| Código Florestal – Preservação Ambiental
ou Boicote? Por João Mota*
Estamos vivendo um momento especial em que o Congresso
Nacional está prestes a votar o novo Código Florestal
Brasileiro. Embora o Deputado Federal Aldo Rebelo, autor do
Relatório do Projeto de Lei que visa substituir o atual
Código Florestal, tenha se empenhado ao máximo para abranger
todas as realidades brasileiras, conhecendo as
particularidades de cada região e as dificuldades que os
produtores rurais enfrentam para garantir a produção
agrícola do país, é com grande tristeza que vemos esforço
tão admirável ser atacado duramente.
Temos acompanhado o debate e os absurdos defendidos por
alguns parlamentares, aliados às ONGs internacionais que
muito oportunamente tomaram as dores pseudo-ecológicas.
A nossa preocupação maior diz respeito às conseqüências
desses ataques pouco balizados à vida de toda a nação. Falo
com a propriedade de quem vive da terra e conhece as
dificuldades de se produzir com dignidade neste país,
principalmente por ser pequeno e pertencer a uma categoria
pouco reconhecida.
Pela própria experiência e convívio com outros produtores
posso dizer com segurança que não somos contra a preservação
do meio ambiente. Muito pelo contrário, muitas das práticas
agrícolas atuais foram adotadas visando a preservação. Haja
vista a adoção do plantio direto, a rotação de culturas e
outras técnicas já arraigadas na atividade.
O que não concordamos é com a radicalização e a discussão
vazia característica dos grupos ditos ambientalistas que
nunca propõem soluções e nem ouvimos saber de qualquer ação
prática, somente os ouvimos gritar e espernear. Por que eles
não estão incomodando o governo da maior potência mundial e
as empresas petrolíferas cobrando solução urgente do maior
vazamento de óleo no Golfo do México que dura mais de 30
dias?
Entendemos que nesse momento de discussão é hora dos
brasileiros lutarem e defenderem a soberania nacional. É
muito bonito dizer que a Amazônia é o pulmão do mundo só que
quem cuida deste pulmão é o Brasil, inclusive contra o
contrabando internacional de recursos naturais.
E cá estamos nós, produtores, submetidos a uma lei que na
prática já foi comprovada a sua inaplicabilidade. Da forma
como a lei ambiental se configura hoje com resoluções e
medidas provisórias que colocam na ilegalidade a maioria dos
produtores brasileiros, por terem cumprido anteriormente o
próprio chamado do governo para desbravar as terras desse
país, a atividade agropecuária é inviabilizada. Até parece
que os nossos parlamentares preferem dar voz a interesses
internacionais do que proteger os recursos nativos.
A sociedade brasileira não pode esquecer a contribuição que
a agricultura e a pecuária deram e continuam dando para o
desenvolvimento do país. A nossa atividade sempre foi
primordial para o sucesso dos planos de estabilização
econômica e também pelos superávits da balança comercial.
É claro que os louros dessa vitória ficam com os grandes
empresários da agroindústria. Infelizmente, os pequenos e
médios são ignorados e não aprovando o novo Código Florestal
essa categoria será mais ignorada ainda. Se o rumos das
ações políticas não mudarem veremos a extinção dessa classe.
Infelizmente, a maioria que se encontra nessa faixa parece
não ter se dado conta dessa realidade.
O que defendemos não é, em nenhum momento, algo absurdo ou
incoerente. Apenas defendemos o direito de produzir em paz e
partilhar obrigações que na verdade é de toda a sociedade
como por exemplo a responsabilidade pela preservação dos
recursos naturais.
Defendemos alguns pontos básicos, como:
- o respeito às áreas de produção já consolidadas;
- que as delimitações de reserva legal obedeçam a critérios
científicos para melhor preservação, e que possam ser feitas
pelo estado considerando os biomas e bacias hidrográficas;
- que a mata ciliar se limite apenas para proteção de rios e
não toda área úmida da propriedade;
- pagamento por serviços ambientais aos produtores rurais;
Enfim, essa discussão deve contar com o envolvimento de toda
a sociedade, mas é preciso entender que esse envolvimento
compreende direitos e deveres partilhados por todos. Temos
que ter em mente que a produção de alimentos é um assunto de
importância mundial e que as únicas áreas disponíveis para
expansão se encontram no Brasil, na América Latina e na
África. Até 2030, o mundo precisará de mais de 1 bilhão de
hectares para a agricultura e os países desenvolvidos não
tem mais pra onde expandir. Para onde então, eles estão
olhando?
*Presidente do Sindicato Rural de Cândido
Mota |