Agricultura Familiar
Por Emanuel Cavalcante*
A agricultura praticada em pequenas propriedades
brasileira conta com novos e consistentes números. Em
estudos recentes realizados pela FAO (Organizações das
Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura), indicam um
total de 4,3 milhões de estabelecimentos rurais com perfil
familiar e 1,4 milhões de natureza patronal. As pequenas
propriedades ocupam aproximadamente 14 milhões de pessoas
(56% do ativo total) e são responsáveis por quase 30% do
valor da produção agropecuária nacional. Por sua vez 30% das
pequenas propriedades já se encontram em uma posição de
razoável nível tecnológico, com acesso ao crédito e a outros
serviços de apoio e também bem integrado ao mercado. Os 70%
restantes oferecem indiscutível potencial de viabilidade
econômico-social, desde que lhe sejam direcionadas políticas
públicas diferenciadas em apoio as suas necessidades e
recursos.
Ainda, segundo a FAO, aproximadamente 80% dos agricultores
do tipo familiar utiliza na fase produtiva a mão-de-obra
familiar, tem restrições tanto de qualidade quanto de
quantidade de terra para cultivar, pouco grau de instrução,
baixa organização e uma oferta de tecnologia que não lhes
permite reverter essas condições adversas. É sugerido também
que a inadequação das tecnologias à disposição desses
agricultores tem sido atribuída à falhas na leitura da
realidade por parte dos pesquisadores, que via de regra,
definem os temas de pesquisa fundamentados principalmente em
motivações pessoais.
A importância da tecnologia no processo de desenvolvimento,
a responsabilidade indelegável do pesquisador quanto ao
delineamento e ao caráter social da tecnologia, que exigirá
a identificação dos ganhadores e perdedores e sua nova
utilidade para a sociedade, estão demandando profunda
reflexão por parte dos pesquisadores latino-americanos. A
reflexão é fundamental para definir o processo de reversão
do papel da pesquisa. Essa reversão poderá ocorrer e ser
positiva na medida em que se tenha conhecimento da
agricultura e dos agricultores, acarretando mudanças no
comportamento e, finalmente, provocando mudanças nas
atitudes dos pesquisadores e instituições de pesquisa.
No Brasil, para muitos estudiosos, não é suficiente que se
estimule e se dinamize, quantitativamente e qualitativamente
a geração de novos conhecimentos e tecnologias, sendo
igualmente importante que essas conquistas da ciência sejam
prontamente transferidas aos agricultores e demais segmentos
da cadeia produtiva e incorporadas à rotina do processo
produtivo. Desta forma a adoção de tecnologia melhorada
constitui objetivo fim do processo de pesquisa, visando o
incremento de receita dos produtores e a maior
disponibilidade de alimentos para os consumidores. Por outro
lado as avaliações de adoção de tecnologia têm importante
papel porque evidenciam o grau de êxito do processo de
pesquisa, fornecem subsídios para retro alimentar os
programas de pesquisa e permitem avaliar se estes têm sido
capazes de cumprir os objetivos propostos.
Uma das maneiras factíveis de fazer com que o pequeno
produtor se mantenha no meio rural é educando-lhe para
praticar uma agricultura rentável, oferecendo mecanismos
para mostrar-lhe que é possível cultivar a terra por longo
período sem agressão ao meio ambiente e tendo como princípio
o uso de novas informações tecnológicas e a organização da
propriedade.
*Emanuel Cavalcante – Pesquisador da Embrapa
Amapá - emanueldsc@gmail.com
Fonte: http://www.webartigos.com/articles/42045/1/Agricultura-Familiar/pagina1.html#ixzz0suVxH3yO |
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