| Nuvem negra no futebol
Por David Florim*
Há uma década o futebol brasileiro anda mais carente.
Muitas equipes, vivendo suas piores fases tecnicamente, já
não conseguem compor um bom elenco, ou manter um time
vitorioso por muito tempo.
Até a virada do milênio, as equipes brasileiras contavam com
verdadeiros esquadrões. Times como o Corinthians de Rincón,
Vampeta, Ricardinho e Marcelinho; O São Paulo de Dodô e
França; O Santos de Viola ou o Palmeiras de Roberto Carlos,
Djalminha e Rivaldo...
Os cariocas, com Juninho Pernambucano e Paulista no Vasco,
Romário no Flamengo, Túlio no Botafogo e Renato Gaúcho no
Fluminense, desfilavam em campo suas vitoriosas marcas.
Isso sem contar mineiros e gaúchos, baianos e
pernambucanos...
Bons times... Bons tempos...
Vejo a paixão no semblante dos mais velhos ao retratarem
esses anos dourados.
O Brasil vivia em crise, o real não valia nada, mas as
entidades esbanjavam bons atletas. Era de encher os olhos.
Dez anos depois, a inferioridade técnica se consolidou.
Ronaldo, acima do peso e sem demonstrar a que veio é capaz
de encher o Pacaembu.
Adriano, enfurnado em polêmicas, levou multidões ao
Maracanã...
Felipão no Palmeiras é tido como o salvador da pátria.
Tenho a impressão que alguns brasileiros não sabem
reverenciar um ídolo, caso contrário, dez anos atrás, parte
dos palmeirenses não teria feito coro pela saída de Scolari;
ou ainda, alguns são-paulinos pela saída do Kaká.
Hipocrisia ou não, a verdade é que dias atrás fizeram festa
pela volta do técnico do penta. Vai entender. Coisas do
futebol...
*David Florim é jornalista em Ribeirão Preto
e atualmente é comentarista esportivo na Rádio CMN AM. Foi
repórter da filiada
da TV Bandeirantes na região por quase dois anos, além de
outras duas rádios AM da cidade, onde em uma,
trabalhou como comentarista esportivo. Também foi repórter
esportivo e policial do extinto Jornal Ribeirão Agora.
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