Problemas Pessoais no Trabalho
Por Tom Coelho*
“Enfrente os problemas ou será destruído por eles.”
(Rimpoche)
O relógio toca as oito badaladas matinais, você registra
sua presença no livro ou ponto eletrônico e automaticamente
todos os seus dilemas pessoais são trancafiados no armário
do vestiário. Agora você pode iniciar a jornada de trabalho
com toda energia e foco em suas tarefas, as quais serão
desenvolvidas com elevada produtividade. Contas vencidas,
parentes enfermos e desilusões amorosas voltarão a habitar
seus pensamentos apenas ao final do expediente.
O quadro acima é tão surreal quanto alguns empregadores
gostariam que espelhasse a realidade. A publicitária alemã
Judith Mair publicou em 2003 um livro intitulado “Chega de
Diversão”, depois rebatizado de “Chega de Oba-Oba”, em que
sentencia que trabalho não tem que ser sinônimo de prazer, o
ambiente profissional não é lugar para amizades e a jornada
deve terminar na empresa, sendo proibido levar serviço para
casa.
O fato é que colocar uma linha divisória entre a vida
pessoal e a profissional pode ser possível num mundo
prussiano, mas é absolutamente impraticável dentro da
cultura latina. Razão e emoção coexistem em nosso ser, a
cada instante, onde quer que estejamos. Assim, o que podemos
fazer é minorar o impacto de nossos problemas pessoais
dentro do espaço corporativo, buscando conciliar nossos
interesses com os da empresa.
Quando este equilíbrio deixa de ser atingido, as
consequências são imediatas. Primeiro, o estresse, que em
grau mais acentuado pode levar ao burnout. Em paralelo,
surge o presenteísmo, a síndrome de estar presente no
ambiente de trabalho, porém absolutamente desconectado das
atividades profissionais, afetando drasticamente a
produtividade. Mais adiante, vem o absenteísmo, a ausência
física da empresa motivada seja por desestímulo, seja por
doenças clinicamente identificadas.
Mas então, como lidar com estes infortúnios do cotidiano
pessoal sem comprometer a posição na empresa? Algumas
sugestões:
1. Siga pelo caminho do meio. Evite o isolamento, deixando
de compartilhar seus problemas com as pessoas mais próximas.
Passamos ao menos oito horas envolvidos com o trabalho. Se
você não conversar com alguém, sua cabeça pode virar uma
panela de pressão prestes a explodir! Entretanto, evite
também a exposição demasiada. Você não precisa dividir seus
anseios com todos ao redor, até porque no ardiloso ambiente
corporativo há muitas pessoas à espera de descobrir suas
fraquezas para lhe atacar. Seja seletivo.
2. Comunique. Seu superior hierárquico não tem bola de
cristal para saber o que está se passando e pode avaliar sua
apatia como desinteresse ou até desleixo. Informe-o, ainda
que superficialmente, que está passando por uma fase
difícil, mas que está em busca da superação.
3. Seja discreto. A menos que seu espaço seja delimitado por
uma sala privada, com boa vedação acústica, onde seja
possível trancar a porta, cuide para que seus assuntos
pessoais sejam tratados reservadamente. Assim, afaste-se
para falar ao telefone ou travar aquela batalha verbal comum
a muitas discussões. Se o embate for pelo computador,
certifique-se de fechar a janela que contém o diálogo ao
sair do ambiente. E jamais, jamais chore em público. Alguns
serão solícitos e lhe oferecerão carinho e apoio. Mas outros
não se esquecerão deste seu momento de fragilidade. E usarão
isso contra você no futuro.
4. Peça ajuda. Se o problema é de ordem financeira, procure
obter um adiantamento ou um crédito consignado para
solucionar o problema. Já se for uma questão de saúde,
busque tratamento. Se enfermo, evite a automedicação e
agende um médico. Se diante de dependência química, comece
uma terapia. E tenha no RH ou departamento de saúde
ocupacional de sua empresa um aliado.
5. Afaste-se para cuidar dos problemas. Se o seu desempenho
está sendo prejudicado e seus problemas não estão sendo
resolvidos, o melhor é se licenciar. Antecipe parte das
férias para direcionar toda a atenção na solução do que lhe
aflige. Em última instância, vale até considerar um pedido
voluntário de demissão, negociando as condições da saída.
Se com você está tudo bem, mas seu colega de trabalho
notadamente está passando por um período turvo, use da
empatia e coloque-se por um instante no lugar dele,
procurando ajudá-lo. Aconselhamento e orientação podem fazer
toda a diferença. Afinal, lembre-se de que um dia os papéis
poderão estar invertidos.
* Tom Coelho é educador, conferencista e
escritor com artigos publicados por mais de 400 veículos da
mídia em 15 países. É autor de “Sete Vidas – Lições para
construir seu equilíbrio pessoal e profissional”, pela
Editora Saraiva, e coautor de outros quatro livros. Contatos
através do e-mail tomcoelho@tomcoelho.com.br. Visite:
www.tomcoelho.com.br e www.setevidas.com.br. |
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