa para descobrir como anda sua saúde financeira
no momento. Faça uma leitura do perfil e das reações de seu
gestor a fim de notar a melhor ocasião para abordá-lo.
5. Prepare o terreno. Faça um levantamento de suas
atividades buscando mensurar os resultados alcançados.
Elabore uma relação dos benefícios que você traz para a
corporação e como pode potencializá-los. Prepare uma
proposta de solicitação de elevação salarial atrelada às
metas da empresa, com um planejamento detalhado para um
horizonte de 12 meses, por exemplo, com gatilhos de
incremento em seus proventos a cada fase concluída do
projeto.
6. Dê o bote. O melhor local: na própria empresa, em uma
reunião a portas fechadas para minimizar o risco de
interrupções. O momento certo: logo após a realização de um
projeto bem sucedido e num dia em que o gestor esteja de bom
humor. A abordagem recomendada: clareza e objetividade na
exposição, porém sem denotar agressividade. Iniciar
enaltecendo com autenticidade a companhia, o cargo exercido,
a liderança e a equipe. Explicitar o trabalho realizado, os
pontos positivos e as perspectivas futuras, conforme o
planejamento traçado anteriormente.
7. Quanto negociar. Não há uma regra para isso. Primeiro,
porque depende da política da empresa. Os dissídios
coletivos anuais são da ordem de 5%. Já os aumentos
vinculados ao tempo de serviço ou mudança de função dentro
do plano de cargos e salários giram em torno de 10%. Maiores
índices podem ser obtidos quando acoplados aos resultados da
companhia.
8. Esqueça os apelos emocionais. A corporação não está
preocupada com o fato de sua família aguardar a chegada de
trigêmeos, o filho mais velho ter ingressado numa
universidade privada ou seu avô exigir um caríssimo
tratamento médico. Separe a pessoa do problema.
Justificativas de cunho emocional podem até funcionar uma
primeira vez, mas o risco maior é causar constrangimento e
denunciar que você é um mau administrador de suas finanças
pessoais –e, por conseguinte, um péssimo exemplo de
gerenciamento para a própria companhia. O foco deve estar em
seu desempenho e o nome do jogo é meritocracia.
9. Esteja pronto para negociar. Evidentemente, sua proposta
pode ser total ou parcialmente recusada. Neste caso, negocie
benefícios, objetivando ganhar mais no longo prazo com base
em seu desenvolvimento pessoal. Assim, um curso de idiomas
ou um MBA podem representar uma transferência de despesa
pessoal que você teria e que será assumido pela empresa.
10. Mantenha a confiança e a autoestima. Uma postura
determinada e segura compõe uma imagem adequada ao seu
marketing pessoal. Além disso, calcule os riscos de sua
iniciativa. Cuidado também com a opção de flertar com oferta
de trabalho de outra empresa. Poderá receber um “até logo”
quando imaginava que a proposta seria coberta.
Você avaliou seu desempenho, estudou o mercado e sua
companhia, planejou uma argumentação sólida e coerente para
respaldar seu pedido de aumento salarial e negociou. Se
mesmo assim a empresa tem sucessivamente negado um
reconhecimento efetivo pelo trabalho, é hora de considerar a
possibilidade de mudar de emprego. Afinal, tapinha nas
costas não paga contas.
* Tom Coelho é educador, conferencista e
escritor com artigos publicados por mais de 400 veículos da
mídia em 15 países. É autor de “Sete Vidas – Lições para
construir seu equilíbrio pessoal e profissional”, pela
Editora Saraiva, e coautor de outros quatro livros. Contatos
através do e-mail tomcoelho@tomcoelho.com.br. Visite:
www.tomcoelho.com.br e www.setevidas.com.br. |