| Ficha Limpa e a Moralidade Política
Por Claudenir Cândido da Silva
Desde a sua aprovação, a chamada ficha limpa ainda não
convenceu o cidadão brasileiro em acreditar que poderá impor
restrições aos políticos que foram condenados por algum
crime. Vamos acreditar que essa iniciativa não fique somente
no papel. A Campanha Ficha Limpa foi lançada em abril de
2008 com o objetivo de melhorar o perfil dos candidatos e
candidatas a cargos eletivos do país, o projeto de lei é de
iniciativa popular, junto com 1 milhão e 300 mil assinaturas
o que corresponde à participação de 1% do eleitorado
brasileiro, o projeto pretendeu, além de considerar a vida
pregressa dos candidatos, visa impedir o registro de uma
candidatura, incluindo: pessoas condenadas em primeira ou
única instância ou com denúncia recebida por um tribunal, no
caso de políticos com foro privilegiado, em virtude de
crimes graves como: racismo, homicídio, estupro, tráfico de
drogas e desvio de verbas pública.
Essas pessoas devem ser preventivamente afastadas das
eleições até que resolvam seus problemas com a justiça
criminal; parlamentares que renunciaram ao cargo para evitar
abertura de processo por quebra de decoro ou por desrespeito
à Constituição e fugir de possíveis punições; pessoas
condenadas em representações por compra de votos ou uso
eleitoral da máquina administrativa os que tiverem
condenação em ações por improbidade administrativa, as quais
não possuem natureza criminal, dentre outras ações
similares, estender o período que impede a candidatura que
passaria a ser de oito anos, tornar mais rápidos os
processos judiciais sobre abuso de poder nas eleições,
fazendo com que as decisões sejam executadas imediatamente,
mesmo que ainda caibam recurso.
Diante da omissão do Legislativo, que ainda não tinha
regulamentado a matéria, só restou à sociedade civil, por
meio do Movimento ao Combate a Corrupção Eleitoral, coletar
assinaturas para propor o projeto de lei de iniciativa
popular. É a própria Constituição Federal que, no artigo 14,
§9º, determina ao Congresso a edição de lei complementar que
estabeleça “outros casos de inelegibilidade (...),
considerada a vida pregressa do candidato”, ou seja, no
âmbito penal exige-se o esgotamento de todos os recursos
para a aplicação da pena, no âmbito eleitoral basta a
consideração da vida pregressa, nesta é adotado uma postura
preventiva, impedindo que a sociedade seja lesada.
A inelegibilidade não é pena, mas medida preventiva, pois a
sociedade tem o direito de definir em norma o perfil
esperado dos seus candidatos. Por surpresa o Congresso
aprovou o projeto da ficha limpa, e conforme o TSE (Tribunal
Superior Eleitoral) terá validade já nas eleições de outubro
deste ano. Da proposta original, o texto foi flexibilizado
na Câmara, que permitiu o político condenado possa recorrer
para suspender a inelegibilidade e participar das eleições,
o efeito suspensivo precisaria ser aprovado por um colegiado
de juízes.
A sociedade brasileira tem que se mobilizar nos assuntos de
grande importância, aqueles que podem mudar o rumo do país,
somente o povo pode transformar a situação do país em que
vive, é necessário que haja conscientização de cada um. É
necessário gostar de política saber em que direção os nossos
representantes estão seguindo, se estão exercendo uma
política positiva ou negativa, a primeira é aquela que tem o
intuito de desenvolvimento, visando o bem estar da
sociedade, já a segunda é exercida de modo contrário,
voltada somente em interesses particulares, negócios,
corrupção etc. É importantíssimo o eleitor estar atendo para
essas duas políticas.
Sabemos que pessoas sem probidade estão em todos os
segmentos, seja no Executivo, Legislativo, Judiciário dentre
outros. Creio eu que a ficha limpa, é uma tentativa de
obstruir os maus políticos que exercem uma política
negativa, mas para a ficha limpa ter sucesso é preciso a
sintonia dos poderes da União, ou seja, Executivo,
Legislativo e Judiciário, como também a participação da
sociedade em acompanhar os políticos, pois caso contrário
será somente mais uma iniciativa sem atingir seus objetivos.
Fonte: http://www.webartigos.com/articles/42270/1/Ficha-Limpa-e-a-Moralidade-Politica/pagina1.html#ixzz0tSzHjzTT |