BOTÕES ATREVIDOS

Por Maria Cândida

Conheço duas pequenas histórias acontecidas com o atrevimento de botões que a todo custo sustentam roupas apertadas.
Uma senhora fez um esforço inaudito para abotoar sua calça de brim;
Lutou com a natureza de seu corpo e a força do tecido e conseguiu num dado momento sentir-se compensada.
O botão sustentou o cós, ela saiu lampeira e foi para uma sorveteria.
Chegou julgando-se elegante e pediu uma taça de sorvete. Demorou muito tempo para resolver e escolher o sabor preferido.
Olhou pelo salão inteiro procurando uma mesa na qual ela pudesse ser destaque;
Afinal encontrou.
A garçonete, cheia de paciência, colocou a taça na mesa e a senhora se preveniu para tomar assento.
Arrastou ruidosamente uma cadeira.
Todo mundo estava olhando a cena. Foi quando o botão atrevido, cansado, moído desligou-se do cós da calça e num salto fenomenal enterrou-se no sorvete.
Baita vergonha, mesmo assim, segurou a calça, sentou-se e retirando o botão da taça guardou-o na bolsa e saboreou o sorvete.
Outra vez, uma amiga minha, usando uma linda blusa de crochê, cheia de buraquinhos estava num elevador ao lado de uma porção de gente.
Quando o elevador parou, um senhor se assustou porque o botão da manga de sua camisa havia enroscado num dos enfeites da blusa da moça.
O homem estrilou. A moça se defendeu dizendo que não tinha culpa e a discussão foi longe.
Outras pessoas que lotavam o elevador tentaram ajudar, mas não havia solução.
Ou a moça saia junto com o sisudo senhor ou... sei lá...
Uma idosa abriu, com dificuldade sua bolsa e de lá retirou uma tesoura. E zaz...
O homem saiu resmungando com uns fiapos da blusa da moça, grudados na sua camisa e ela ficou com um baita buraco, numa blusa tão linda.
Cuidado. Os botões não são tão inofensivos. Que nada...