| A punição sem educação
Por: Wilmar Marçal*
Em outras épocas, quando educar era construir cidadania,
a falha, o erro e as atitudes erradas, especialmente numa
criança, eram corrigidas com a punição da palmada. O tempo
passou, a população aumentou e os costumes mudaram. E como
mudaram! Porém, cada pai e cada mãe sabem muito bem educar
seus filhos. O estado não precisa interferir, exceto em
situações onde as crianças correm riscos. Mas isso são
outros quinhentos, como diziam nossos queridos antepassados.
O foco atualmente é debater outra situação, muito comum nas
cidades hoje em dia, sobretudo nas grandes cidades, como é,
por exemplo, o caso de Curitiba e região metropolitana. É
preciso discutir e encontrar melhores soluções para uma
situação muitas vezes injusta: a indústria das multas de
transito. O que se percebe nos dias atuais é uma voraz
intenção premeditada de punir, punir e punir. Porém punir
com a força da arrecadação. Há centenas de radares na
capital paranaense com o propósito evidente de arrecadar.
Isso mesmo: arrecadar. Nada de educativo. Os “entendidos” em
sistema viário só enxergam os ponteiros das cifras. Não são
capazes de aceitar que há situações de risco, onde muitas
vezes se acelera para fugir de perigos e assaltos. Não
propagam campanhas educativas em localidades vulneráveis.
Não divulgam ações que possam envolver as comunidades em
mutirões de aprendizado. Só querem as faturas pagas e o
dinheiro em caixa. Os “especialistas” do transito, muitas
vezes com canetas pesadas, mas nenhuma experiência técnica,
só elaboram as planilhas das previsões de arrecadação. Nada
de prevenção. Esquecem ou fingem que não sabem que a cidade
cresceu, o número de veículos muito mais ainda e que a
geometria das ruas e avenidas são as mesmas. É um fluxo
exagerado em locais estáticos. Não há milagres. Faltam
consciência e paciência de nossos gestores. Acham que punir
com multas vai melhorar a educação no transito. Ora, ledo
engano. O próprio nome já diz: educação significa educar com
ação. Enquanto tivermos as intenções obscuras das vultosas
quantias nos cofres, originadas pelas incontáveis multas,
sobretudo em épocas de eleições, não teremos sucesso em
melhorias. Se ainda persistir essa demanda maldita de
recolher, vamos reagir e também formar um mutirão do
esclarecimento. Vamos recolher também. Recolher informações
tais como: para onde vai todo esse dinheiro originado das
multas? É bem possível que uma auditoria séria nas
arrecadações e circunstancias que as mesmas são elaboradas
possam responder a essa e tantas outras perguntas e dúvidas.
A população deve se unir sim, cobrar dos representantes o
destino dessa sangrenta e contundente mania de punir pelo
bolso. Educação e bom-senso são fundamentais e nós gostamos.
Honestidade com o dinheiro público, mais ainda.
* Wilmar Marçal é professor universitário e
ex-reitor da UEL./Pr. - wilmar_pr2010@hotmail.com |