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A importância da Perícia técnica na
investigação criminal
Po
Archimedes Marques*
A Polícia judiciária responsável constitucionalmente pela
investigação criminal, investigação policial ou inquérito
policial como queiram assim definir e que em verdade é tal
instrumento a base, o alicerce, pelo qual o Ministério
Público se fundamenta no sentido de oferecer a possível
denúncia para levar os criminosos às barras da Justiça,
sempre, desde os primórdios tempos, necessitou da ajuda da
Perícia técnica que posteriormente ganhou a denominação de
Polícia técnica.
A Justiça criminal que busca a verdade real, a verdade
absoluta dos fatos delituosos para não cometer o injusto,
vez que, entende-se como bem maior a liberdade da pessoa,
por isso comungar-se que é melhor deixar um culpado solto do
que um inocente preso, procura no alicerce do processo, no
inquérito policial o maior número de provas possíveis,
dentre as quais as provas técnicas que de quando em vez são
até decisivas no seu julgamento.
O inquérito policial que tem o comando do Delegado de
Polícia conta com a participação dos seus auxiliares,
Escrivães e Policiais civis ou Investigadores que trabalham
sob sua orientação em busca de tantas provas quanto forem
possíveis e, do auxilio inequívoco e essencial da Perícia
técnica aguardando sempre da mesma, laudos perfeitos que
podem por fim às dúvidas e até mesmo restar concluída a
investigação criminal inerente para o seu relatório final,
entendendo-se assim, como sempre foi, que a Polícia técnica
faz parte da família Policia civil, ambas são auxiliares da
Justiça, ambas formam a força da Polícia judiciária. Uma
está atrelada a outra. Uma é parte da outra. Uma é filha
legítima da outra e não há como negar tal filiação.
Neste patamar de vida a Perícia técnica cresceu e se
desenvolveu dentro da sua necessária atuação por conta da
investigação policial e, os policiais civis sempre foram
parceiros dos peritos criminais, por vezes até pari passu
em alguns Estados do país relacionados aos seus proventos. A
evolução da investigação policial também fez com que a
técnica pericial apurasse novos métodos de auxilio a esse
instrumento.
A Polícia técnica além de ser vital como instrumento de
elucidação de crimes, é também um tema muito interessante,
enriquecedor e fascinante. Até quem não gosta de Polícia, se
interessa pelo tema, basta ver o sucesso dos filmes ou
seriados pertinentes em que através daqueles peritos super
equipados, principalmente em novas tecnologias científicas
dos Estados Unidos resolvem os crimes mais difíceis
possíveis.
Uma investigação policial sem provas materiais consistentes,
corroboradas por laudos periciais ineficientes, é como um
fraco alicerce sob um edifício e, a posterior denúncia
oferecida pelo Promotor de Justiça é uma frágil e ineficaz
denúncia, facílima de ruir e colocar tudo abaixo.
Assim, a Polícia técnica que abrange o Instituto de
Criminalística, o Instituto de Identificação e o Instituto
Médico Legal, amadureceu e se tornou sólida ao lado da
Polícia civil, uma sempre lutando por melhoras ao lado da
outra. Entretanto o que se vê em alguns Estados do país é
uma luta inglória desta classe técnica cientifica pela sua
desvinculação da Polícia civil, em alguns lugares já
conquistado o intento, ao mesmo tempo em que insurgem outras
Polícias técnicas a se mostrar arrependidas dessa suposta
vitória.
Nesta perspectiva, algumas Polícias Técnicas que se
desvincularam da Polícia civil progrediram
profissionalmente, outras estagnaram ou regrediram, ao mesmo
tempo em que não há um consenso geral se esta dissociação é
ou não salutar para o inquérito policial, objeto essencial
para a sobrevida dessas duas organizações que formam a
Polícia Judiciária.
Dentro deste patamar da suposta independência da Polícia
técnica que se deu também há alguns anos atrás no nosso
Estado de Sergipe, pude perceber o quanto nós ficamos
estacionados no tempo ou até mesmo regredimos. Digo isso em
cátedra, pois compulsei, presidi e vivenciei incontáveis
inquéritos policiais da época de mais de duas décadas atrás
até agora, constatando que os laudos periciais antigos, por
vezes eram melhores e mais bem elaborados ou conclusivos que
os atuais apesar dos recursos serem inferiores.
Paramos no tempo e no espaço. Não houve, ao longo dos anos,
boas políticas de investimento nas novas técnicas e no
avanço da tecnologia científica, continuamos praticamente
funcionando com os mesmos equipamentos de outrora e o
material humano também foi esquecido em governos sucessivos,
não houve concurso algum, o corpo de Peritos e Médicos
legista foi até reduzido com a evidente saída, aposentadoria
ou falecimento de alguns dos seus membros. Não fosse o nosso
setor de inteligência policial que é bem equipado e funciona
a contento produzindo provas tecnológicas para os Inquéritos
policiais atuais estaríamos construindo muitos alicerçares
frágeis para dispor à Justiça a verdade real dos crimes e
dos seus autores e participes.
Diante das interrogativas dúvidas de melhoras das Polícias
técnicas estaduais, vez que os seus respectivos Governos,
tanto podem bem contemplar uma ou outra força partilhada ou
bipartida, precisamos continuar juntos para fortalecer a
nossa força, assim como, necessitamos do aperfeiçoamento
técnico, tecnológico científico, de investimentos maciços e
reais nesta importantíssima Instituição que em boa parte dos
Estados brasileiros também estagnou e permanecem com
equipamentos velhos, obsoletos e ultrapassados, em suma,
verdadeiras sucatas que já deveriam fazer parte dos seus
respectivos museus.
Precisamos também melhor contemplar esses valorosos
profissionais, com salários dignos, contratar especialistas
em todas as áreas técnico-científicos possíveis para que se
fortaleçam ainda mais os procedimentos investigativos e,
enfim, venham a satisfazer verdadeiramente os anseios do
Mistério Público, do Judiciário e da própria sociedade que
passaria a ver menos impunidade para os criminosos.
Não se faz Polícia com pechincha, muito pelo contrário, uma
boa e verdadeira Polícia custa muito caro e é isso
justamente que o povo exige do poder público, uma Polícia
forte, principalmente com o que de melhor houver em técnica
e tecnologia internacional para que lhe forneça uma
segurança pública adequada e que também torne a impunidade
dos criminosos como instrumento negativo do passado.
*Archimedes Marques (delegado de Policia no
Estado de Sergipe. Pós-Graduado em Gestão Estratégica de
Segurança Pública pela Universidade Federal de Sergipe)
archimedes-marques@bol.com.br |