CONSCIÊNCIA RESIDUAL

Por Márcio Alexandre da Silva*

Parece e é muito estranho, mas, algumas pessoas vivem de toda espécie de lixo, desde cultural, político, mental ao intelectual. No entanto, o pior é o lixo residual, as sobras alimentares do nosso dia-a-dia, do papel de bala que jogamos inadequadamente no chão até alimentação que você desperdiça cotidianamente.

Infelizmente nem tudo que jogamos fora é inutilizável. Muitas coisas poderiam ser reaproveitadas. Se esses materiais ainda podem ser reutilizados, porque, às vezes, preguiçosamente não fazemos o processo seletivo? E entregamos aos coletores de materiais recicláveis. Que exemplarmente desenvolve um brilhante serviço no nosso município.

Exemplificando citamos a cidade de São Paulo, onde coletores de resíduos em caminhão da coleta pública ganha em média 510 reais mensais. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) a profissão de coletores de resíduos é a quinta de maior risco no mundo. Uma cidade com a capital paulista produz dez mil toneladas de lixo urbano diariamente.

Suponhamos que por uma semana, somente uma, o caminhão da coleta pública não passasse na sua vila, cidade ou rua? Imagine isso! Durante sete dias sem coleta pública do lixo. Que caos viraria a nossa cidade? Quando o caminhão atrasa alguns minutos, as ruas viram um transtorno. Imagina uma semana sem o serviço? Lembrando que a maioria do nosso lixo diário é alimentação. Portanto, evite desperdício, não jogue fora aquilo que pode ser aproveitado, nossos hábitos alimentares podem ser mais saudáveis se você aproveitar adequadamente os alimentos.

Talvez você não saiba ou não tenha refletido, mas, o que você joga fora, pode ser sustento de muitas famílias – se soubéssemos partilhar é claro! Não é dar a sobra para outras pessoas, mas, sim dividir melhor os alimentos. São 37 milhões de pessoas vivendo abaixo da linha da pobreza no Brasil. Enquanto uma família de classe média brasileira – a minha e a sua – joga por dia aproximadamente meio kilo de alimentos saudáveis que poderia ser aproveitado.

Pergunto: quantas famílias e pessoas são beneficiadas pelos programas sociais federais? Esse limiar da pobreza não esta alta para um país que defende a bandeiras de projetos sociais relevantes? Ou esses índices estariam inflados se não tivéssemos esses programas sociais. Essas repostas nunca serão exatas muito menos unânime.

A grande problemática da modernidade e urbanidade é o que fazer com o lixo? Aterros sanitários são antiecológicos – pois podem poluir o lençol freático e causam mau cheiro. A incineração causa poluição atmosférica. O que fazer? O primeiro passo é a conscientização de que nem tudo que jogamos fora é lixo.

Felizmente na nossa cidade temos coleta seletiva de materiais recicláveis que é feita pela Cooperativa de Materiais Reciclável (COOCASSIS). Faça uma coleta seletiva na sua casa, separe os vidros, papéis e orgânicos. Maiores informações sobre o horário de coleta seletiva no seu bairro entre em contato no número: 3321 – 4105. O poder público poderia auxiliar na destinação adequada para o lixo orgânico e resíduo sólido. Pois, se quiséssemos destinar materiais orgânicos excedentes das alimentações cotidianas? O que podemos fazer? A prefeitura poderia ter um local apropriado para compostagem e produção de adubos para as hortas e viveiros de mudas municipais e outras finalidades.

Até temos projeto interessantes de instalações de lixeiras na nossa cidade. Mas, se nós tivéssemos consciência talvez não precisássemos de lixeiras nas ruas, pois a quantidade de lixo seria pequena.

Ainda estamos aquém deste ideal, mas devemos continuar sonhando e continuar formando consciência.


*Professor de Filosofia. Morador da Vila Prudenciana - marciobressane@hotmail.com