| Como Vencer a Concorrência
Por Tom Coelho*
“Contaram-me que os peixes não se importam de serem
pescados, pois têm o sangue frio e não sentem dor.
Mas não foi um peixe que me contou isso.”
(Heywood Broun)
Não sejamos hipócritas. Esta história de que concorrência
é saudável porque estimula o desenvolvimento e combate o
imobilismo é filosoficamente bela, mas não retrata a
realidade.
Frédéric Bastiat, economista francês do século XIX e grande
defensor do livre comércio, dizia: “Destruir a concorrência
é matar a inteligência”. Pois então que morra, neste caso, a
inteligência! Qualquer empresário ou gestor há de concordar
que concorrência boa, é concorrência morta.
É por isso que o mundo corporativo tem sido marcado por
fusões e aquisições, com a formação de grandes grupos
econômicos. Tome-se como exemplo o setor bancário. Chama
menos atenção a redução do número de instituições
financeiras, o que não seria uma medida estatisticamente
adequada, mas a concentração do patrimônio líquido, dos
depósitos e do crédito entre os 15 maiores bancos do país.
As grandes companhias buscam o caminho dos ganhos de escala
e da redução de custos operacionais, princípios econômicos
legados da Era Industrial. É uma forma de debelar a
concorrência absorvendo-a (aquisição) ou aliando-se a ela
(fusão). Mas fica a pergunta: e quanto às pequenas empresas?
Firmas de pequeno e médio porte têm uma natural vocação
autofágica. Em outras palavras, digladiam-se por um pedaço
de osso como se fosse carne de primeira. Chegam até mesmo a
praticar dumping (vender abaixo do preço de custo) para
evitar que o vizinho ganhe o pedido. Cooperativismo e
associativismo são palavras ausentes do vocabulário – e do
dicionário – da maioria dos empresários. É uma questão
cultural alicerçada num modelo mental ultrapassado: cada um
que cuide de seu terreiro.
Houve uma época em que bastava produzir o que fosse para
surgir um comprador. Outro economista francês, este no final
do século XVIII, Jean-Baptiste Say, cunhou uma lei de
mercado que dizia: “Toda oferta cria sua própria demanda”.
Sua assertiva teve vida longa, a ponto de Henry Ford
declarar no auge da produção de seu veículo Modelo T: "Você
pode ter o carro da cor que quiser, contanto que ele seja
preto".
Mas os tempos áureos sucumbiram em 1929 com a Grande
Depressão. O impacto econômico foi tamanho que, nos Estados
Unidos, a taxa de desemprego saltou de 9% para 25% em apenas
três anos.
Hoje vivemos um período de comoditização ampla, geral e
irrestrita. Os produtos são todos muito parecidos em
funcionalidade. E os consumidores dão as cartas, reinando no
trono da infidelidade e com elevado poder de barganha.
O sofrimento é ainda maior no comércio que na indústria.
Basta caminhar em São Paulo, por exemplo, pela Teodoro
Sampaio dos instrumentos musicais, a Consolação dos lustres,
a Santa Ifigênia dos eletrônicos ou simplesmente as praças
de alimentação de qualquer shopping para sentir na pele e na
veia a ferocidade da concorrência. O que fazer?
1. Cuide do visual. O jogo começa na aparência que conduz à
sedução. É o marketing de percepção. Você precisa captar a
atenção do cliente para que ele escolha, entre as inúmeras
alternativas, o seu ponto. Isso envolve a fachada, o
letreiro e até mesmo o nome do estabelecimento. Os trajes
dos atendentes, a pintura das paredes, a limpeza do piso, o
índice de luminosidade, a organização dos produtos expostos
e a facilidade de acesso a eles. Perceba que as mesmas
regras aplicam-se a uma loja virtual. Neste caso, falamos de
um site de fácil navegação, com diagramação e cores
agradáveis, ágil na transição de páginas, amigável na busca
por produtos.
2. Treine seu pessoal. Considerando-se que os produtos são
similares e, portanto, facilmente comparáveis, o único canal
possível de diferenciação é o da prestação de serviços. A
palavra de ordem agora é “atendimento”. Não apenas um
atendimento bom, mas sim um excepcional, prestado por uma
força de vendas que antes de tudo conhece em profundidade o
que está ofertando. É a chamada “venda consultiva” que
compreende necessidades, orienta sobre tipos e modelos,
instrui com foco na adequação e assiste através do pós-venda
promovendo a fidelização.
3. Tenha o produto disponível. Parece óbvio, mas esta é uma
das grandes falhas de gerenciamento no ponto de venda.
Imagine ter atraído o consumidor para sua loja e tê-lo
presenteado com um atendimento exemplar. Após analisar todas
as possibilidades ele escolhe um produto que está esgotado.
Era o modelo perfeito de calçado, mas não na cor desejada.
Era o prato ideal para o almoço, mas sem o molho preferido.
Você terá o desprazer de ver seu cliente, igualmente
frustrado, sair pela porta afora de mãos vazias –mas agora
seguro do que pretende comprar, evidentemente em seu
concorrente. Portanto, mantenha um estoque de segurança. E
se você não dispõe de espaço ou capital para tê-lo, é
preferível reduzir a gama de produtos oferecidos ou
especializar-se em um grupo específico. Se você não é o
primeiro e nem o maior, seja o melhor no que se propõe a
fazer.
4. Crie diferenciais. Além do excelente atendimento, seja
criativo nos detalhes e tenha a inovação como lema. Promova
campanhas e concursos, crie bônus por fidelidade, escute e
surpreenda seus clientes com novas soluções integradas.
Propicie condições variadas de pagamento estabelecendo, por
exemplo, parceria com instituições financeiras. Vivemos uma
onda de crédito abundante e facilitado, ainda que caro, mas
que permite adquirir bens para pagamento em longo prazo
mediante suaves prestações mensais. Você não precisa assumir
o ônus dos riscos do financiamento. Não é este o seu
negócio. Mas uma financeira fará este papel com todo prazer.
5. Diga não à guerra de preços. Venda benefícios associados
aos produtos, desviando o foco do preço. A regra é vender
valor e não preço. Por isso a importância do atendimento,
inclusive no pós-venda, além da oferta de acessórios, de
assistência técnica permanente e de condições diferenciadas
de pagamento, conforme já mencionado.
6. Em guerra deflagrada, lute para ganhar. Jamais se esqueça
de que você está em guerra permanente com seus concorrentes.
Esteja, pois, preparado. Conheça bem, e de perto, seus
concorrentes. Visite-os ou coloque alguém para visitá-los.
Telefone para monitorar a qualidade do atendimento. Pesquise
preços. Descubra seus pontos fortes e os copie. Descubra
seus pontos fracos e guarde as cartas na manga. Contrate
seus melhores funcionários. E, fundamentalmente, inove.
Torne-se único a ponto de tornar a concorrência irrelevante.
Mas lembre-se: eles podem estar fazendo exatamente o mesmo
em relação a você.
* Tom Coelho é educador, conferencista e
escritor com artigos publicados por mais de 400 veículos da
mídia em 15 países. É autor de “Sete Vidas – Lições para
construir seu equilíbrio pessoal e profissional”, pela
Editora Saraiva, e coautor de outros quatro livros. Contatos
através do e-mail tomcoelho@tomcoelho.com.br. Visite:
www.tomcoelho.com.br e www.setevidas.com.br. |