O acidente da air france e a efemeridade da vida
Sergio Vieira
O acidente com o avião da Air France, ocorrido há cerca de uma semana, quando
aproximadamente 228 pessoas morreram no oceano Atlântico, na rota Rio de
Janeiro-Paris, demonstra o quanto a vida é efêmera. As pessoas vivem suas vidas
como se não existisse a morte. Entretanto, quando menos se espera, chega a
hora... Aquelas pessoas iam viajar para Paris, e de lá, para vários pontos da
Europa. Jamais imaginavam a possibilidade de um acidente. Entretanto, uma falha
qualquer no avião levou-as à morte.
Se pudéssemos ter consciência do quanto nossa vida é efêmera, talvez pensássemos
duas vezes antes de jogar fora as oportunidades que temos de ser e de fazer os
outros felizes. Muitas flores são colhidas cedo demais. Algumas, mesmo ainda em
botão. Há sementes que nunca brotam e há aquelas flores que vivem a vida inteira
até que, pétala por pétala, tranquilas, vividas, se entregam ao vento. Mas a
gente não sabe adivinhar. A gente não sabe por quanto tempo estará enfeitando
esse Éden e tampouco aquelas flores que foram plantadas ao nosso redor. E
descuidamos. Cuidamos pouco. De nós, dos outros.
Nos entristecemos por coisas pequenas e perdemos minutos e horas preciosos.
Perdemos dias, às vezes anos. Nos calamos quando deveríamos falar; falamos
demais quando deveríamos ficar em silêncio. Não damos o abraço que tanto nossa
alma pede porque algo em nós impede essa aproximação. Não damos um beijo
carinhoso porque não estamos acostumados com isso e não dizemos que gostamos
porque achamos que o outro sabe automaticamente o que sentimos.
E passa a noite e chega o dia, o sol nasce e adormece e continuamos os mesmos,
fechados em nós. Reclamamos do que não temos, ou achamos que não temos
suficiente. Cobramos. Dos outros. Da vida. De nós mesmos. Nos consumimos.
Costumamos comparar nossas vidas com as daqueles que possuem mais que a gente. E
se experimentássemos comparar com aqueles que possuem menos? Isso faria uma
grande diferença!
E o tempo passa... Passamos pela vida, não vivemos. Sobrevivemos, porque não
sabemos fazer outra coisa. Até que, inesperadamente, acordamos e olhamos pra
trás. E então nos perguntamos: e agora? Agora, hoje, ainda é tempo de
reconstruir alguma coisa, de dar o abraço amigo, de dizer uma palavra carinhosa,
de agradecer pelo que temos. Nunca se é velho demais ou jovem demais para amar,
dizer uma palavra gentil ou fazer um gesto carinhoso.
Finalizando, um trecho de um poema de um autor desconhecido. “Não olhe para
trás. O que passou, passou. O que perdemos, perdemos. Olhe para frente! Ainda é
tempo de apreciar as flores que estão inteiras ao nosso redor. Ainda é tempo de
voltar-se para Deus e agradecer pela vida, que mesmo efêmera, ainda está em nós.
Pense!... Não o perca mais!...”