Festa à Fantasia

Por Vlad Suato


Grudei na minha irmã e fomos juntos a uma loja de cosméticos. Diga-se de passagem, não era lá aquela loja de cosméticos, mas apenas uma loja de cosméticos que tinha até produto de um e noventa e nove. Meio acanhado, fui logo perguntando se havia batom vermelho, à lá Marylim Monroe. Não é que tinha o danado. Na ocasião, aproveitei pra comprar um negócio de passar no rosto e me deixar branco feito papel. Essa era a intenção, pelo menos.

À noite, o grande dia, ou melhor, a grande noite, chegara a festa exaustivamente anunciada por uma amiga. Foi mais ou menos assim o convite:

“Meu primo conheceu uma garota muito interessante pela internet e ela está organizando uma festa que será a ‘coqueluche’ do momento. Ela é aparentada de não sei quem e amiga de um outro importante. A festa promete. Talvez tenha até a imprensa e coisas do tipo. Será em São Paulo. Tenho convite pra mais uma pessoa. Quer ir com meu marido e eu?”

Naquele instante me lembrei da capa de vampiro que havia usado há muito tempo. Por onde andaria aquela peça importante de meu vestiário “juvenil”? Revirei o guarda-roupa e a encontrei toda amassada e linda; preta com forro vermelho; gola alta; cetim.

Convite aceito; faltava-me o glamour e por isso me entreguei aos cosméticos.

Contrariadíssimo, o marido, depois de um dia exaustivo de trabalho, submete-se à condição de motorista do Drácula e sua vítima, rumo a São Paulo.

Girando pra cá e pra lá, à procura dos holofotes que iluminariam a entrada de tão grandiosa e fantasiosa celebração, restou-nos apenas a luz de um poste em frente ao número que indicava problemas além daquele portão de latão...

Ao acionar a campainha surge o primo, que só ali descobri que assistiu os flinstones na infância. Recepcionou-nos com um “oi, Fred, onde está a Wilma?”.

Por aquele corredor revestido com lajotas que dava acesso ao fim do, ou melhor, ao fundo da casa, encontramos uma sala recheada de crianças coordenadas pela Fiona, que naquele momento descobri ser a amada internética do Barney.

Além das crianças, as fantasias resumiam-se a um motorista bravo, a uma vítima amedrontada, à noiva do Shrek, ao Barney e a um bobo...

E não é que ainda havia um bendito concurso de fantasias? Quem venceria o filho adolescente da dona da casa? Além de participar da população votante, fui obrigado a ouvir o discurso da dona da festa, dizendo que não achava certo anunciar a vitória de seu filhote...

De quinze a vinte minutos depois, estávamos no caminho dos bandeirantes de volta a Campinas quando, de repente, ouço a reflexão da minha amiga:

“Gostei da festa! Pelo menos ganhei um voto pela fantasia.”

Infelizmente, tive de me vingar:

“Eu votei em você”.