Comportamento do filho
Por Associação
Assisense de Amor-Exigente
O comportamento do filho afeta os pais, o comportamento dos pais afeta o filho.
Assim, o comportamento agressivo e destrutivo do filho gera atitudes neuróticas
e descontroladas nos pais.
E se ouve:
"Já sei por que o filho deles age assim... eles acabaram com o garoto..." "Já
sei por que aquele casal está assim... O garoto acabou com eles..."
É preciso parar com isso. Os pais devem estar conscientes do seu papel no lar e
na sociedade. Diante de um comportamento inaceitável, não podem competir com ele
ou perder a dignidade. Uma atitude inconseqüente e rebelde não justifica uma
reação absurda.
É preciso manter o equilíbrio, se quiser dominar a situação, ser dono de sua
casa, conduzir sua família no rumo certo.
Pode parecer que o Amor-Exigente exige demais dos pais e dos filhos, mas
acredita-se que este será o melhor caminho... Sabe-se também que a atitude
exterior deve mudar antes da atitude interior, uma ajuda à outra.
Vejamos um texto do Autor: Joacir J. Venturi, Professor e diretor de escola:
Dos doze trabalhos atribuídos a Hércules, o primeiro manter o leão de Neméia
poderia ser substituído por educar um filho nos dias de hoje e numa cidade
grande.
São tantas as alternativas, os conflitos e também as alegrias que, ao assumir o
papel de pai ou mãe, fecham-se as portas do purgatório. Ao ter um filho,
"perde-se o direito de se aposentar do papel de pais".
Ser pai ou ser mãe é:
Impor limites. Ter autoridade, sem ser autoritário, para não sucumbir à tirania
do filho. A autoridade quando exercida com equilíbrio é uma manifestação de
afeto e traz segurança. São pertinentes as palavras: "O comportamento frouxo não
faz com que a criança ame mais os pais. Ao contrário, ela os amará menos, porque
começará a perceber que eles não lhe deram estrutura, se sentirá menos segura,
menos protegida para a vida. Quando os pais deixam de punir convenientemente os
filhos, muitas vezes pensam que estão sendo liberais. Mas, a única coisa que
eles estão sendo é irresponsável”.
Transmitir valores: O filho precisa de um projeto de vida. Desde pequeno é
importante o desenvolvimento de valores intrapessoais, como Ética, Cidadania,
Solidariedade, Respeito ao Meio Ambiente, Auto-Estima, ensejando adultos
flexíveis e versáteis, que saibam resolver problemas, que estejam abertos ao
diálogo, às mudanças e às novas tecnologias.
Valorizar a escola e o estudo. Os educadores erram sim! E os pais também!
Pequenas divergências entre a Escola e a Família são aceitáveis e, quem sabe,
salutares, uma vez que educar é conviver com erros e acertos. O filho precisa
desenvolver a tolerância, a ponderação, preparando-se para uma vida na qual os
conflitos são inevitáveis. No entanto, na essência, deve haver entendimento
entre pais e educadores. O filho é como um pássaro que dá os primeiros vôos.
Família é Escola são como duas asas: se não tiverem a mesma cadência, não haverá
uma boa direção para o nosso querido educando.
Dar segurança do seu amor. Importa mais a qualidade do afeto que a quantidade de
tempo disponível ao filho. Nutri-lo afetivamente, pois a presença negligente é
danosa para o relacionamento. A paternidade responsável é uma missão e um dever
a que não se pode furtar. No entanto, vêem-se filhos órfãos de pais vivos. A
vida profissional, apesar de suas elevadas exigências, pode muito bem ser
ajustada a uma vida particular equilibrada.
Dedicar respeito e cordialidade ao filho. Tratá-lo-emos com a mesma urbanidade
com que tratamos nossos amigos, imprimindo um pouco de nós, pelo diálogo franco
e adequado à idade.
Dedicar respeito e cordialidade ao filho. Tratá-lo-emos com a mesma urbanidade
com que tratamos nossos amigos, imprimindo um pouco de nós, pelo diálogo franco
e adequado à idade.
Permitir que gradativamente o filho resolva sozinho as situações adversas. - "Um
filho superprotegido possivelmente será um adulto inseguro, indeciso,
dependente, que sempre necessitará de alguém para apoiá-lo nas decisões, nas
escolhas, já que a ele foi podado o direito de agir sozinho". O caminho da
evolução pessoal não é plano e nem pavimentado. Ao contrário, permeado de pedras
e obstáculos, que são as adversidades, as frustrações, as desilusões, etc. Da
superação das dificuldades advém alegrias e destarte aprimora-se a autoconfiança
para novos embates. Há momentos em que os pais devem ser dispensáveis. Ao filho
"devemos dar-lhe raízes e dar-lhe asas".
Consentir que haja carências materiais. Cobrir o filho de todas as vontades
(brinquedos, roupas passeios, conforto, etc.) é uma imprevidência. Até quando
vão perdurar essas facilidades? Disponibilizamos prioritariamente aquilo que não
tivemos em nossa infância. Mas cabe a pergunta: estamos lhe dando aquilo que
efetivamente tivemos e fomos felizes por isso?
Conceder tempo para ser criança (ou adolescente). Não se deve sobrecarregar o
filho com agenda de executivo: esportes, línguas, música, excesso de lições,
atividades sociais, etc. Se queimarmos etapas de seu desenvolvimento, ele será
um adulto desprovido de equilíbrio emocional. Nosso filho precisa brincar,
partilhar, conviver com os amigos, desenvolvendo assim as faculdades
psicomotoras e a socialização.
Desenvolver bons hábitos alimentares e exercícios físicos. A saúde é um dos
principais legados e não se pode descurar. Nosso filho será uma criança e um
adulto saudável pela prática regular de esportes e pela ingestão diária de
proteínas, frutas, verduras, legumes e muita água. Não esquecer o sol nos
horários recomendados. Tais hábitos promovem o bem estar, a auto-estima e a boa
disposição para a vida.
Convencer o filho a assumir tarefas no lar. Certamente haverá resistência. Mas,
ele deve ter responsabilidades em casa; assumindo algumas tarefas domésticas,
como limpar o tênis, fazer compras, lavar a louça, tirar ou colocar a mesa, etc.
E indispensável que tenha hábitos de higiene e mantenha arrumado o seu quarto.
Teria Hércules sido bem sucedido? Em meio a tantas vicissitudes do mundo
moderno, você pai, você mãe e eu chegamos, talvez, a um consenso: educar bem um
filho corresponde não a um, mas aos doze trabalhos atribuídos ao nosso herói
mitológico. Mas vale a pena!
O filho não vem ao mundo acompanhado de um manual de instruções e nem tampouco
lhe será concedido um certificado de garantia. Isto posto, educar é conviver com
erros e acertos. Mais acertos, proporcionalmente ao diálogo e à ternura.