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28 de julho - Dia do
Agricultor
Motivo de comemoração
Por João Antônio Ferreira da Motta*
O agricultor brasileiro, aquele que tira da terra o
sustento da família e que é responsável por colocar na mesa
dos brasileiros uma grande variedade de alimentos, esse não
tem muito o que comemorar no seu dia.
Apesar de seu valor, a sociedade só vai lembrar de forma
efêmera a sua importância numa data como essa, instituída
pelo governo para lembrar o centenário da criação do
Ministério da Agricultura, em 28 de julho de 1960 – pura
formalidade.
Pois então, caros produtores, vamos aproveitar este momento
e fazermos nós mesmos uma reflexão sobre a nossa vida, o
nosso compromisso e a razão da nossa luta. Afinal, com todas
as adversidades que enfrentamos, nunca deixamos de produzir.
E se o fazemos, certamente é por não pensarmos apenas em nós
mesmos, porque se fôssemos egoístas, já teríamos abandonado
a atividade há muito tempo.
Todos nós sabemos que o que nos liga à terra é muito mais
profundo do que o desejo de ser bem sucedido, ou de levar
uma vida cômoda e confortável, pois quem está na luta sabe
que vida de agricultor não é nem uma e nem outra coisa. E
está muito longe disso. Portanto, reconheçamos de uma vez
por todas que dentro de cada agricultor existe uma porção de
herói. Não esses heróis estereotipados com pose de
invencíveis, bonitos e venerados, mas um herói do cotidiano.
O herói anônimo que ninguém conhece e às vezes nem imagina
que existe, mas que não deixa o mundo cair em desgraça.
Deixemos os números de lado, as estatísticas da balança
comercial, os recordes de produção, as somas obtidas com as
exportações. Deixemos também os problemas, a falta de
política agrícola, a desproteção quanto às oscilações de
mercado, o endividamento que nos leva parte de nossas terras
e de nossa história.
Deixemos o heroísmo de lado, será que vale a pena continuar
produzindo? De onde vem esse apelo silencioso que nos impede
de parar com a nossa atividade, apesar dos insultos e da
falta de dignidade com que somos tratados pelo governo
enquanto classe produtora?
O que sobra meus amigos, é a esperança. Não aquela vã
expectativa de ver o milagre cair do céu. Mas a esperança
que nos impele a acordarmos todos os dias e arregaçar as
mangas para operarmos o nosso pequeno milagre cotidiano.
Afinal o que pulsa dentro dos agricultores de todo o Brasil,
ainda é um coração humano. *João
Antônio Ferreira da Motta é agricultor e Presidente do
Sindicato Rural de Cândido Mota. |