O novo comunismo
Os norte-americanos estão buscando uma liderança neste ano eleitoral e
eles a encontraram. Infelizmente, não é um político norte-americano. Václav
Klaus, Presidente da República Tcheca, que sobreviveu ao sistema comunista e
agora conduz um país emergente da dissolução do império soviético, adverte
para uma nova forma de comunismo que está ameaçando a liberdade e o
progresso humanos.
Como o ex-presidente Ronald Reagan, que desenvolveu seu conhecimento
sobre a ameaça comunista lutando contra os comunistas em Hollywood, Klaus
sofreu durante a era comunista na Tchecoslováquia. Por causa da sua
experiência, contudo, ele compreendeu como o comunismo ao estilo soviético,
que ruiu como império e criou as condições para a emergência da República
Tcheca como uma nação livre e independente, nunca morreu de verdade como
ideologia e que tem seus admiradores no Ocidente.
Seu livro, Blue Planet in Green Shackles (Planeta Azul, Obstáculos
Verdes), publicado pelo Competitive Enterprise Institute, denuncia que o
movimento para “salvar” o meio ambiente foi tomado por ideólogos que
defendem o controle total do governo sobre as nossas vidas. Ele diz que o
ambientalismo pode ser considerado uma forma de comunismo, socialismo ou
mesmo fascismo. De qualquer forma que o chamemos, o resultado será a
extinção da liberdade humana.
Raízes fascistas
De fato, o livro de Klaus cita o ensaio abalizado “Ideologia Fascista: a
Asa Verde do Partido Nazista e seus Antecedentes Históricos”, de Peter
Staudenmaier, como um pano de fundo para compreender a mentalidade que
conduz à histeria fomentada pela mídia sobre o “aquecimento global” e a
alegada necessidade de ação governamental imediata nos níveis nacional e
global.
Staudenmaier escreveu que “a incorporação ao movimento Nazista de temas
ambientalistas foi um fator crucial para a ascensão deles à popularidade e
ao poder estatal”. Ele explicou: “Hitler e Himmler foram ambos vegetarianos
radicais e amantes de animais, atraídos pelo misticismo da natureza e pelas
curas homeopáticas e firmemente contrários à vivisseção e crueldade com
animais. Himmler estabeleceu até mesmo fazendas orgânicas experimentais para
o plantio de ervas para propósitos medicinais das SS. E Hitler, por vezes,
soava como um verdadeiro utopista Verde, discutindo com autoridade e em
detalhes várias formas de fontes de energia renovável (incluindo força
hidráulica ambientalmente correta e a produção de gás natural de lodo) como
alternativas ao carvão, e declarando ‘a água, os ventos e as marés como a
base energética do futuro’”.
Enquanto o engajamento nazista nestas soluções energéticas e de saúde
alternativa não as põem em descrédito, os fatos históricos deveriam
fazer-nos refletir sobre as motivações daqueles que promovem tais causas no
contexto atual. Os ataques às grandes empresas petrolíferas e a pressão por
tecnologias energéticas alternativas estão sendo usados como pretexto para
um maior controle governamental sobre a economia? As demandas por ação
governamental para frear o aquecimento global estão sendo usadas para minar
e subverter o capitalismo de livre iniciativa e os direitos de propriedade
privada?
Mas enquanto o comunismo foi um sistema ateístico, nota Klaus, o
ambientalismo moderno assumiu uma dimensão religiosa e tornou-se uma
“religião verde”.
Fascismo liberal
Ao final das considerações de Klaus sobre este assunto em um jantar em
Washington D. C. no Competitive Entrerprise Institute (CEI) e por ele
patrocinado, o mestre de cerimônias Jonah Goldberg disse que ele gostaria
que tivéssemos um Presidente dos EUA que fizesse tal pronunciamento.
Tragicamente, Bush e o Senador John McCain, o provável indicado republicano
à presidência, caíram no campo – que inclui Barack Obama, Hillary Clinton e
a maior parte do Partido Democrata – que quer erodir a liberdade individual
em nome da salvação do meio ambiente. É a visão moderna do marxista “de cada
um de acordo com suas habilidades, para cada um de acordo com suas
necessidades”, excetuando-se que as necessidades do meio ambiente estão
agora sendo colocadas acima daquelas das pessoas.
Foi apropriado que Goldberg, que elogiou as considerações de Klaus, tenha
escrito o excelente livro Liberal Fascism (Fascismo Liberal), sobre as
tendências totalitárias do liberalismo moderno.
Klaus, por seu lado, escreve que “a atitude dos ambientalistas em relação
à natureza é análoga à abordagem marxista relacionada à economia. O objetivo
em ambos os casos é substituir a evolução livre e espontânea do mundo (e da
humanidade) pelo suposto planejamento otimizado central ou – utilizando o
adjetivo mais elegante atualmente – global, do desenvolvimento mundial.
Tanto como no caso do comunismo, essa abordagem é utópica e levaria a
resultados completamente diversos dos pretendidos. Como outras utopias, esta
jamais pode se materializar, e os esforços para materializá-la só podem ser
dispendidos com restrições à liberdade por meio de imposições de uma pequena
e elitizada minoria sobre uma esmagadora maioria”.
Resumidamente, não perderemos apenas a nossa liberdade, mas também o
progresso econômico e o avanço humano serão sufocados. E mais pessoas
inevitavelmente morrerão. Klaus acrescenta: “nos últimos 150 anos (pelo
menos desde Marx), os socialistas têm sido muito eficazes em destruir a
liberdade humana sob slogans humanos e compassivos, como ‘preocupando-se com
o homem’, ‘assegurando igualdade social’ e ‘promovendo bem-estar social’. Os
ambientalistas estão fazendo o mesmo sob slogans igualmente nobres,
expressando preocupação com a natureza mais do que com as pessoas (lembremos
do motto radical ‘a Terra primeiro’). Em ambos os casos, os slogans foram (e
continuam sendo) apenas uma cortina de fumaça. Em ambos os casos, os
movimentos foram (e são) exclusivamente sobre poder, da hegemonia dos
‘escolhidos’ (como eles próprios se vêem) sobre o restante, pela imposição
da única visão de mundo correta (a deles), para a remodelagem do mundo”.
Num apêndice, Klaus aborda diretamente a pressão popular por um sistema
intitulado “cap-and-trade” (limitar-e-negociar), em uma base nacional e
global, concedendo a burocratas o poder de decidir as “pegadas de carbono”
das pessoas, companhias e nações, e limitando suas emissões de carbono e o
uso de energia. Ele chama a proposta de completamente irracional e
não-científica e sugere que seja apenas mais uma desculpa para conceder mais
poder ao governo.
As forças da liberdade
Na introdução ao livro de Klaus, Fred L. Smith Jr., presidente da CEI,
faz uma advertência a respeito da atração que a “classe intelectual”
continua a ter pelo “estatismo” ou “coletivismo” que são os outros nomes
para as ameaças que encaramos. Hoje, diz Smith, estamos testemunhando uma
“guerra cultural contra a liberdade econômica” que requer “vozes
pró-liberdade” para evitar escorregar ao totalitarismo. Klaus veio a
Washington, D. C. no final de maio para liderar esta campanha. Mas ele
retornará à República Tcheca. Várias figuras políticas conservadores dos
EUA, incluindo o Ex-presidente Republicano da Câmara de Representantes, Newt
Gingrich, estão também tentando parecer “verdes”. Gingrich, por exemplo,
aparece num comercial, financiado pela Aliança pela Proteção Climática de Al
Gore, com a atual Presidente Democrata da Câmara, Nancy Pelosi, advertindo
sobre o aquecimento global. O Observatório Judicial afirma que o comercial é
uma violação à lei eleitoral federal e uma con
tribuição ilegal à campanha de Pelosi. Gingrich tornou-se um advogado do
“conservadorismo verde” e propõe agora um “Contrato com a Terra” ao estilo
Gore.
Em seu livro, Klaus chama Gore de hipócrita em virtude de seu “próprio
consumo desperdiçador de eletricidade” e diz que o ex-vice-presidente não
tem interesse em fatos ou documentos para os seus protestos
sensacionalistas. A “guerra cultural” sobre a qual Smith adverte pode ser
percebida na quase total falta de cobertura que a mídia liberal deu às
várias visitas de Klaus a Washington D. C., incluindo o jantar da CEI e no
National Press Club (Clube de Imprensa Nacional). Ao invés de tentar refutar
os argumentos de uma pessoa que tem um grande conhecimento sobre economia e
relações econômicas internacionais, a mídia liberal fez o possível para
ignorá-la.
Matéria de capa
Felizmente, o Washington Times destacou suas advertências na primeira
página. “Ambientalismo, diz o Presidente Tcheco Václav Klaus, é o novo
comunismo, um sistema de comando-e-controle da elite que mata a prosperidade
e deveria semelhantemente ser condenado ao monte de cinzas da História”,
relatou o jornal na matéria de capa de David R. Sands. “Eu entendo que o
aquecimento global é uma religião concebida para suprimir a liberdade
humana”, disse Klaus aos editores e aos repórteres no jornal.
Para demonstrar a natureza corajosa da posição que Klaus está assumindo
internacionalmente, o livro inclui uma charge de uma pessoa que lembra Klaus
sendo queimado na fogueira enquanto três pessoas zombam dele, dizendo:
“Então, você acredita em aquecimento agora?”.
Onde estão os líderes políticos americanos que seguirão Klaus tomando uma
posição franca em favor da liberdade humana?
Cliff Kincaid é Editor da Accuracy in Media AIM e pode ser
contactado em cliff.kincaid@aim.org
Tradução: Marcel van Hattem